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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

QUANDO FALTA VONTADE

O problema ainda é tabu e exige muita sensibi-lidade do médico
© DrGrounds | istockphoto.com
A sexualidade feminina ganha cada vez mais espaço nos consultórios, com um número crescente de mulheres à procura de soluções e respostas para suas dif iculdades em manter relações satisfatórias. Boa parte das pacientes que buscam ajuda de um profissional está preocupada em salvar o casamento, uma relação em crise ou até mesmo conseguir engravidar. Os problemas de libido aparecem em todas as faixas etárias, embora a iniciativa de ir ao médico seja mais comum entre as mulheres mais jovens.
Por envolver questões culturais e de comportamento, o assunto ainda é considerado tabu para muitas pacientes, o que exige atenção e sensibilidade do médico para descobrir se o problema é causado por alteração hormonal, depressão ou decorrente de algum tratamento medicamentoso.
Descartadas essas hipóteses, o desinteresse e a apatia que resultam da perda da libido podem caracterizar a Síndrome do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, conforme classificação da Organização Mundial da Saúde – problema que afeta cerca de 10% da população adulta feminina do planeta.
Computadas todas as outras causas da falta de libido, a porcentagem de mulheres com dificuldades sexuais aumenta para 30% ou 40% do total da população. E mais: o restante não é garantia de satisfação sexual, pois inclui mulheres que não têm vida sexual, não atingem o orgasmo e não se incomodam com isso.

Idade e libido
Segundo a diretora da Clínica de Reprodução Humana Chedid Grieco, a ginecologista Sivana Chedid, o envelhecimento físico traz alguns problemas como as cardiopatias ou diabetes, que podem afetar o desempenho sexual. Mas a idade por si só não justifica a queda da libido, o que está muito mais relacionada à vida do casal e ao relacionamento estabelecido entre os parceiros. A médica constata que a fadiga e o estresse são as principais causas para o desinteresse sexual entre as suas pacientes. Em segundo lugar estão os problemas familiares e conjugais – o que inclui a disfunção sexual do parceiro; em terceiro, os problemas orgânicos já mencionados e, em último lugar, baixa autoestima e vergonha do próprio corpo.
“Entre as situações de todos os tipos, é possível até mesmo encontrar casais que convivem bem com a falta de sexo e estabelecem outras formas de relacionamento. Esse tipo de paciente procura ajuda médica apenas para engravidar”, revela a médica. Outra constatação da especialista é que a mulher pode chegar ao orgasmo sem ter desejo pelo parceiro e também pode ter desejo e não atingir o orgasmo, mas mesmo assim se sentir satisfeita com a relação e consumar o ato sexual.

Diferenças biológicas
No homem o processo tem uma sequência mais definida, como observa a psiquiatra Carmita Abdo, que coordena o ProSex – Projeto Sexualidade, implantado em 1993 pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “No sexo masculino o desejo funciona como uma espécie de gatilho, que leva à excitação, seguida pela ereção, que vai desencadear no orgasmo, permitindo consumar a relação”, descreve a psiquiatra.
Por conta dessas diferenças biológicas, Carmita Abdo e Silvana Chedid concordam que a baixa libido ou a ausência de orgasmo na mulher só necessitam de tratamento quando geram angústia e frustração. “Quando isso não incomoda a mulher nem prejudica seu relacionamento, não existe problema”, garantem as duas especialistas.
Mas, para as mulheres que querem incrementar ou preservar a vida sexual, a medicina dispõe de um arsenal variado de tratamentos, que pode incluir psicoterapia, reposição hormonal, mudança de hábitos e alguns medicamentos, embora não tratem diretamente a disfunção sexual feminina. 
Atualmente o ProSex registra uma média de mil atendimentos por mês, começando pela triagem, que inclui consulta com clínico geral, investigação ginecológica, exames de endocrinologia e avaliação psicológica. Apesar de funcionar no Instituto de Psiquiatria da USP, a equipe tem formação multidisciplinar e um dos recursos que o programa adota é a terapia cognitivo-comportamental que, em geral, fornece respostas mais rápidas e imediatas que a psicoterapia tradicional. “O objetivo é identificar e ajudar a paciente a encontrar maneiras de mudar de atitudes que bloqueiam sua libido ou interferem no desempenho sexual”, esclarece Carmita Abdo. A médica observa, ainda, que problemas psicológicos podem ser causa ou consequência de estados depressivos e, nesses casos, a terapia inclui medicamentos. 
A ginecologista Silvana Chedid, no entanto, alerta para o risco de certas medicações terem efeito colateral sobre a libido da mulher, o que inclui alguns antidepressivos, além de anticoncepcionais, remédios para hipertensão ou para outros problemas orgânicos. “Nesses casos, cabe ao médico regular as dosagens dos remédios utilizados ou avaliar a prioridade do tratamento”, complementa a médica.

Tratamentos
Entre os tratamentos disponíveis para melhorar a disposição sexual feminina, está a reposição hormonal, que tem como foco equilibrar as dosagens de estrogênio e progesterona, os chamados hormônios ovarianos, assim como a testosterona, hormônio predominante no homem, mas que também afeta o desempenho da mulher. A utilização dos hormônios sintéticos, no entanto, só é recomendada nos casos em que a produção natural é afetada por algum desequilíbrio orgânico ou no climatério, quando a queda da produção hormonal é acentuada, culminando com a menopausa, quando o ciclo reprodutivo feminino se encerra.
Para quem busca efeito imediato, sem contraindicações, há dois anos já estão disponíveis no mercado pomadas de uso tópico. A medicação age de forma similar aos medicamentos para impotência masculina, pois aumenta a irrigação sanguínea e a sensibilidade do órgão sexual, além de melhorar a lubrificação vaginal, que se reduz a partir do climatério.
Uma nova substância – a flibanserina –, em fase de testes na Europa e nos Estados Unidos, pode se tornar a primeira droga a atuar diretamente na libido feminina. Testes descritos em um artigo publicado pela revista científica Journal of Sex Research indicam aumento médio mensal de 96% nos “eventos sexuais satisfatórios” entre cerca de 800 voluntárias que se submeteram ao tratamento durante 24 semanas. Mas, como se trata de um medicamento ainda em estudo, não há previsão para a sua comercialização.


Por: Eli Serenza
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

HARD E SOFTWARE HUMANOS

Pesquisa traça paralelo entre o funcionamento da memória humana e o computador
© Petrovich9 | istockphoto.com
Cientistas do Southwestern Medical Center da University of Texas, Estados Unidos, identificaram semelhanças na maneira como o computador e o cérebro humano retêm informações que se alteram continuamente. Trata-se da primeira pesquisa a identificar fisiologicamente o sinal que estabelece uma memória celular não permanente e dar indicações de como o cérebro guarda as informações temporárias. Descobriu-se que um neurônio pode guardar até um minuto de memória.
A área de tecnologia da informação costuma denominar a memória de curto prazo como memória RAM (Random Access Memory). Ela é a chamada memória de trabalho, que funciona enquanto o computador está ligado.
São os programas em funcionamento, os arquivos dispostos na chamada área de transferência, o conteúdo que aparece na tela não salvo etc. Quando se desliga o computador, ela se apaga. Foi útil por um pequeno período.
A memória de longo prazo pode ser representada pelo HD – hard disk ou disco rígido. Nele são guardados o sistema operacional, os programas e arquivos de escrita, de cálculos, os arquivos de música, fotografias e outros. Eles permanecem ali por longo tempo e podem ser acessados sempre que solicitados; estão à disposição do usuário.
Os cientistas já conheciam o processo de como as memórias permanentes são arquivadas. O processo é demorado, pode levar de minutos a horas, sendo muito lento para guardar informações que chegam rapidamente.
Um dos participantes mais ativos do estudo é o psiquiatra e professor assistente do Southwestern, Donald Cooper. Ele participou do trabalho que, com o auxílio de pequeníssimos eletrodos, mediu o processo de formação de memória no cérebro de cobaias e o que acontece em células nervosas individuais. Ali são desencadeados impulsos muito rápidos de informação que duram menos de um segundo.
“Esta memória é mais parecida com a memória RAM de um computador do que com a memória arquivada no disco rígido. A memória do disco rígido é mais permanente e você pode acessá-la repetidamente. A memória RAM é um arquivo temporário que pode ser reescrito e que permite que uma pessoa faça várias tarefas ao mesmo tempo”, diz Cooper.
Para ele, caso se consiga identificar e manipular os componentes moleculares da memória, será possível desenvolver drogas que melhorem a capacidade de uma pessoa manter essa memória temporária e, assim, completar tarefas sem ser perturbada. “Para pessoas viciadas em drogas, podemos fortalecer essa parte do cérebro associada à tomada de decisões, permitindo que elas ignorem impulsos e avaliem consequências negativas do seu comportamento antes de usar drogas”, afirma o especialista.
A pesquisa possui implicações importantes. Além da possível ajuda a pessoas que possuam vícios, pode ser útil em tratamento de distúrbios de atenção e perda de memória motivada por estresse.
Em trabalho da biomédica e neurocientista Silvia Helena Cardoso, vice-presidente do Instituto Indumed, em Campinas, existem diversas categorias de memória, entre elas a memória ultrarrápida, que retêm os fatos por apenas alguns segundos; a memória de curta duração, com duração de minutos ou horas e que serve para proporcionar a continuidade do nosso sentido do presente, e a memória de longo prazo, que estabelece traços duradouros e pode durar dias e até anos. O processo de armazenamento de novas informações na memória de longa duração chama-se consolidação.
De acordo com a biomédica, a memória para datas (ou fatos históricos e outros eventos) é mais fácil de se formar, mas ela é facilmente esquecida, enquanto a memória para aprendizagem de habilidades tende a requerer repetição e prática. Ela cita um exemplo de memória de curto prazo: “Você acaba de ouvir o telefone ditado por alguém, mas em poucos segundos é incapaz de se lembrar de parte ou de todos aqueles números. Por quê? Esta memória é temporária e limitada em sua capacidade, sendo armazenada por um tempo muito curto no cérebro, da ordem de milissegundos a poucos minutos”.
Outro estudo relacionado à memória desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Estocolmo, na Suécia, acompanhou 4,2 mil pessoas, entre 25 e 80 anos de idade, por 20 anos e concluiu que a memória humana fica melhor com o passar do tempo. A afirmação parece contrariar o pensamento comum, mas é importante, pois reforça o argumento de que se deva elevar a idade média para a aposentadoria, tanto de homens como de mulheres.
“Descobrimos que a memória das experiências, também conhecida como memória episódica, melhora a cada geração”, diz Lars-Göran Nilsson, professor de Psicologia e responsável pelo estudo. Os principais fatores encontrados no estudo para a melhoria da memória são o nível educacional, o tamanho das famílias (quanto menor, melhor) e a nutrição, acompanhada de bons hábitos de exercícios. 
A surpresa fica por conta do aspecto familiar. “A explicação é provavelmente o fato de que o primeiro filho recebe cem por cento da atenção e, quando a criança ganha irmãos, a energia e o tempo dos pais passam a ser divididos entre todos”, explica o psicólogo sueco condutor do estudo. “A meta agora é pesquisar se esses três fatores determinantes também são decisivos em um país em desenvolvimento”, acrescenta ele.


Por: Neusa Pinheiro 
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A ALTERNATIVA PARA A SAFENA

Um novo enxerto é utilizado nas cirurgias do coração

Em cirurgias cardíacas, sempre que uma artéria é obstruída, geralmente são utilizados três vasos sanguíneos para fazer pontes: a safena, a mamária e a veia radial. Recentemente incorporou-se aos procedimentos médicos uma nova alternativa trazida pela experiência dos cirurgiões plásticos: a artéria circunflexa lateral da coxa.
Por se tratar de uma artéria e não de veia, como no caso da safena, existem algumas vantagens: segundo o médico cirurgião do InCor – Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo, Miguel Antonio Moretti, a veia safena tem uma longevidade variável, entre 10 e 18 anos, e a mamária dura cerca de 15 a 20 anos. “Ainda faltam estudos para determinar essa duração, já que esse procedimento é relativamente recente. Mas, por se tratar de uma artéria, o implante de uma ponte com a circunflexa lateral da coxa deve durar quase tanto quanto a mamária ou outra artéria, como a radial”, explica.
Segundo o especialista, a grande vantagem está na capacidade que essa artéria teria de aumentar sua atividade e função, se estimulada). “Este evento poderia ser desencadeado quando do implante no coração, o que reverteria, teoricamente, em melhores resultados de potência com consequente redução de morbimortalidade”, diz Moretti.
As veias e artérias são utilizadas em cirurgias cardíacas sempre que uma artéria é obstruída. Elas serviriam de ponte dentro do coração, cumprindo a missão de levar o sangue de um ponto a outro. Após a inter venção, o sangue volta a fluir normalmente. Assim, a artéria circunflexa se apresenta como uma alternativa a mais, o que se torna particularmente importante, já que temos apenas pare s de safenas, mamárias e radiais. Fábio Gaiotto, cirurgião pesquisador do InCor, acrescenta que, “por ser um enxerto arterial, a perviabilidade a longo prazo deve ser maior. O procedimento é de fácil execução e seguro”.
Segundo o médico, a artéria é retirada através de uma incisão na face lateral da coxa, porção proximal. “O resultado estético é muito satisfatório. No restante, a técnica de utilização no coração obedece a preceitos clássicos para o emprego de enxertos arteriais de segunda escolha (os de primeira escolha são as duas mamárias).” 
A cirurgia já foi aprovada e vem sendo utilizada no InCor. Apesar de recente, possui um embasamento sólido na literatura médica. “Havendo indicação, emprego o enxerto rotineiramente”, diz o cirurgião Gaiotto.
De fato, com os estudos concluídos e a coleta de dados completa, a operação foi realizada em 32 pacientes, nos quais 26 com resultados positivos. Entre esses houve a ocorrência de oclusão, após sete dias, e em apenas um caso a oclusão tardia (após três meses), mas sem eventos adversos decorrentes, pois o enxerto é considerado de segunda escolha e aplicado em ramos coronarianos secundários. “Nos seis pacientes restantes, a artéria era muito fina e não pôde ser utilizada, o que é muito comum em cirurgias de revascularização do miocárdio com enxertos arteriais, pois ocorrem variações anatômicas.”
De acordo com Gaiotto, as melhores artérias são retiradas de homens jovens e longilíneos. Já Moretti acredita que, apesar de utilizada como ponte alternativa, pode-se pensar em substituir o implante de safena por essa artéria, se os estudos confirmarem todas as vantagens.
O diretor da Divisão Cirúrgica Torácica e Cardiovascular do Instituto do Coração, Noedir Stolf, afirma que os resultados estão próximos dos obtidos com as mamárias – consideradas as melhores até hoje para esse tipo de operação. Apesar de não haver ainda estatísticas de dados a respeito do tempo de resistência às obstruções nas veias circunflexas laterais da coxa, alguns exames mostraram que, após um ano ou dois, o calibre da artéria, em pacientes estudados, chegou até a aumentar.
Os pacientes idosos e diabéticos são grandes beneficiados pela nova opção, pois não têm boa aceitação da retirada de vasos do tórax, de acordo com Stolf. “A questão é que cada pessoa tem só duas artérias mamárias e pode precisar de mais vasos, tanto para substituir pontes anteriores como novas”, lembra. 
Além disso, uma cirurgia pode exigir mais de cinco pontes. O tipo de ponte a ser utilizado pelo cirurgião vai depender da localização da obstrução coronariana, do número de artérias obstruídas, do tamanho das artérias, das condições e idade do paciente.
Apesar da incidência crescente de coronariopatia em jovens adultos, houve um melhor controle do espasmo em enxertos arteriais e ampliou-se o emprego de artérias nas revascularizações.
 Se o médico optar por fazer um enxerto arterial, ele pode escolher a artéria radial, que irriga o braço e tem representado uma ótima opção cirúrgica; as artérias mamárias, que irrigam as mamas e estão consagradas pelo uso, tendo demonstrado superior idade em per viabilidade (facilidade de f luxo sanguíneo) a longo prazo sobre as safenas; ou a epigástrica, do estômago. 
O conhecimento prático adquirido em salas de cirurgias do InCor com a utilização da artéria circunflexa é também uma importante contribuição brasileira para a cirurgia de revascularização do miocárdio.


Por: Neusa Pinheiro
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

GESTÃO DE IDEIAS

A busca de resultados a curto prazo é inimigo do ambiente inovador
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Ideias diferenciadas, implantadas e bem-sucedidas. Assim pode se traduzir o conceito de inovação, um dos principais desafios atuais das organizações. Foi-se o tempo em que falar em inovar era apenas criar produtos revolucionários com tecnologia de ponta, capazes de trazer à realidade o modo de vida dos filmes futuristas de ficção. Hoje, quando se fala em inovação, aborda-se algo mais amplo, que atinge a forma como as empresas gerenciam seus negócios e, principalmente, seus talentos.
“A inovação em gestão no Brasil é mais boa vontade do que prática. Nossas empresas ainda buscam mais a certeza do que o risco”, afirma o coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda. Segundo ele, o maior inimigo do ambiente inovador é a busca de resultados a curto prazo. Isso porque a corrida pela inovação ocorre exatamente no sentido oposto. Trata-se de um desafio de longo prazo, que inclui a predisposição da companhia e de seus gestores para investir em pontos até então desconhecidos que podem não trazer retornos imediatos. “É uma questão cultural, que não se alcança da noite para o dia”, alerta.
Mas o cenário é promissor. O Centro de Referência em Inovação, mantido pela Fundação Dom Cabral, é um exemplo de como instituições de renome estimulam e incentivam a discussão e a troca de experiências. Ali, no Núcleo de Inovação, que prevê grupos de discussão, com trocas de experiências e buscas de soluções criativas para as questões apresentadas. “O grupo é anual. As empresas integrantes decidem os rumos do trabalho, traçam metas e objetivos. O propósito é discutir a inovação e também pesquisar as melhores práticas do mercado”, explica. “Buscamos disseminar o conceito de que inovação é uma prática que deve ser inserida na empresa como um todo e não apenas na alta gestão. É assim que a fundação entende a inovação.”
Um exemplo disso é o cotidiano da Leucotron Telecom, empresa mineira do setor de telecomunicações. Ano a ano, a empresa vem incorporando ao seu modelo de gestão o estímulo à inovação. Depois de diversas ações voltadas para os produtos e para o segmento de atuação, a Leucotron direcionou o foco para os funcionários. Desde 2007, mantém comitês de inovação. A área estratégica desempenha o papel de passar as diretrizes para o comitê gestor de inovação e aprovar os projetos apresentados. Já os gestores buscam informações, elaboram, desenvolvem e implantam os projetos aprovados. Um dos projetos implantados foi a planilha de ideias, na qual o colaborador Leucotron pode registrar sua sugestão sobre qualquer área da empresa em um diretório público. Os gestores das áreas acompanham o que é enviado e na própria planilha colocam a análise da ideia, a ação a ser tomada e a data prevista para início e fim da implantação. "Seguimos um modelo participativo, o que facilita o estilo de comunicação informal e a manutenção de um clima inovador, dando espaço para novas ideias, sugestões, críticas e perguntas", explica o diretor Marcos Goulart. Para o inglês Rowan Gibson, a inovação contínua é a única forma de sobrevivência das empresas e seus profissionais. No livro Innovation to the Core ele aborda a metodologia de geração de ideias, a chamada “quatro lentes da inovação”. Segundo ele, a primeira lente é a do “questionador” - o profissional deve observar e questionar a visão do mundo de seus colegas de trabalho e a sua própria, buscando entender as razões pelas quais as coisas são feitas como são. Outra lente é do “polidor de tendências”. A orientação aqui é a de descobrir como determinada tendência será utilizada. Em seguida, vem a lente do “utilizador”. Nessa fase, o profissional deve olhar suas competências e recursos e questionar sobre como ele poderá utilizá-los
de maneiras diferentes. E, por fim, vem a lente “conhecedor do cliente”. Para Gibson, o profissional inovador precisa entender os desejos de seu público primeiro que a concorrência. E o guru garante que, aplicando as quatro lentes, todo profissional pode se transformar em um inovador.

Autora: Liliane Simeão
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº1. Jan./Fev/Mar – 2010


Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

ALÉM DA BELEZA

Há quase 30 anos o medicamento é usado para tratar algumas doenças
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Apesar do alerta sobre os riscos do uso excessivo do botox, divulgado pela FDA – agência norte-americana de controle de medicamentos e alimentos –, o produto derivado da toxina botulínica continua ganhando espaço. Mais conhecido pelos seus efeitos estéticos e de rejuvenescimento facial, o medicamento Eli Serenza acumula resultados positivos em diversas áreas da medicina. Já revolucionou alguns tratamentos clínicos e obteve quase 100% de sucesso na redução de sintomas, ainda que temporários, de doenças graves e incuráveis, como é o caso da esclerose múltipla e da distonia muscular, incluindo o blefaroespasmo, por exemplo, que pode levar à cegueira funcional.
O uso da toxina botulínica tipo A na medicina foi aprovado pela primeira vez no mundo em 1989, nos Estados Unidos, como uma alternativa não cirúrgica para tratar o estrabismo. Desde então, o medicamento foi aprovado em 80 países para 21 indicações diferentes. No Brasil, a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – autorizou seu uso clínico a partir de 1992, para o tratamento da distonia e de estrabismo.
Hoje o tratamento terapêutico com a toxina botulínica é disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em hospitais de todo o País e o medicamento é reembolsado pelos planos de saúde. Isso só não ocorre ainda no tratamento da disfunção miccional, provocada pela bexiga hiperativa e no controle da hiperidrose, ou o suor excessivo nos pés, mãos e axilas, tratamento pelo qual o paciente paga caro, pois o botox ainda é o único derivado da toxina botulínica com uso aprovado no País.
A toxina não trata as causas das doenças, mas atenua os sintomas e sequelas, o que ajuda os pacientes a recuperarem a qualidade de vida, na opinião dos especialistas de diversas áreas médicas, pois, em geral, as doenças que podem ser tratadas com botox comprometem significativamente o bem-estar dos pacientes.

Bexiga hiperativa
Em janeiro de 2009, o botox recebeu a aprovação da Anvisa para tratamento de bexiga hiperativa neurogênica. O problema, que atinge cerca de três milhões de brasileiros, já vinha sendo tratado em outros países com aplicações da toxina botulínica há pelo menos sete anos, com resultados comprovados nos casos de pacientes que sofrem de incontinência urinária de urgência (aqueles que perdem urina antes mesmo de chegar ao banheiro).
A idade agrava o risco para a incontinência, que costuma atingir duas mulheres para cada homem, segundo Fernando Almeida, urologista responsável pelo Setor de Disfunções Miccionais e Urologia Feminina da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo. Ele explica que os tratamentos usuais incluem exercícios de fisioterapia para fortalecer a musculatura pélvica e os chamados medicamentos anticolinérgicos, que servem para inibir a contração muscular. “O botox é indicado para os casos em que esses procedimentos não surtem efeito, pois a substância é aplicada diretamente no músculo, promovendo relaxamento temporário da bexiga e minimizando contrações indesejadas e a rigidez excessiva do músculo.”

Hiperidrose
A médica Ada Trindade de Almeida, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e da Sociedade Internacional de Hiperidrose, explica as vantagens do tratamento. “A toxina botulínica tipo A é aplicada diretamente na região em que o suor é produzido e seu uso pode ser feito no consultório, sem necessidade de anestesia ou maiores riscos para o paciente, ao contrário da opção mais invasiva e cirúrgica (simpatectomia), que pode resultar no efeito compensatório, ou seja, a migração da sudorese para outras partes do corpo”, esclarece. Ela defende também que, no caso desse distúrbio, “o conceito de qualidade de vida se torna muito importante, já que a secreção da glândula sudorípara produz desconforto e efeito psicoemocional mais graves que as alterações físicas da própria doença”.
Andréia Bezerra teve acesso ao tratamento da hiperidrose durante uma campanha promovida no posto de saúde do bairro paulista de Heliópolis há cerca de três anos. “A dor provocada pelas 25 picadas para a aplicação do botox em cada axila não foi nada diante do resultado”,
garante ela, que sof re com o problema de transpiração excessiva desde o início da adolescência. Depois de 10 dias da aplicação, Andréia passou nove meses sem o excesso de suor.

Distonia
A distonia muscular é uma doença neurológica que produz contrações involuntárias em determinadas regiões do corpo quase sempre acompanhadas de dor. Os espasmos podem afetar uma pequena parte do corpo como os olhos, pescoço ou mão (distonias focais), duas partes vizinhas como o pescoço e um braço (distonias segmentares), um lado inteiro do corpo (hemidistonia) ou todo o corpo (distonia generalizada).
O tratamento com a toxina botulínica tipo A reduz muito esses sintomas e, no caso da blefaroespasmo, sua eficácia é praticamente de 100%, segundo o professor Delson Silva, neurologista coordenador do Centro de Referência em Transtornos do Movimento do Núcleo de Neurociências do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. Ele destaca que os recursos oferecidos pelo governo para o tratamento da distonia são de pr imeiro mundo, mas é preciso conscientizar a população sobre a existência da doença e dos tratamentos.
“A aplicação da toxina botulínica atenua as contrações e as dores, além de ajudar os pacientes a corrigirem a postura e a recuperarem o bem-estar. Mas, como em outras aplicações, o efeito é temporário e o tratamento deve ser repetido aproximadamente a cada três ou quatro meses de acordo com as necessidades dos pacientes”, conclui.

Por: Eli Serenza
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº1. Jan./Fev/Mar – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br