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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Dieta

Efeito sanfona
Cuidado: fórmulas mágicas e promessas rápidas para perder aqueles quilinhos indesejáveis não existem.


Fernanda Maximo, de 24 anos, percebeu que estava acima do peso ideal, entre 56 e 58 quilos, quando voltou de uma temporada de 10 meses em Londres. “Sempre fui magra, mas, depois de abusar na alimentação, cheguei a ficar com 83 quilos. Quando retornei ao Brasil, só me dei conta do ‘tamanho’ que estava após ver algumas fotos”, explica a gerente administrativa. De acordo com ela, a aparência física foi o principal fator para começar um processo bastante comum entre as mulheres: dieta.

Segundo a nutricionista Beatriz Botequio, por definição, dieta é o padrão alimentar de cada indivíduo. Mas, esse termo ficou muito associado ao emagrecimento. “Na prática clínica, a dieta é sempre voltada para um objetivo, como reeducação alimentar ou controle de colesterol, e acaba sendo mais eficaz quando sugerida por um especialista”, declara. Foi o que Fernanda fez. E acertou.

Para perder os quilos indesejáveis ganhos com a má alimentação e o sedentarismo, Fernanda procurou um endocrinologista e iniciou um sério e rigoroso processo para emagrecer. “Fiz uso de remédios inibidores de apetite, mas também mudei radicalmente a alimentação. Além disso, comecei a praticar exercícios físicos todos os dias.” Ela conta que esse tratamento deveria durar um ano e meio, mas com apenas seis meses de esforço ela conseguiu perder 20 quilos e decidiu parar por conta própria. “O médico explicou que eu tinha que cumprir o tempo determinado de tratamento para que o organismo não reagisse de forma inesperada e recuperasse tudo o que eu tinha perdido. Como eu já tinha chegado ao meu objetivo, não segui a orientação e parei com tudo”, ressalta. E errou.

Segundo o endocrinologista Flávio Guerra, dietas ultrarrigorosas, não balanceadas e acompanhadas de atividades físicas intensas e concomitantes, além de longos períodos de jejum, contribuem para um efeito rápido de emagrecimento, porém, ele pode acabar comprometendo a saúde e ocasionando o “efeito sanfona” (engorda, emagrece, engorda).
Foi exatamente o que aconteceu no caso de Fernanda. “Sempre viajo por conta do trabalho, o que não ajuda a ter uma boa alimentação. Também passei o último ano à base de lanches e fast-food e, após o fim de um relacionamento amoroso, descontei toda a ansiedade na comida. Hoje, estou com 75 quilos, mas ainda pretendo voltar a fazer o tratamento para chegar aos 57”, conclui.

Fernanda não é a única vítima do indesejável “efeito sanfona”. Como explica a nutricionista Beatriz, são muitos os casos de pacientes que fazem dietas, mas não realizam um processo de reeducação alimentar que ensina como mudar hábitos permanentes para perda e manutenção de peso. “Para conquistar o corpo ideal, as pessoas abusam de dietas com restrições calóricas que obrigam o organismo a diminuir seu gasto energético para sobreviver. Esse processo deixa o metabolismo mais lento, o que favorece o ganho de peso”, comenta a especialista.

Dieta personalizada Para o endocrinologista Flávio, antes de indicar qualquer dieta, é importante analisar a composição corpórea de cada indivíduo para encontrar um equilíbrio entre massa magra e massa gorda dentro dos limites da boa saúde. “Antes de prescrever uma dieta, precisamos verificar os hábitos alimentares de cada pessoa, saber se ela pratica alguma atividade física, se tem estresse, além de avaliar peso, altura e idade, entre outros fatores”, diz.

A especialista em nutrição explica que uma dieta saudável é aquela que preserva o equilíbrio entre todos os nutrientes e em quantidades adequadas a cada pessoa. “Hoje, o que predomina na população brasileira é o sobrepeso e a obesidade e, por consequência, as doenças cardiovasculares . Portanto, a recomendação nutricional mais utilizada é a de uma alimentação saudável com quantidades de calorias, gorduras e açúcares controladas,
para auxiliar no controle de peso e favorecer a saúde cardiovascular”, finaliza Beatriz.

Emagrecer com saúde
Flávio Guerra chama a atenção para mais um importante fator. “A cada dia surge um novo modismo ou um velho padrão alimentar travestido com outro nome. Eles prometem efeitos mágicos e infalíveis! São chás e cremes especiais, que surgem na mídia junto com planos dietéticos hipocalóricos. No primeiro momento, até parecem funcionar, mas podem levar ao terrível ‘efeito sanfona’”, reforça.

Para Beatriz, toda dieta que não respeita o equilíbrio entre os nutrientes pode oferecer risco à saúde. Mas, lembre-se, fuja das fórmulas mágicas e das promessas rápidas para emagrecer. A melhor escolha, na verdade, é a mudança de hábitos, com reeducação alimentar, prática regular de exercícios físicos e acompanhamento médico.



Por: Elisandra Escudero
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

INIMIGOS OCULTOS

Atenção à circunferência abdominal pode prevenir várias doenças

© angelhell | istockphoto.com
A síndrome metabólica (SM) é um distúrbio caracterizado por uma série de alterações no metabolismo humano e está diretamente relacionada ao aumento do risco cardiovascular. As associações de pelo menos três dos seguintes sintomas podem caracterizar a SM: o excesso de peso ou obesidade, hipertensão arterial, diabetes melito do tipo 2, intolerância à glicose, altos níveis de colesterol e triglicérides, ácido úrico elevado.
Esses fatores estão ligados à resistência à insulina e podem levar o indivíduo a um quadro muito mais grave, que inclui doenças cardiovasculares como infarto, derrames cerebrais, além de diabetes e doenças vasculares periféricas. Para a médica endocrinologista Denise Reis Franco, coordenadora científica da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), é importante saber também que a circunferência abdominal é um elemento fundamental na avaliação do quadro, podendo ser marcador significativo do risco cardiovascular.
“A maioria dos fatores de risco metabólico não apresenta sinais ou sintomas, embora o valor da cintura abdominal possa avaliar o diagnóstico. Ele será definido a partir dos achados de circunferência abdominal maior que 94 cm para homens e 80 cm para mulheres, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Este achado juntamente com o exame físico representa aumento da distribuição de gordura intraabdominal (gordura visceral), que pode produzir hormônios e desencadear processos inflamatórios que provocam complicações cardiovasculares relacionadas à SM”, informa a médica. Denise Reis esclarece que os processos inflamatórios presentes na SM podem intensificar o quadro de hipertensão arterial, lembrando que
esta, por si só, pode ser uma das causas da SM.
Segundo a endocrinologista, as prováveis causas da síndrome metabólica têm origem no sobrepeso ou obesidade, resistência à insulina e sedentarismo, mas salienta que o envelhecimento natural aumenta o risco do aparecimento da doença, havendo também fatores genéticos que podem contribuir à resistência a insulina. Além desses fatores, Denise Reis explica que a esteatose hepática (gordura no f ígado), s índrome do ovário policístico (tendência de desenvolver cistos no ovário) e apneia do sono (problemas respiratórios durante o sono) podem estar relacionadas com a doença.
De acordo com a médica, o diagnóstico é feito por exame físico e exame de sangue, esclarecendo que é solicitada a dosagem de triglicérides (tipo de gordura encontrado no sangue), dosagem do perfil de lipídeos (colesterol ) , verif icação da pressão arterial e dosagem da glicemia de jejum (açúcar no sangue).
Quanto aos níveis de colesterol, estes englobam o nível do colesterol chamado LDL e o HDL (chamado de “colesterol bom”), que neste caso ganha destaque, já que é responsável por ajudar a remoção do colesterol das artérias.
Segundo o cardiologista Amilton Silva Júnior, os fatores relacionados à SM como obesidade, hipertensão, alterações no metabolismo da gordura e açúcares são fatores de risco importantes para o desenvolvimento das doenças ateroscleróticas, propiciando aos indivíduos doenças coronarianas. “O paciente com SM está sujeito a consequências danosas como infarto agudo do miocárdio, insuf iciência cardíaca, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e angina pectoris (um tipo de dor que o paciente sente no peito, braço ou nuca geralmente no esforço físico ou estresse emocional)”, diz ele.

Prevenção e tratamento
O tratamento da doença é centrado principalmente na mudança do estilo de vida. O paciente é aconselhado a fazer alterações no seu dia a dia, que vão desde a redução do peso à inclusão de atividades físicas regulares, parar de fumar, mudar a alimentação para uma dieta saudável e atenção ao coração (veja boxe). O primeiro objetivo do tratamento, segundo Denise Reis, é direcionado a reduzir o risco da doença cardíaca e, para tanto, deve-se adequar os níveis de colesterol, controlar a pressão arterial e a glicemia. A médica explica também que, se as mudanças no estilo de vida não forem suficientes para atingir esse objetivo, podem ser associados medicamentos que irão auxiliar nesse controle.
Para a nutricionista Fernanda Castelo Branco, membro da equipe multidisciplinar da Associação de Diabetes Juvenil, o tratamento dos indivíduos com SM deve incluir uma dieta alimentar que atenda às necessidades pessoais do paciente. Fernanda faz referência à avaliação do paciente, por meio de exames específicos, como a bioimpedância (exame que detecta o excesso de gordura na composição corporal) e análise do índice de massa corporal
(IMC). “Através do cálculo de IMC é possível saber se alguém está acima ou abaixo dos parâmetros ideais de peso para sua estatura. Com o IMC é possível medir o grau de obesidade de uma pessoa”, explica.
Outro parâmetro é a circunferência abdominal que pode apontar um risco maior para problemas cardiovasculares. Já a bioimpedância permite que, mediante uma baixa corrente elétrica, se avalie a composição de gorduras e água corporal. Assim se define o que deve ser modificado quanto à alimentação e o plano de atividade física. O interessante é que esse exame ajuda a detectar as chamadas “magras gordas”, ou seja, pessoas magras no peso e com composição de gordura aumentada no corpo, que provoca a desarmonia corporal (celulite, flacidez, gordura localizada e excesso de gordura), o que pode ser fator de risco para outras doenças.
Por fim, ambas as profissionais salientam a importância da utilização de alimentos que auxiliam no aumento do colesterol HDL, diminuindo-se as gorduras, os açúcares e o sódio da alimentação. Denise, por sua vez, cita alimentos como carnes magras, aves (sem ingestão da pele) e peixes, entre outros.


Por: Jeferson Mattos
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

PERIGO DA LIPOASPIRAÇÃO

A falta de formação especializada pode ocasionar complicações e morte
© Juanmonino | istockphoto.com
A valorização exagerada da estética pela mídia, em geral, os anúncios de página dupla em revistas de clínicas oferecendo lipoaspiração e outros procedimentos em prestações a perder de vista, a frequência cada vez maior de médicos nos meios de comunicação, notadamente em programas femininos de televisão mostrando o “antes e depois” de uma cirurgia, tornou o Brasil o segundo país em realização de cirurgias plásticas.
Diversos médicos se apresentam como especialistas e, portanto, capacitados. O Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira, que fiscalizam os cursos de Medicina, no entanto, informam que o médico que põe no consultório a placa “especialista em medicina estética” comete uma infração ética grave. Estes cursos são, na verdade, cursos de dois anos (lato sensu) e que capacitam o médico a executar procedimentos específicos, como aplicação de toxina botulínica, lipoaspiração, implante de mama, plástica de nariz e peeling cirúrgico.

No Brasil, um médico cirurgião pode executar procedimentos cirúrgicos, incluindo as lipoaspirações, em qualquer área, até mesmo na de cirurgias plásticas. No entanto, para que esse procedimento venha a ser feito por um verdadeiro especialista cirurgião plástico, o profissional deve, além de ter feito a faculdade de Medicina, passar por residência de dois anos em cirurgia geral e mais três em cirurgia plástica. Logo após, sendo aprovado em um exame escrito e oral, poderá ser membro da SBPC – Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, órgão que tem o objetivo de promover e avançar no estudo da cirurgia plástica no Brasil.
“O especialista de verdade ganhou uma formação completa na residência, passou por UTI, viu doenças de todos os tipos. Sabe ver se o paciente que vai fazer lipoaspiração tem uma hérnia que precisa ser corrigida. Toma cuidado para não perfurar o intestino. O médico que cursa essas pós-graduações tem formação segmentada. Depois de operar três pacientes ele está apto? Eu acho que não”, diz José Tariki, ex-presidente da SBCP.
Segundo estudo da entidade, 75% dos procedimentos no País são feitos por motivos estéticos e o restante, 25%, em função de necessidades reparadoras. A lipoaspiração responde por cerca de 20% das cirurgias estéticas e deve ser considerada como uma cirurgia normal, que requer anestesia e todos os cuidados próprios de um procedimento de risco.
Diversos casos têm sido divulgados a respeito de lipoaspirações malsucedidas e que resultaram em morte. Um caso recente, ocorrido em janeiro deste ano, vitimou uma jornalista de 27 anos que trabalhava em Brasília, em uma televisão local. Ela morreu em função de uma perfuração equivocada de uma veia e o médico processado por homicídio doloso. 
A lipoaspiração deve ser feita em um centro cirúrgico, com todo o aparato de emergência, equipamentos de anestesia, monitores para verificação contínua do coração, pressão, respiração e saturação de oxigênio, ressuscitador e desfibrilador. É necessária também a presença de uma equipe de profissionais além do médico. Apesar de todos os cuidados, “nenhuma cirurgia tem risco zero”, diz o médico Luiz Eduardo Felipe Ablas, cirurgião plástico da Universidade Federal de São Paulo, “e nem toda cirurgia estética é indicada a todos”. É preciso se submeter inicialmente a exames e possuir uma boa saúde para a realização da lipoaspiração.
A lipoaspiração é uma técnica criada pelo cirurgião plástico Yves Gerard Illouz, em 1978. Ela é feita por uma cânula introduzida na camada subcutânea, onde estão as células de gordura (logo abaixo da epiderme – a mais superficial – e da derme, intermediária), e visa a sua retirada em locais onde os acúmulos gordurosos não somem com dietas ou exercícios. A lipoaspiração não é indicada para quem quer emagrecer e sim para aqueles que possuem peso adequado à altura e desejam melhorar o contorno do corpo. O recomendado pelo Conselho Federal de Medicina é que não se aspire mais que 7% do peso corporal, quando se usar a técnica infiltrativa e 5% quando se usar a técnica não infiltrativa.
O cirurgião plástico Carlos André Meyer, membro da SBCP, explica que “a técnica infiltrativa é aquela em que a lipoaspiração é precedida pela injeção, na gordura que será inspirada, de uma solução composta de soro, vasoconstritores e, às vezes, anestésicos locais. A solução injetada faz com que as células de gordura inchem, facilitando a lipoaspiração e que as artérias e veias se contraiam, diminuindo o sangramento cirúrgico”.
Essa técnica é obviamente a preferida pelos cirurgiões em detrimento da não infiltrativa, onde nada é injetado e não fazem parte dos procedimentos adotados nas chamadas minilipos, lipoaspiração light e hidrolipoaspiração. “Estes termos não são mencionados nas resoluções do Conselho Federal de Medicina, pois simplesmente não existem. Eles foram inventados pelos médicos não especialistas, que, desiludidos com suas carreiras, enveredam pelo universo da medicina estética e, para baixar os custos da lipoaspiração, criam esses termos”, alerta o médico. Essas intervenções prometem redução de pequenos acúmulos de gorduras localizadas em um dia apenas e são realizadas, muitas vezes, nas próprias clínicas desses médicos.
A recomendação é que, para a realização da lipoaspiração, consulte-se um médico da SBCP, que sejam feitos exames pré-operatórios para uma verdadeira cirurgia e que ela seja realizada em locais adequados como um centro cirúrgico, provido de toda a segurança necessária.


Por: Neusa Pinheiro
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

terça-feira, 31 de agosto de 2010

TAL PAI, TAL FILHO

Nutricionistas orientam pais a adotar bons hábitos alimentares desde cedo


© ilona75 | istockphoto.com
Qual pai não passou pelo momento de enfrentar o filho que recusa o alimento? Ou qual adulto já não implorou para que a criança comesse, usando de todo artifício possível para convencê-la, como se ela não comer, não vai crescer; se limpar o prato, vai ganhar um presente; ou fazendo aquele já tradicional “aviãozinho”? Pois esses artifícios não são nada aconselháveis de serem usados com os    pequenos, principalmente quando se utiliza a chantagem ou barganha para convencê-los a comer.
De acordo com o nutrólogo e pediatra da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), Mauro Fisberg, a seletividade é uma fase normal do desenvolvimento infantil. “Porém, é uma fase que tende a passar. Por outro lado, algumas crianças adotam esse comportamento de maneira exacerbada e começam a apresentar baixo peso, falta de atenção, desenvolvimento lento no aprendizado, deficiência de nutrientes como ferro, vitaminas e sais minerais”, diz o especialista.
Os nutricionistas, assim como os médicos, têm a opinião de que os bons hábitos alimentares devem ser estimulados desde a infância. A alimentação deve incluir frutas, legumes e verduras. E as guloseimas devem ser deixadas de lado.
Mas como estimulá-las ou despertá-las para uma alimentação saudável e equilibrada se os próprios pais se alimentam de maneira inadequada? Como convencer os filhos a não incorporarem o fast food ou junk food como parte de sua rotina se nem eles mesmos possuem bons hábitos alimentares? Segundo o médico, a família é o modelo para a criança. “Se as refeições não são feitas à mesa, se os pais e os irmãos mais velhos só comem lanches, dificilmente a criança vai gostar de alimentos como frutas, verduras e legumes”, alerta. 
Brigitte Olichon, professora do curso de Nutrição da Faculdade Arthur Sá Earp Neto (FASE), de Petrópolis (nota máxima – cinco, na última avaliação do MEC), diz que“a criança deve ser apresentada aos alimentos saudáveis como algo que faz parte da vida familiar. Só depois de, no mínimo, sete vezes ter experimentado o alimento, é que podemos considerar que ela pode não gostar de algum tipo específico de comida”. Ainda segundo a nutricionista, “o que a criança come é de responsabilidade dos adultos. Ela não tem discernimento suficiente para fazer escolhas acertadas. Os pais devem ser firmes em sua posição de educadores”. 
A alimentação errada na infância, como o excesso de gorduras e falta de nutrientes, como os do junk food ou comida lixo, na tradução, pode vir a provocar a obesidade em crianças maiores e, principalmente, nos adolescentes, e assim antecipar em até 20 anos o aparecimento de doenças cardiovasculares, como o enfarte e acidente vascular cerebral.
A razão disso é a aterosclerose, ou o envelhecimento precoce das veias. De acordo com o cardiologista Wilson Salgado, médico assistente da unidade clínica do InCor, “o jovem obeso está com os mesmos índices de uma pessoa até 20 anos mais velha”. A opinião é compartilhada pela médica e diretora da ABN – Associação Brasileira de Nutrologia, Márcia de Castro Sebastião, que diz que a obesidade hoje atinge cerca de 30% dos jovens. Segundo ela, “a maioria das crianças não toma café da manhã antes de ir para a escola, come frituras e bebe refrigerante”. 
As atribulações da vida moderna e a consequente falta de tempo dos pais fazem com que deem comidas impróprias aos seus filhos. É mais prático, menos trabalhoso. Entretanto, esta “comodidade” só prejudica. “Os pais devem impor limites como horários para as refeições, locais  apropriados e ritmo de alimentação sem exageros na duração (30 minutos são o ideal)”, diz Fisberg. Algumas orientações são comuns entre médicos e nutricionistas. Na hora da refeição, é preciso evitar distrações, oferecer alimentos coloridos e que despertem o apetite das crianças. A introdução de novos alimentos deve ser feita de maneira sistemática, assim como oferecer sempre frutas, verduras e legumes, servir a refeição em conjunto com os familiares e limitar o consumo de líquidos.
A ausência de controle por parte dos pais, assim como o modelo de inspiração inadequada de alimentação que podem vir a dar aos filhos, é uma possível explicação do aumento da obesidade entre as crianças. A outra seria a genética. As crianças hoje são muito ligadas a televisores, computadores e videogames. A vida urbana e o medo das ruas as forçam ao confinamento do lar. Em tempos remotos, as crianças queimavam mais calorias. Brincavam na rua, no quintal, reuniam-se com a turma para andar de bicicleta, jogar futebol.
Antigamente, a gordura era padrão de beleza e de sucesso. O desejável para a mãe era que os filhos fossem gordinhos, robustos e corados, mas não havia conhecimento que o fator obesidade poderia se tornar um problema sério de saúde. Os erros mais comuns são cometidos pelos pais, quando, desde a mamadeira, inserem na alimentação de seus filhos o açúcar e a gordura do leite de vaca, muitas vezes acompanhados de farináceos.
“Há uma prevalência de diabéticos, hipertensos e obesos na vida adulta que foram precocemente apresentados a alimentos não saudáveis. O que plantamos nas crianças, hoje, é o que colheremos amanhã no adulto”, afirma a nutricionista Brigitte.
Estudos publicados na revista norte-americana Pediatrics, em sua edição de fevereiro, demonstram o papel negativo do merchandising nos maus hábitos alimentares das crianças. Segundo a pesquisa, a maioria dos filmes infantis é financiada pelas indústrias de alimentos não saudáveis, como doces e balas, salgadinhos e bebidas açucaradas. Foram analisados mais de 200 filmes entre os anos de 1996 e 2005 e a maioria, ou seja, 69% apresentavam pelo menos uma vez a imagem desses alimentos.
Portanto, pais, cuidado com o que comem durante as refeições, principalmente ao lado de seus filhos.

Autora: Neusa Pinheiro
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010.
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br