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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

TONTURA TAMBÉM EM CRIANÇAS

A perturbação do equilíbrio está presente em mais de 300 quadros clínicos distintos
© davex83 | istockphoto.com


Alabirintopatia, vulgarmente conhecida por labirintite, é uma doença que acomete, com muita frequência, os adultos. Mas crianças e até bebês também são vítimas. E pior: nos pequenos, os sintomas podem passar despercebidos, ou nem serem identificados – e somente a crise aguda leva os pais a procurarem assistência médica. Embora no Brasil não existam dados específicos quanto à incidência da doença na população jovem, outros países dão conta de que cerca de 10% da população infantil pode apresentar sintomas relacionados a ela.
Tanto em adultos como nas crianças, os sintomas da doença vão da simples náusea, até vômitos, tonturas, dores de cabeça, distúrbios na marcha (dificuldade de andar) e podem chegar a quedas frequentes e desmaios. Enquanto nos adultos esses sintomas são identificados com clareza, nas crianças – dada a dificuldade em explicar com precisão o que estão sentindo – muitas vezes os pais associam erroneamente as queixas infantis à alimentação e aos distúrbios ortopédicos – ou nem dão a devida atenção aos sintomas.
O médico otorrinolaringologista Salah Ali Osman esclarece que a labirintite é um termo popular – e pode dar uma ideia errada do problema. “As ‘ites’ (otites, sinusites), se referem a uma inflamação. O termo mais adequado seria vertigem ou labirintopatia”, esclarece. Salah explica que nosso organismo possui um sistema chamado de vestibular, localizado no ouvido e responsável pelo equilíbrio corporal. Portanto, vestibulopatia é a designação ampla para os distúrbios desta natureza e labirintopatia é a determinação correta quando esse comprometimento ocorre no ouvido interno, na região denominada labirinto.
A tontura é definida como a sensação de perturbação do equilíbrio, sendo uma queixa extremamente frequente e um sintoma presente em diversas doenças. Daí a dificuldade no diagnóstico. A tontura, sintoma clássico associado à labirintopatia, está presente em mais de 10% da população mundial, em cerca de 300 quadros clínicos distintos, proporcionados por mais de 2.000 agentes causadores diferentes.
“Estima-se que a tontura esteja relacionada a algum distúrbio do sistema vestibular em 85% dos casos. Na infância está mais ligada a alguma má formação do órgão do labirinto, imaturidade do sistema neurológico e infecções no aparelho auditivo. No adulto, essa relação vai para o lado de alterações circulatórias ou metabólicas sistêmicas, ou mesmo do próprio labirinto”, completa Salah.
A médica pediatra Elza Sumie Yamada relata que a labirintite, muitas vezes, pode ser encontrada como consequência do acometimento de outros órgãos, como ouvido médio e mastoide.
Ambos os médicos esclarecem que a suspeita da labirintite em criança nasce principalmente diante de uma crise aguda, repentina. Segundo eles, geralmente são crises violentas, acompanhadas de manifestações neurovegetativas, como náuseas, vômitos, palidez, sudorese e taquicardia e, eventualmente, desmaios acompanhados de perda de consciência. Já a tontura crônica, intermitente ou constante, pode ser incapacitante ou não, causando impacto variável sobre a qualidade de vida do paciente.
Para os médicos, como o sistema vestibular está inter-relacionado ao sistema nervoso central, o paciente poderá relatar dificuldades de concentração mental, fadiga excessiva e perda de memória. Salah salienta que a insegurança psíquica pode levar a um quadro de irritabilidade, perda de autoconfiança, depressão ou pânico. 
A avaliação otoneurológica é fundamental para a precisão no diagnóstico. “A boa história clínica e exames subsidiários contribuem para o sucesso no diagnóstico, servindo de base para o raciocínio médico”, acredita.
Já os tratamentos são variáveis de acordo com o quadro clínico do paciente e vão desde a utilização de medicamentos de administração endovenosa ou intramuscular – com o objetivo de diminuir a função do sistema vestibular, em crises agudas –, passam pela administração de medicamentos por via oral na pós-crise, podendo chegar a tratamentos cirúrgicos no labirinto e nervos vestibulares, indicados para os raros casos crônicos da doença.
Salah esclarece ainda que a linha de tratamento é ampla e inclui, entre outras terapias, exercícios de reabilitação do sistema vestibular, considerados importante opção na recuperação dos pacientes.

Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br