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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Trabalho

Home Office
Os prós e os contras de trabalhar em casa


Trabalhar em casa deixou de ser sinônimo de trabalhar por conta própria. Um número cada vez maior de empresas entende que essa nova forma de atividade pode significar um upgrade em seus resultados, além de trazer satisfação e qualidade de vida para funcionários, loucos para se livrarem de trânsito, grandes distâncias, gastos com estacionamento, combustível e alimentação.

Para esses adeptos, tempo é dinheiro e trabalho a distância está diretamente ligado à qualidade de vida, o que inclui maior convivência com a família e flexibilidade para gerenciar seu tempo. Para vários profissionais, representa ainda um ganho no desenvolvimento da criatividade, que tende a crescer num ambiente mais tranquilo e sem pressão, aumentando a produtividade.

“É uma tendência que cresce em todo o mundo, inclusive no Brasil, embora por aqui ainda não se atinjam os mesmos níveis de consolidação como ocorre em países como os EUA e a Inglaterra”, diz Paulo Henrique Rocha, consultor de negócios da Corrhect – Consultoria de Gestão em Recursos Humanos.

Essa nova opção de trabalho, que, segundo o especialista, já vem se f irmando na mentalidade de algumas empresas, traz como benefícios economia para a companhia em termos de redução de estrutura, com espaços menores em suas sedes. “As empresas hoje querem produção, qualidade e velocidade e, por isso, oferecem uma série de compensações a seus funcionários com o trabalho remoto e toda a infraestrutura tecnológica. Mas requerem, em contrapartida, funcionários cada vez mais preparados, hipercompetitivos e que tragam respostas rápidas e positivas”, alerta.

“Além disso, esse novo profissional deve ter um nível comportamental adequado para assumir funções a distância, como maturidade, flexibilidade, competência e comprometimento”, argumenta Rocha.



No Brasil, e mesmo em outros países mais avançados, há uma crença a ser desmistificada em torno do home office – e isso se aplica tanto à empresa como ao trabalhador. O primeiro não acredita na produtividade de seu funcionário e este acredita que pode perder o emprego por não estar fisicamente presente”, comenta Rocha.

Rosemary Bethancourt, gerente de Treinamento da Catho Online, concorda que o trabalho a distância é uma tendência para as empresas que estabelecem metas e remuneram seus funcionários pelos resultados e não pela quantidade de horas trabalhadas. “É um tipo de trabalho que vem se tornando comum em grandes cidades. Com o avanço da tecnologia, as empresas podem se comunicar com os colaboradores por meio de internet, telefone, celulares, poupando-os do estresse diário”, diz a especialista, ponderando que, por outro lado, o perfil do profissional também deve ser alinhado com essa nova rotina, para que não haja desmotivação após alguns meses.

Assim, para ter sucesso nessa empreitada, alguns fatores devem ser respeitados, como a disciplina, definição de agendas e horários, para não trabalhar horas a mais ou a menos, e avaliação dos métodos de trabalho e os resultados alcançados.

Atualmente, prof issionais das áreas de vendas, atendimento, TI e consultores é que têm aderido cada vez mais aos escritórios em casa. Só vão à empresa para as reuniões em equipe. “O tipo de trabalho que melhor se adapta a esse modelo é aquele em que o desempenho é medido por meio dos resultados”, explica Rosemary.

Se houver um bom planejamento, tanto empresas como funcionários saem ganhando. “No entanto, é preciso avaliar o tipo de trabalho e o perfil do profissional, pois, sem esta análise, corre-se o risco de ambas as partes saírem no prejuízo por falta de organização e planejamento”, alerta Rosemary.

Para Dalva Braga, superintendente da Ticket, empresa da Accor Services, especializada no setor de refeição e alimentação-convênio, a implantação do home office é uma necessidade para áreas que exigem maior velocidade, como a comercial, que trabalha com metas. Ele suprime muitas etapas burocráticas.

“A Ticket, após cinco anos do início do processo de implantação, que levou toda a equipe comercial da empresa para o t rabalho em casa, já registra economia de R$ 3,5 milhões”, diz a executiva. “Os profissionais partem de seus home offices, devidamente estruturados,
com equipamentos e acessos ao sistema da empresa, e trabalham inclusive já de terno, prontos para visitas aos clientes”, diz a executiva. Atualmente, o modelo envolve 120 colaboradores.

“O ponto mais crítico do trabalho a distância é o isolamento. Mas tomamos todo o cuidado para promover encontros formais e informais a cada semana ou 15 dias, além de uma festa no final do ano, na qual todos se reúnem e há prêmios para os que se destacaram mais”, diz.

Maurício Alves, gerente de negócios da Ticket São Paulo, foi o primeiro a aderir ao modelo. Trabalhando há três anos e meio nesse sistema, ele se adaptou facilmente e gosta. “Dá para organizar meu tempo, levar meu filho para a escola, marcar uma consulta médica”, argumenta Alves. Quanto ao isolamento, o executivo declara que depende de cada profissional.

Cuidados que a empresa deve ter – Essa modalidade de trabalho requer cuidados para evitar processos judiciais, sendo necessário consultar um advogado e avaliar o melhor contrato de trabalho para cada caso. O prestador de serviços, por exemplo, não tem subordinação, exclusividade – e o empregador deixa de ter obrigações previdenciárias e tributárias. Por isso, é importante também saber que tipo de cobrança pode ser feita a esse profissional para evitar um vínculo de trabalho que legalmente ele não possui.

Cuidados que o funcionário deve ter – O funcionário que aceita trabalhar nesse esquema deve analisar a relação custo-benefício, principalmente esclarecendo quais os custos que serão de sua responsabilidade. Algumas empresas disponibilizam equipamentos e tecnologia, outras exigem que o profissional adquira por sua conta. Além disso, deve exigir um contrato de trabalho de acordo com a legislação trabalhista, evitando problemas futuros.
Fonte: Catho online


Por: Silvana Orsini
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Vetor de Oportunidades

   
O empreededorismo corporativo abre espaço
 para propostas de funcionários

Andres|Dreanstime.com

  A busca da inovação tem levado as empresas a valorizarem cada vez mais os empreendedores internos, ou seja, profissionais que exercem liderança,criam, participam e estimulam a inovação dentro das empresas.
Embora a taxa de intraempreendedorismo ainda seja muito baixa no Brasil (0,6%, segundo pesquisa de 2008 do Global Entrepreneurship Monitor – GEM), especialistas de RH, entidades e instituições ligadas ao empreendedor ismo, além de grandes empresas, defendem a importância de se investir mais nesses prof issionais, capazes de desenvolver produtos e serviços que representem diferencial competitivo nos negócios.

 “O intraempreendedor ou empreendedor corporativo é um vetor de oportunidades e está associado à competição e inovação dentro da cultura da empresa em que trabalha. Está à frente de processos como criação de novos produtos e serviços, abertura de filiais e planejamento de ações no mercado. Seu papel é agregar valor ao que é proposto na empresa”, diz Renato Fonseca, consultor do Sebrae–SP. No entanto, toda sugestão apresentada pelo intraempreendedor, segundo o consultor, deve ser bem definida e estudada para ser válida e gerar perspectivas. “Pensar antes de falar e valorizar o relacionamento com as pessoas envolvidas no ambiente profissional é vital para ganhar apoio e, assim, levar a proposta adiante. Esse  profissional tem que vender a ideia e, ao mesmo tempo, lidar com jogos de poder na organização –, portanto ele precisa ter sensibilidade suficiente, principalmente nesse momento”, explica Fonseca.  Paulo Roberto Ferreira Cunha, professor de Planejamento Estratégico da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), ressalta que o intraempreendedorismo também está muito ligado ao perfil  administrativo e estratégico da empresa. “Para viabilizar a iniciativa do intraempreendedor, a empresa precisa estar aberta a novos desafios, negócios e também a mudanças culturais para encarar a competitividade e aceitar sugestões desse tipo de profissional”, diz Cunha. 


Características do intraempreendedor:

• Busca de opor tunidades e iniciativa
• Exigência de qualidade e eficiência
• Persistência
• Correr riscos calculados
• Comprometimento
• Estabelecimento de metas
• Planejamento e monitoramentosistemático


   A aceitação da figura do intraempreendedor dentro de uma empresa depende do modelo de gestão de cada companhia. “A empresa que incentiva o colaborador a expor suas ideias e projetos deve acolhê-lo para que ele possa desenvolver esse trabalho. Há casos, porém, em que o colaborador motivado é barrado por modelos inflexíveis de gestão empresarial”,explica Cunha, que, como a maioria dos especialistas no assunto, também desaconselha o choque de projetos e ideias do intraempreendedor com os da companhia. “Esse novo profissional tem características comportamentais específicas. Age como dono do negócio e está disposto a resolver qualquer problema com a equipe como um todo. É inteiramente comprometido com o trabalho”, diz Carolina Stilhano, gerente de comunicação da Catho. No Brasil, segundo ela, muitas pessoas nascem empreendedoras, mas são tolhidas ao longo da vida pela sociedade. A cultura do  intraempreendedorismo no País ainda precisa ser mais bem assimilada, embora seja crescente a busca, pelas empresas, de profissionais com habilidades e características do intraempreendedor. “Afinal, eles trarão mais resultados e produtividade às companhias”, argumenta a executiva. 


 Por: Silvana Orsini
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br



sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

RECICLAGEM PROFISSIONAL

Plano de carreira e informação estratégica são fundamentais
© Andresr | Dreamstime.com


Atentos a novas tecnologias que surgem a todo instante os bons profissionais que fomentam o mercado de trabalho atualmente devem frequentar cursos de qualificação profissional para lidar com mudanças e inovações. Realizam cursos de especialização, pós-graduação, mestrado, MBA e falam mais de dois idiomas. Estes disputados profissionais ocupam o lugar daqueles que, há duas décadas, se diferenciavam por possuir apenas um curso superior e dominar a língua inglesa.
O upgrade de exigências se deu em razão da maciça utilização da internet e dos celulares, o que facilitou a comunicação. E a informação passou a ser adquirida em segundos. Conforme Cássia Lourenci, consultora de Recursos Humanos e coaching, os profissionais que hoje enfrentam o mercado de trabalho já nasceram em um mundo onde as exigências são maiores. Aprendem mandarim, fazem fonoaudiologia e já estudam em escolas bilíngues, onde lhes são ensinados inglês e espanhol.
Esses profissionais com perfil multitarefa disputam vagas com os profissionais de outras gerações. Estes, em razão da competitividade acirrada, também buscam mais qualificação.
Contudo, Cássia alerta: “Atualizar-se não é fazer cinco MBAs, mas ter um plano de carreira”.
Para a consultora muitas pessoas concluem cursos superiores e geralmente optam por especializações ou extensões na mesma área. Mas os conhecimentos específicos são importantes até determinado momento da carreira. “Quanto mais o profissional subir na hierarquia organizacional, mais estratégico precisará ser. Por isso, é importante focar não apenas no operacional”, aconselha. Segundo a consultora, é preciso investir em cursos de gestão de pessoas, gestão estratégica e empresarial. “Sem conhecimentos estratégicos, mesmo tendo galgado novo cargo, esse profissional pode perder o emprego”, completa.
Cássia acredita que um bom momento para escolher as melhores vertentes profissionais é cerca de cinco anos após a conclusão do curso superior. “Neste momento, ele já está no mercado de trabalho e sabe exatamente onde é o seu calcanhar de Aquiles. Aí, tem condições de optar por um curso que, de fato, vai agregar conhecimentos fundamentais à sua carreira.”
Cássia sugere, portanto, que os profissionais realizem, uma vez por ano, um curso prático como o de um software e, a cada cinco anos, outro mais profundo, como uma pós-graduação ou especialização. Orienta ainda que o profissional quebre mensalmente aquela janelinha que, no passado, dividia seu setor e passe um dia de vivência em outro departamento. “Claro que o profissional não precisa se tornar um profundo conhecedor nas funções da outra área, mas deve entendê-las para poder executar melhor as suas.”

Exemplos 
A multinacional Syngenta, que atua no setor de agribusiness, tem 1.730 funcionários e é um exemplo de como estimular e investir em seus colaboradores. Em 2009, 412 profissionais da empresa participaram de programas e 112 passaram por treinamentos regulares de idiomas. “Traçamos nossas estratégias baseados nas competências de nossos funcionários e, por isso, investir no crescimento deles é fundamental”, diz Carlos Gajardoni, gerente de treinamento e desenvolvimento. 
A empresa desenvolve programa de educação corporativa nos segmentos comercial, liderança, treinamentos internacionais e corporativos.
Lilian Saldanha, engenheira agrônoma, iniciou suas atividades como analista da área de regulamentação há dez anos. O cargo de gerente surgiu após cursos sobre manejo de projetos, realizado nos Estados Unidos. Ela também passou por treinamentos de comunicação, liderança, gestão de pessoas, manejo de projetos e coachings.

 Por: Renata Bernardis
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

NECESSIDADE OU VOCAÇÃO?

O segredo, dizem os especialistas, é ter planejamento e conhecimento do mercado
© Michaeldb | Dreamstime.com


A falta de emprego, a busca por melhores salários e qualidade de vida e o crescente interesse pela cultura do empreendedor em escolas e universidades têm impulsionado o empreendedorismo no Brasil. Dados da Global Entrepreneuship Monitor (GEM)* de 2008, pesquisa realizada anualmente em 40 países, apontam o Brasil na nona posição entre as pessoas que mais abrem negócio no mundo. Os jovens brasileiros estão à frente nessa estatística. Segundo levantamento do Banco Mundial, o País é o terceiro no ranking mundial de jovens empreendedores.
O grupo dos mais experientes – a partir de 45 anos – também busca uma alternativa profissional por meio do empreendedorismo. São os aposentados, desempregados ou pessoas que almejam uma segunda oportunidade no mundo dos negócios e partem para consultorias e serviços.
A história de Oswaldo Ferreira, 57 anos, diretor comercial da Design On, empresa especializada em divisórias, é um bom exemplo de empreendedor que carrega no sangue a vocação e muita experiência. Depois de 25 anos na gerência de vendas em empresas do setor, decidiu não se render à escassa renda de uma aposentadoria e focou na realização do tão sonhado negócio próprio. “Foram duas tentativas frustradas por falta de experiência, uma delas no segmento de importação e exportação de componentes eletrônicos – que eu conhecia pouco –, mas que renderam grande aprendizado”, conta Ferreira. A persistência levou Ferreira a buscar alternativas de investimento em uma empresa do ramo que conhecia – a Design On Divisórias – e a renovou, transformando-a em fabricante e lançando produtos inovadores. Hoje, cinco anos depois, é o único dono de uma empresa que fatura R$ 25 milhões/ano e emprega 70 funcionários, contra oito que existiam inicialmente. “A empresa já ocupa o segundo lugar no mercado e busca mais”, enfatiza.
O executivo explica que começou observando as deficiências do setor. “Pesquisei bastante, percebi muitas falhas no atendimento dos concorrentes e as acertamos. Em apenas três anos, nos tornamos uma das líderes do setor.” Atualmente, Ferreira diz que a empresa se prepara para parcerias internacionais. Conquistou por três anos seguidos o prêmio Top Marca, categoria Divisórias, conferido pelo Arcoweb, o maior portal de arquitetura da América Latina, e pela Arco Editorial, organizadora do prêmio e responsável pela revista Projeto Design.
O segredo, afirma Ferreira, foi ter um grande conhecimento do mercado e um bom planejamento, desde o processo de instalação da fábrica até a abordagem do mercado, passando pelas metas de crescimento. “Para ser empreendedor não se deve depender do resultado financeiro da empresa, mas atentar à concorrência, conhecer o segmento e planejar.” Segundo ele, é uma tarefa difícil e requer força de vontade, disposição, estrutura emocional para administrar adversidades e uma boa área de RH. “Este é um bom momento para se pensar em empresa. O mercado está carente de bons profissionais e bons produtos.”
Pesquisa realizada pelo Grupo HSBC com pequenas e médias empresas de mercados emergentes em 21 países – Brasil, México, Hong Kong, China, Malásia, Indonésia, Cingapura, Vietnã, Índia, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Taiwan, Egito, Quatar, França, Turquia, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos, Argentina e Panamá –, divulgada na última quinzena de janeiro, mostra um cenário positivo para investimentos e contratações em 2010. É a maior pesquisa internacional do segmento, da qual participaram mais de 6.300 empresas, sendo 300 do Brasil. Na pesquisa, o Brasil se estabeleceu como segundo país mais confiante da América Latina, atrás apenas do Panamá.
Para Daniel Zabloski, diretor de Pequenas e Médias Empresas do HSBC no Brasil, “a crise para o empreendedor brasileiro é um capítulo encerrado e o cenário é extremamente positivo para 2010. Estamos vendo uma retomada efetiva, que pode ser percebida na confiança do empreendedor para os próximos meses”. 
Renato Fonseca, consultor do Sebrae-SP, acredita que o brasileiro tem uma vocação empreendedora marcante. Só no Estado de São Paulo são abertas 130 mil empresas por ano. “Mas é a combinação de variantes como necessidade, vocação, estímulo, acesso às informações, opção de vida profissional e percepção de oportunidade que levam as pessoas a buscar o próprio negócio”, diz. 
A pesquisa “10 anos de Monitoramento da Sobrevivência e Mortalidade das Empresas”, realizada no Estado de São Paulo pelo Sebrae entre 2000 e 2005 e divulgada em 2008, ouviu dois mil empreendedores. O estudo indica que 35% dos entrevistados têm vocação empreendedora e 32% identificaram uma oportunidade de lucro no mercado. Igual pesquisa foi refeita com os mesmos empresários, mas levando-se em conta o método do GEM, e apurou-se que dois terços dos entrevistados, ou seja, 66% abriram empresas porque vislumbraram oportunidade de negócio e 34% por necessidade. “No Brasil, atualmente, a cada dois brasileiros que abrem uma empresa formal por oportunidade existe um que o faz por necessidade”, informa Fonseca.
Ainda de acordo com a mesma pesquisa, 46% dos entrevistados declararam não conhecer os clientes e os seus hábitos; 32% dizem não ter informação dos fornecedores; 29% não sabem o número de concorrentes e 27% não estudaram a melhor localização para seu negócio.
Para Pedro Gonçalves, também consultor do Sebrae-SP, das 130 mil empresas abertas por ano em São Paulo, 27% fecham no primeiro ano de vida. “Entre as principais causas estão a falta de planejamento prévio e a má gestão”, explica. O empreendedor tem que estar atento aos negócios, a mudanças de hábitos do consumidor, à concorrência e a fatores como cenário econômico interno e externo e tributação.


*O projeto é realizado em diversos países, a partir de um modelo da London School of Business (Inglaterra) e Babson College (EUA). No Brasil, o projeto GEM é de responsabilidade da unidade nacional do Sebrae e do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP).



Por: Silvana Orsini
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

LESÕES RELACIONADAS AO TRABALHO

O processo da LER/DORT: uma abordagem fisioterapêutica
Foto: Divulgação
As lesões por esforços repetitivos (LER) ou distúrbios osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT), são um conjunto de doenças que afetam músculos, tendões, nervos e vasos dos membros superiores (dedos, mãos, punhos, antebraços, braços, ombro, pescoço e coluna vertebral) e inferiores (joelho e tornozelo, principalmente), que têm relação direta com as exigências das tarefas, ambientes físicos e com a organização do trabalho.
A instrução normativa do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) usa a expressão LER/DORT para estabelecer o conceito da síndrome e declara que elas não são fruto exclusivo de movimentos repetitivos, mas podem ocorrer pela permanência de segmentos do corpo em determinadas posições, por tempo prolongado. A necessidade de concentração e atenção do trabalhador para realizar suas atividades e a pressão imposta pela organização do trabalho são fatores que interferem significativamente para a ocorrência da síndrome.
Nas últimas décadas, com as transformações no processo de produção, a reestruturação produtiva (automação do processo de produção), as elevadas exigências de produção, a competitividade exacerbada, as mudanças na gestão do trabalho e as novas políticas de gestão de pessoal, o que antes se restringia aos artesãos, escribas e digitadores, se estende a diversas categorias profissionais.
Muitas vezes, os portadores de LER/ DORT “apresentam quadros clínicos onde os sintomas e a dor crônica não condizem com os resultados do exame clínico”. Seu maior sintoma é a própria dor do paciente, que pode apresentar, ainda, queixas de parestesias, edema, perda da força muscular e/ou diminuição do controle dos movimentos. Segundo Assunção & Almeida (2003), a dor não segue curso linear e não tem estágios definidos. Não há uma causa única para a ocorrência de LER/DORT.
O diagnóstico, a prevenção e o tratamento das LER/DORT deve ser realizado por equipes multiprofissionais de saúde, das quais deverão ser investigadas as dimensões biomecânicas, cognitivas, sensoriais e afetivas da atividade de trabalho.
Cada profissional deve responsabilizar-se pela avaliação de cada um dos casos atendidos e pela definição de um procedimento terapêutico individualizado correspondente (Assunção A.A Almeida I.M. Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro. Atheneu 2003).
A fisioterapia deve orientar e informar o paciente acerca de sua condição e contexto, visando uma participação ativa deste no processo de prevenção e recuperação; propiciar emancipação e autonomia do paciente em relação ao tratamento adequado a sua sintomatologia; discutir as repercussões das LER/ O processo da LER/DORT: uma abordagem fisioterapêutica DORT no seu cotidiano familiar e social; aumentar gradativamente a capacidade laboral e possibilitar o seu retorno ao trabalho. As atividades a serem desenvolvidas e que englobariam esses objetivos incluem, além de fisioterapia ocupacional, outras terapias associadas: acupuntura, osteopatia/quiropraxia (terapia manipulativa), Pilates, reeducação postural e reforço muscular terapêutico. A fisioterapia também atua de forma a abranger, dentro e fora da empresa, outras abordagens, através de ações educativas (palestras, seminários ou cursos) e ações efetivas (ginástica laboral ou treinamento postural).
Através do trabalho orientacional e terapêutico, desde o nível hospitalar até a empresa, poderemos produzir crescimentos paralelos tanto do empregado quanto do empregador e consequentemente ganhos na “qualidade de vida de todos”.


Por: Aline Castro Alves e Paula Denardin
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

terça-feira, 21 de setembro de 2010

QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO

Organizações apostam em ações preventivas de saúde para o bem-estar dos colaboradores
Fotos: Divulgação
Os seres humanos estão vivendo neste planeta há aproximadamente 250 mil anos, mas só recentemente se começou a discutir o que fazer para viver melhor. A perspectiva é de que a geração do terceiro milênio atinja facilmente os 115 anos, em média, com as vacinas e medicamentos cada vez mais eficazes e com a consciência de que devemos procurar dar qualidade a nossa vida como um todo.
Há uma forte demanda para melhorar a qualidade de vida e a promoção da saúde no mundo inteiro, não somente no sentido de assistência médica (medicina curativa), mas também no sentido de prevenir doenças (medicina preventiva). Hoje, a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) faz parte da estratégia das organizações. Um número cada vez maior de empresas demonstra sua preocupação quanto ao comportamento e aos hábitos de saúde de seu profissional ao ser contratado, tais como: fumo, álcool, dietas inadequadas, sobrepeso, prática de atividades físicas e de lazer, entre outros. São hábitos que estão diretamente ligados ao adoecimento e à baixa produtividade, podendo causar estresse e doenças crônicas em seus funcionários e, secundariamente, levar ao absenteísmo.
Sabemos que nossa capacidade de trabalho é mediada pelo nosso estado de saúde. Então, quanto mais saudável e em boa forma estivermos, mais chances teremos de aumentar nossa idade produtiva e desenvolver uma carreira profissional melhor.
Há algum tempo as pessoas estão relacionando boa saúde com uma carreira positiva. Em todo o planeta programas de promoção à saúde estão crescendo com vigor merecido, pois têm mostrado resultados animadores em termos de produtividade, solução de problemas, redução de estresse e de doenças crônicas. Promover mudanças no estilo de vida dos indivíduos de uma sociedade como um todo é um desafio. Isto é extremamente difícil pela natural resistência do ser humano a mudanças. Sair da “zona de conforto”, para muitas pessoas, é penoso.
Como convencer as pessoas a alterar hábitos já estabelecidos e prejudiciais à sua saúde e depois mantêlos pelo resto da vida? Uma política de encorajamento contínua e vigorosa, com campanhas educativas e comprometimento dos líderes, é que vai determinar o sucesso desta empreitada.
Para muitas empresas que arcam com “doenças e afastamentos”, a prevenção significa um gasto equivalente a 1,5% a 2% do custo com a assistência curativa. Temos visto crescer em ambulatórios médicos de empresas as queixas de estresse, insônia, distúrbios alimentares (sobrepeso e obesidade, anorexia e bulimia) e dores nas costas, entre outras, que podem estar relacionadas com hábitos de vida e organizadas do trabalho e no trabalho. 
Como é muito difícil trabalhar com estes dados e fechar o quebra-cabeça, os indivíduos têm sido acompanhados isoladamente. Um bom programa de prevenção e QVT, mesmo inicialmente tímido, pode colocar a todos sob um mesmo bojo, trabalhando de maneira global todas as causas de adoecimento e absenteísmo relacionadas com estes fatores.
Campanhas que estimulem hábitos saudáveis, como exercícios físicos regulares, reduzem a ansiedade e a depressão e têm um impacto positivo sobre outras características psicológicas, tanto em pessoas normais, quanto naquelas com patologias clínicas como hipertensão e diabetes. O exercício físico regular reduz a idade biológica, retarda o processo de envelhecimento e diminui o tempo de dependência das pessoas idosas.
A atividade física no lazer tem grande importância para a promoção da saúde porque, geralmente, é acompanhada por outros hábitos saudáveis, como redução ou interrupção do fumo, menos consumo de álcool, melhora dos relacionamentos interpessoais e, consequentemente, do clima no trabalho e menos fadiga nas atividades do dia a dia. O mundo segue no rumo da Qualidade Total, o que vai exigir indivíduos bem preparados, com criatividade para trazer novas ideias e sugestões para melhorar a saúde, a empresa e a sociedade.

Por: Dr. Alexandre Diamante
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº1. Jan./Fev/Mar – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br