segunda-feira, 21 de março de 2011

Nutrição oncológica

Reforço alimentar
Orientações nutricionais especiais ajudam os pacientes no combate ao câncer.


Todo cuidado é pouco, os pacientes com câncer precisam dar atenção especial ao alimento que consomem, uma vez que o organismo precisa ser fortalecido a cada passo. Isso porque a quimioterapia utilizada para combater as células cancerígenas ataca também as células de defesa do organismo, afetando o mecanismo que nos protege contra doenças. Como resultado, a imunidade cai e o corpo não consegue lutar contra infecções. Por isso, enquanto o sistema imunológico estiver se recuperando, o paciente submetido à quimioterapia deve evitar expor-se a qualquer tipo de microrganismo que possa causar infecção.
Maria Helena soube disso quando deu entrada ao hospital com febre alta, rigidez nos músculos e um estado de torpor que surgiu repentinamente e a manteve internada na UTI por três dias, enquanto era medicada com altas doses de antibiótico. A causa foi uma bacteriemia, ou a presença de bactérias na sua corrente sanguínea, que normalmente passaria despercebida em um organismo sadio, mas que pode evoluir para uma septicemia fatal em um corpo debilitado por altas doses de quimioterapia, como era o caso dela. Fazendo tratamento contra um linfoma, Maria Helena superou a crise e aprendeu muito sobre os cuidados que deve ter para evitar que a medicação para combater o câncer acabe abrindo as portas para outros males afetarem seu corpo. Ao mesmo tempo em que deve servir para ajudar na recuperação, o alimento pode ser um fator de risco. Além da infecção intestinal por bactérias – provável causa da sua bacteriemia –, existe a preocupação com fungos que podem estar presentes nas frutas, hortaliças e legumes crus.
Para evitar risco, as frutas só podem ser consumidas in natura imediatamente depois de cortadas. Isso depois de lavadas cuidadosamente com escova, sabão e água filtrada. Detalhe importante: só são permitidas as de casca grossa, que protegem melhor a polpa, como a melancia e o melão. Verduras e legumes, assim como as carnes de qualquer natureza, só podem ser ingeridas quando muito cozidas, depois de passarem por cuidadosa higiene.
Os pacientes em tratamento quimioterápico são estimulados a optar por alimentos industrializados sempre que tiverem dúvida sobre a origem, frescor e limpeza da comida servida. Mas as latas, caixas, vidros e outras embalagens precisam ser rigorosamente higienizadas antes de abertas.
A doutora em nutricionismo e especialista em nutrição oncológica Patrícia Villas-Boas de Andrade, do Instituto Nacional do Câncer, é responsável por uma cartilha com dicas para o dia a dia do paciente e até sugere receitas para que continuem a se alimentar corretamente quando voltam para casa. Entre as regras básicas, a profissional ensina que as mãos e os utensílios devem ser lavados muito bem antes de se manusear alimentos; e água, sabão e escova devem fazer parte da higienização dos alimentos.
Ao falar dos efeitos colaterais da quimioterapia, Patrícia aborda as dificuldades com a alimentação nessa fase difícil do tratamento contra o câncer. “A perda de apetite é um dos problemas mais comuns, que pode ser causado pelo tratamento ou pela doença em si”, explica a nutricionista. “Emoções como o medo ou a depressão podem interferir também, além de alguns efeitos colaterais como náusea, vômitos, alterações no odor ou sabor dos alimentos.” Para ajudar a superar essa fase de dificuldades, a apostila inclui receitas de fácil aceitação pelo paciente submetido à quimioterapia.

Dicas para resistir à quimioterapia com alimentação:
• Procure comer apenas quando não estiver se sentindo nauseado.
• Para controlar a náusea, tente mascar cristais de gengibre.
• Depois de uma crise, comece com líquidos claros (consomê, sucos, gelatinas, chás), água tônica e alimentos frios (iogurte, picolé de frutas ou gelatina).
• Dê preferência a alimentos secos (biscoitos, torradas, cereais ou bolo sem recheio).
• Evite alimentos fritos, empanados, gordurosos, muito doces, condimentados ou com odor muito forte.
• Congele seu suco de frutas favorito ou água de coco em cubinhos de gelo e chupe nos intervalos.
• Não espere sentir fome para comer.
• Evite deitar logo após as refeições.
• Use roupas soltas, sem pressionar a barriga.
• Deixe de lado o rigor das três refeições diárias e se permita “beliscar” entre elas, comendo em intervalos de no máximo três horas.

Por: Eli Serenza
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 14 de março de 2011

Hérnia de Disco

Fora do eixo
A doença ocupa o segundo lugar entre os distúrbios dolorosos


Imagine uma bala recheada, seu recheio saindo e escorrendo. Aí temos uma sensação de bem-estar. Mas, essa metáfora é usada para exemplificar a hérnia de disco – dor nada prazerosa. De acordo com Fabio avaglia, médico ortopedista e presidente do Instituto Ortopedia e Saúde, neste caso o disco – localizado entre cada uma das vértebras da coluna – é como se fosse uma dessas balas recheadas, firme por fora e cremosa por dentro. Porém, “quando submetida a uma pressão maior do que aguenta, o gel interno sai e começa a pressionar os nervos ligados à coluna, formando a hérnia de disco”, explica o ortopedista.
Para ele, a hérnia de disco é conseqüência de um esforço físico excessivo, seja em flexão, rotação ou carga. E é justamente a região lombar que erroneamente é utilizada para levantar peso. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), depois do coração, a hérnia de disco é responsável pelo maior número de afastamentos profissionais no trabalho.
José Goldenberg, especialista em clínica médica e membro titular da Academia Brasileira de Reumatologia, afirma que a hérnia de disco ocupa o segundo lugar entre os distúrbios dolorosos que acometem o ser humano – só perdendo para a cefaleia, a dor de cabeça. “Cerca de 80% dos indivíduos sentirão dores lombares em alguma fase da vida”, afirma Goldenberg. Ainda segundo o especialista, há aproximadamente 5% de novos casos de hérnia de disco ao ano.
O principal sintoma da hérnia de disco são as dores ciáticas – atingem costas, nádegas e podem ir até o pé. Porém, quando o caso é mais grave, a pessoa tem dificuldade até mesmo de andar. Fabio Ravaglia explica que muitas vezes a pessoa fica em pé, mas permanece torta, para abrir espaço na coluna, aliviar a pressão da hérnia e consequentemente a dor.
Para tratar a dor, em cerca de 90% dos casos, as pessoas melhoram com um pouco de repouso e sessões de fisioterapia e/ou acupuntura, auxiliados pelo uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Em apenas um mês os pacientes estão aptos a retomar suas atividades rotineiras. “Corrigido o problema do disco que saiu do lugar, a dor desaparece completamente”, avisa o ortopedista. Mas, como toda regra tem sua exceção, a cirurgia é realizada quando o paciente não responde ao tratamento conservador. O meio cirúrgico é indicado em casos de persistência dos sintomas, perda grande da qualidade de vida e déficits neurológicos com parestesias (queimação, dormência, coceira) e fraqueza muscular.
A intervenção cirúrgica é feita em último caso e considera a gravidade dos sintomas e a incapacitação motora causada pela compressão do nervo. Essa pressão é exercida por parte do disco que extravasou e provoca, até mesmo, perda de movimento. Os métodos cirúrgicos evoluíram muito e procedimentos minimamente invasivos apresentam bons resultados. Há equipamentos modernos, como microscópios e até navegadores computadorizados que mostram o local exato da intervenção, com o mínimo de riscos para a pessoa. “A cirurgia é simples e em dois ou três dias a pessoa já está andando novamente”, diz Ravaglia.

Prevenção
Para evitar a hérnia de disco, o mais importante é prestar atenção à postura e não carregar peso de maneira errada. Fabio Ravaglia recomenda: “O ideal, ao levantar peso, é sempre agachar e nunca inclinar o corpo com os joelhos estendidos deixando o corpo na forma da uma letra U invertida”.
As atividades físicas de baixo impacto — alongamento e fortalecimento da musculatura, tanto abdominal, quanto posterior da coluna — são as mais indicadas para a prevenção das hérnias de disco. São atividades que ajudam a estabilizar a coluna e reduzir a força para a frente ou para trás. Também é recomendada a hidroginástica, caminhadas, esteiras com velocidade lenta, exercícios localizados com pouco peso e alongamentos.

Por: Gustavo Sierra
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

quarta-feira, 9 de março de 2011

Epilepsia

Curto-circuito

Aumentaram em 11% as internações pela doença
nos hospitais públicos


A pessoa cai no chão, perde a consciência. Suas pernas e braços endurecem. Ela se debate, tem contrações musculares involuntárias. Outras vezes, os sinais são mais discretos: olhar parado, comportamento fora do padrão, movimentos em apenas um dos braços ou perna. Se isso acontecer com constância, é muito provável que uma crise epilética esteja acontecendo. Descargas elétricas anormais e rápidas, com emissão de sinais incorretos e duração de alguns segundos ou poucos minutos são alterações que provocam crises e convulsões. Elas podem ser causadas por fatores como a falta de sono, ingestão de bebidas alcoólicas, febre, ansiedade, drogas e medicamentos, cansaço e mudanças súbitas de intensidade de luminosidade ou luzes piscantes.

Muitas lendas cercaram a doença no decorrer da história. Na época da Grécia Antiga, os portadores da doença eram tratados como sacerdotes possuídos de inspiração divina. Quando apresentavam convulsões, os gregos acreditavam que estavam sendo “tocados” pelos deuses. Na Idade Média, entretanto, era associada a possessões demoníacas. Hoje, têm-se conhecimento de que se trata de uma doença tratável por medicamentos ou cirurgia.

Vários fatores podem ocasionar a doença, como lesões no cérebro causadas por tumores, doenças como meningites, acidentes com objetos perfurantes e até a falta de cuidados nos pré-natais. O aspecto genético também não pode ser descartado, porém representa uma parcela pequena. Alimentos mal cozidos, como o da carne de porco, ou verduras mal lavadas podem desencadear a doença quando contaminadas pela larva da neurocisticercose e afetar o sistema nervoso central, gerando uma infecção.

O tratamento, porém, pode ser mais simples do que se pensa. De acordo com o médico Arthur Cukiert, chefe do serviço de neurologia e neurocirurgia do Hospital Estadual Brigadeiro, de São Paulo, “80% dos epiléticos são curados com medicamentos. Os outros 20% podem se recuperar com cirurgias de alta complexidade. Quando não conhecemos exatamente o local do cérebro afetado, se a região não puder ser removida por algum motivo e se os focos forem múltiplos e grandes, recomendamos a cirurgia paliativa, de alta eficácia, pois as crises reduzem em número e severidade, mas o indivíduo não fica totalmente livre da epilepsia”.

As cirurgias paliativas são indicadas para os casos que não respondem a medicamentos, mas podem melhorar as crises em até um terço dos casos. O Hospital Brigadeiro, considerado referência no tratamento da epilepsia, oferece a técnica de implante cerebral de eletrodos profundos em portadores da doença para a estimulação elétrica das regiões cerebrais, sem necessidade de cortes ou remoções.

Em crianças, os sintomas caracterizam-se por contrações rápidas de apenas um músculo ou grupo muscular, contrações no rosto, movimentos parecidos como “pedalar” e desvio forçado dos olhos.

Em alguns casos graves pode ocorrer a necessidade da ocorrência da hemisferectomia, procedimento cirúrgico de retirada de metade do cérebro. Em 2005, nos Estados Unidos, o menino Tyler Plotkins, com apenas 1 ano e 3 meses, teve metade de seu cérebro extirpado em função da grave epilepsia que sofria. Passados quatro anos, ele tem uma vida praticamente normal. “O cérebro tem a propriedade de plasticidade. Ele recupera as funções”, diz Cukiert. Essa característica permite à criança sofrer intervenções que muitas vezes não são indicadas em adultos, com ressecções maiores.


Segundo Wen Hung Tzu, médico chefe do grupo de cirurgia de epilepsia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, as epilepsias encontradas com maior frequência na população adulta são as parciais, responsáveis por cerca de 70% dos casos. Elas se originam, segundo o médico, de um grupo de células nervosas em uma área restrita. No caso das crises generalizadas começam em estruturas profundas do cérebro e atingem os dois hemisférios cerebrais.

Alguns procedimentos em primeiros socorros podem ser adotados em casos de crises. Nas chamadas crises tônico-clônicas generalizadas, deve-se ficar calmo, colocar travesseiro embaixo da cabeça da pessoa, mantê-la de lado para evitar a entrada de saliva ou vômitos no pulmão, afrouxar cintos e colarinhos e deixar a crise acontecer sem interferir. Não se deve tentar colocar o dedo na boca da pessoa para segurar a língua e nem dar líquidos durante a crise ou fazer respiração boca a boca. Nas crises parciais complexas – nas quais ocorrem alterações nos níveis de consciência – deve-se falar de maneira calma com a pessoa, pois ela pode reagir a estímulos emocionais; protegê-la de perigos potenciais e não restringir os seus movimentos.

A epilepsia atinge 1% da população em países desenvolvidos e 1,3%no Brasil. Normalmente, acomete pessoas com até 25 anos e com idade acima de 65 anos e é mais comum em pessoas do sexo masculino. No Brasil, em hospitais públicos, as internações por epilepsia aumentaram em 11%, com mais de 17 mil casos ocorridos entre janeiro e maio de 2009, sendo mais de um quarto só no Estado de São Paulo. Os dados são da ABN – Academia Brasileira de Neurologia.

Os médicos não acreditam em surto de doença que possa desencadear a epilepsia e não sabem o porquê do aumento do número de casos no País. Preocupam-se, no entanto, em alertar a população sobre a doença, divulgar seus sintomas, os procedimentos para socorro imediato e a diminuição do preconceito por causa do desconhecimento.

Por: Neusa Pinheiro
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Envelhecimento

Epidemia de quedas
Mais de 60% dos tombos de idosos ocorrem em casa


As quedas e suas conseqüências para as pessoas da terceira idade estão assumindo, segundo o governo, dimensões de epidemia. O Ministério de Saúde alerta para o fato de que os custos com a saúde motivados por quedas de idosos no Brasil têm crescido de maneira significativa. Foram gastos pelo sistema de saúde pública, em 2009, R$ 81 milhões com fraturas de idosos – desses, R$ 58 milhões com internações e o restante, R$ 23 milhões, com medicamentos. Há apenas três anos, em 2006, para efeito comparativo, esses gastos foram de R$ 69 milhões. E mais: de janeiro até outubro de 2009, do total de 40.598 internações, 73% delas eram de mulheres – e a osteoporose, doença com maior incidência feminina, o motivo principal dessa desigualdade.
O governo federal reuniu, recentemente, as suas secretarias estaduais e municipais de saúde para discutir o problema e para que em conjunto diminuam as taxas de internação.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo está recrutando mil idosos que tenham sofrido queda no último ano e queiram colaborar com o estudo sobre o perfil desse tipo de acidente. Eles terão que responder a questionário e receberão material e orientação especializada.
Muitos são os motivos causadores da queda na terceira idade: doenças cardíacas que diminuem a pressão arterial, isquemia cerebral (irrigação deficiente no cérebro) e o próprio envelhecimento natural que ocasiona, muitas vezes, perda de visão, osteoporose, problemas de desequilíbrio e vertigens em função de alterações no labirinto, efeitos de remédios e muitos outros. Como diz o médico oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares: “Os idosos que caem provavelmente o fazem por mais de uma razão e, com frequência, é possível tratar estas causas e, com isto, evitar as quedas”.
“Por isso, é importante procurar auxílio médico e não usar remédios sem a prescrição do especialista”, acrescenta o oftalmologista. Seu colega Juan Caballero, também do mesmo instituto, diz que o declínio da acuidade visual é uma das causas mais constantes das quedas dos idosos e explica que, com o envelhecimento, o tamanho e a resposta das pupilas diminuem. “Ao entrar em
um recinto escuro ou sair à noite, o indivíduo idoso tem o risco de queda aumentado, pois o tempo necessário para que o olho senescente – em processo de envelhecimento natural – atinja um nível de sensibilidade à luz igual ao de uma pessoa jovem é maior. Por consequência, indivíduos mais velhos precisam de iluminação adequada para andar com segurança.” Segundo ele, ainda, a percepção de profundidade é alterada e gera quedas, principalmente ao subir e descer escadas.
A fisioterapeuta Juliana Maria Gazzola, especialista em Gerontologia e mestre em Ciências Otorrinolaringológicas pela Universidade Federal de São Paulo, em seu trabalho sobre quedas na terceira idade, afirma que, entre 5% e 10% dos idosos sofrem lesões severas que resultam, invariavelmente, em piora da qualidade de vida, medo permanente de cair, restrições motoras e redução de suas atividades. Ainda, segundo ela, existem os fatores de risco modificáveis e os não modificáveis. Os primeiros englobam os riscos ambientais, limitações visuais, fraqueza muscular e insônia, entre outros, e que podem, de alguma forma, ser corrigidos e evitados. Já os riscos não modificáveis correspondem à própria condição de idade avançada, ser do sexo feminino, apresentar déficit cognitivo e distúrbios de marcha ou equilíbrio e perda de reflexos.

  
Como eliminar as armadilhas em casa e se manter ativo:

- Evitar o uso de tapetes pequenos onde é possível escorregar;
- Instalar corrimões nas beiras de escadas;
- Colocar interruptores de luz em locais de fácil acesso para manter o ambiente sempre bem iluminado;
- Deixar uma luz acesa iluminando o trajeto entre o quarto e o banheiro à noite;
- Evitar manter no chão objetos como chinelos, caixas ou brinquedos;
- Instalar barras para se segurar no banheiro e no Box;
- Escolher quinas arredondadas nos móveis;
- Usar calçados seguros;
- Checar sempre a visão e a prescrição de óculos;
- Visitar o médico periodicamente;
- Praticar exercícios físicos regularmente.

Por: Sociedade Brasileira de Otologia
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Automedicação


Verdades e crendices
Ao se automedicar, o paciente mascara os sintomas, sob o manto de diferentes analgésicos.

Não existe nada mais importante, absolutamente nada, que a saúde perfeita, com o mínimo de distúrbios, propiciando bem-estar e disposição para o trabalho ou para o lazer.
Habitualmente ignoramos essa constatação óbvia por descuido, na ânsia de viver intensamente e também por displicência. Comumente, lutamos pela sobrevivência, e nada mais. Nem sempre saúde é o que interessa, salvo quando ela nos ameaça.
Infelizmente não existe ainda nenhum dispositivo que antecipe os sintomas. O máximo que podemos fazer é antecipar as providências, contratando, por exemplo, um bom plano de saúde, já que a saúde pública, sabidamente, não funciona quando mais dela se precisa.
Uma certeza conhecida é que os sintomas de uma doença raramente aparecem de supetão. O mais comum é que eles deem sinais discretos, antes de se manifestarem claramente. Às vezes, os sintomas são traiçoeiros ou mascarados pela excessiva preocupação do doente – hipocondria, por exemplo. De tanto automedicar-se, o paciente mascara os sintomas, escondendo-os sob o manto dos mais diferentes analgésicos.
Outra hipótese é que sugiram algo grave, quando na verdade se trata de mera manifestação neurológica. Os sintomas enganam às vezes os mais experientes profissionais, que precisam ter à mão todos os instrumentos de investigação antes de dar um diagnóstico.
Não sendo médico, o autor não é pessoa autorizada a dissertar sobre assunto de tanta complexidade. Apenas relata constatações, casos e crendices de conhecimento de todos. Refiro-me à imensa popularidade das crendices populares que norteiam os tratamentos por esse país afora, inclusive nas grandes cidades e à porta dos hospitais universitários. Não faltam bancas vendendo ervas as mais diversas, com capacidade de cura de todas as doenças. Há infinita quantidade de relatos de curas milagrosas a partir de ervas. Todos nós, qualquer pessoa conhece um caso de família que se trata à base dessas crendices. Um amigo advogado, de alta sapiência jurídica, aos 80 anos, toma diariamente óleo de alho em pó, cálcio à base de concha de ostras, complexo B, ácido ascórbico e vitamina E com selênio. E toma, ainda, um cálice de solução de cloreto de magnésio, de manhã e à noite.
Consultei meu geriatra a respeito disso e ele afirmou que nada disso é necessário se o indivíduo tiver uma alimentação diversificada, que contemple a maioria dos cereais, legumes e demais nutrientes disponíveis em qualquer lugar do mundo. A boa alimentação e exercícios físicos adequados à idade são tão eficientes quanto todas essas invencionices populares.
Já os adeptos dessas medicações ditas caseiras alegam que se baseiam em experiências milenares e acusam os médicos alopatas de se renderem à indústria medicamentosa, que lhes pagam viagens e simpósios, inclusive internacionais.
A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo não tem, entre as 55 matérias obrigatórias do seu curso de graduação, acupuntura nem homeopatia. Perguntei certa vez a um de seus diretores qual a razão e ele foi claro: não existe comprovação científica de que essas especialidades sejam realmente eficazes. Alguns professores reconhecem o valor desse tipo de tratamento e alguns deles, individualmente, os adotam ou recomendam a seus pacientes. Mas a faculdade, como instituição de alta responsabilidade, nunca aprovou a inclusão dessas especialidades como matéria oficial.
Enquanto isso, nas feiras ou barracas à porta das faculdades as ervas e crendices se proliferam. Nenhuma instituição conseguiu abolir a prática das crendices e os recursos sobrenaturais. Alguns admitem que, além de ciência, medicina é também
uma questão de fé.

Por: Flávio Tiné

Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. JulhoAgosto/Setembro - 2010

Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Vetor de Oportunidades

   
O empreededorismo corporativo abre espaço
 para propostas de funcionários

Andres|Dreanstime.com

  A busca da inovação tem levado as empresas a valorizarem cada vez mais os empreendedores internos, ou seja, profissionais que exercem liderança,criam, participam e estimulam a inovação dentro das empresas.
Embora a taxa de intraempreendedorismo ainda seja muito baixa no Brasil (0,6%, segundo pesquisa de 2008 do Global Entrepreneurship Monitor – GEM), especialistas de RH, entidades e instituições ligadas ao empreendedor ismo, além de grandes empresas, defendem a importância de se investir mais nesses prof issionais, capazes de desenvolver produtos e serviços que representem diferencial competitivo nos negócios.

 “O intraempreendedor ou empreendedor corporativo é um vetor de oportunidades e está associado à competição e inovação dentro da cultura da empresa em que trabalha. Está à frente de processos como criação de novos produtos e serviços, abertura de filiais e planejamento de ações no mercado. Seu papel é agregar valor ao que é proposto na empresa”, diz Renato Fonseca, consultor do Sebrae–SP. No entanto, toda sugestão apresentada pelo intraempreendedor, segundo o consultor, deve ser bem definida e estudada para ser válida e gerar perspectivas. “Pensar antes de falar e valorizar o relacionamento com as pessoas envolvidas no ambiente profissional é vital para ganhar apoio e, assim, levar a proposta adiante. Esse  profissional tem que vender a ideia e, ao mesmo tempo, lidar com jogos de poder na organização –, portanto ele precisa ter sensibilidade suficiente, principalmente nesse momento”, explica Fonseca.  Paulo Roberto Ferreira Cunha, professor de Planejamento Estratégico da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), ressalta que o intraempreendedorismo também está muito ligado ao perfil  administrativo e estratégico da empresa. “Para viabilizar a iniciativa do intraempreendedor, a empresa precisa estar aberta a novos desafios, negócios e também a mudanças culturais para encarar a competitividade e aceitar sugestões desse tipo de profissional”, diz Cunha. 


Características do intraempreendedor:

• Busca de opor tunidades e iniciativa
• Exigência de qualidade e eficiência
• Persistência
• Correr riscos calculados
• Comprometimento
• Estabelecimento de metas
• Planejamento e monitoramentosistemático


   A aceitação da figura do intraempreendedor dentro de uma empresa depende do modelo de gestão de cada companhia. “A empresa que incentiva o colaborador a expor suas ideias e projetos deve acolhê-lo para que ele possa desenvolver esse trabalho. Há casos, porém, em que o colaborador motivado é barrado por modelos inflexíveis de gestão empresarial”,explica Cunha, que, como a maioria dos especialistas no assunto, também desaconselha o choque de projetos e ideias do intraempreendedor com os da companhia. “Esse novo profissional tem características comportamentais específicas. Age como dono do negócio e está disposto a resolver qualquer problema com a equipe como um todo. É inteiramente comprometido com o trabalho”, diz Carolina Stilhano, gerente de comunicação da Catho. No Brasil, segundo ela, muitas pessoas nascem empreendedoras, mas são tolhidas ao longo da vida pela sociedade. A cultura do  intraempreendedorismo no País ainda precisa ser mais bem assimilada, embora seja crescente a busca, pelas empresas, de profissionais com habilidades e características do intraempreendedor. “Afinal, eles trarão mais resultados e produtividade às companhias”, argumenta a executiva. 


 Por: Silvana Orsini
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br



sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Inflamação Intestinal

Disfunção Crônicas tem tratamento individualizado

Stylephoto /Dreamstime.com


    Seu nome ainda soa estranho para muitos, mas o distúrbio pode atingir pessoas de qualquer idade e de ambos os sexos, com predisposição genética. Trata-se da Doença de Crohn (DC) – que leva o nome do médico que a descreveu em 1932, Burril B. Crohn –, um processo inflamatório crônico que ocorre em qualquer parte do trato gastrointestinal, principalmente na porção inferior do intestino delgado (íleo) e intestino grosso.
  “Os sintomas são muito variáveis, dependendo dos locais de acometimento da doença. Os principais são diarreia, presente em cerca de 70% dos pacientes, geralmente sem sangue ou muco, a não ser que exista acometimento colônico importante; dor abdominal, também em 70% dos pacientes, predominantemente localizada no quadrante inferior direito; e emagrecimento, em cerca de 60% dos pacientes”, explica André Zonetti de Arruda Leite, gastroenterologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – HCFMUSP. Segundo o diretor da Regional Guarulhos (SP) da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn – ABCD, coloproctologista Wilton Schmidt Cardozo, os indícios da disfunção podem variar de leve a grave. “A doença é caracterizada por fases agudas (atividade da doença) e períodos de remissão (sem sintomas). Algumas pessoas podem apresentar manifestações consideradas extraintestinais como doenças de pele, nos olhos e nas articulações”, acrescenta. Formação de fístulas, trajetos que geram trânsito anormal de fezes, ligando regiões diferentes do intestino ou a órgãos como bexiga, superfície da pele e do ânus, por exemplo, também são complicações apresentadas em uma parcela dos pacientes.

   Até o momento não foi descoberta qual a causa ou causas da Doença de Crohn, que predomina em pessoas jovens – entre 15 e 35 anos. Porém, o sinal que pesa para o seu aparecimento é a predisposição genética associada a fatores ambientais como tabagismo e alimentação. “Existe maior incidência em parentes de primeiro grau. É considerada uma doença multifatorial, com componente genético e ambiental, incluindo a alimentação, fumo e uso de medicações, apesar de não ser causada por nenhum remédio, bactéria ou por algum tipo de alimento”, completa André Zonetti. A DC está no rol das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), junto com a colite ulcerativa (ou retocolite ulcerativa), que são confundidas por terem características semelhantes. No site da ABCD, a colite ulcerativa é descrita por atingir a camada mais superficial (mucosa) do cólon de modo contínuo, diferentemente da Doença de Crohn. “O termo doença inflamatória intestinal é utilizado para descrever em conjunto a retocolite ulcerativa e a Doença de Crohn e, apesar de serem doenças distintas, acredita-se que a lesão intestinal em ambas as patologias ocorra em consequência à resposta  exagerada do sistema imune contra a própria flora intestinal”, enfatiza o profissional do HCFMUSP, André Zonetti de Arruda Leite.

  Wilton Cardozo, da ABCD, afirma que a DC tem diagnóstico confirmado por meio de avaliação clínica, que engloba história do paciente e exame físico, além de uma combinação de investigações baseadas em exames laboratoriais como endoscopia, colonoscopia, radiologia e biópsias do intestino. “O prognóstico, isto é, a perspectiva que se tem em relação à doença em longo prazo, varia conforme o grau de comprometimento e localização da doença. No entanto, consultas periódicas,exames de controle e uso das medicações prescritas prolongarão os períodos de remissão”,complementa. O tratamento da Doença de Crohn, de acordo com Cardozo, é individualizado, dependendo do nível de comprometimento e local atingido pela disfunção. Uso de corticoides, imunossupressores, terapia biológica (anti-TNF) e cirurgia – para os casos mais sérios – são indicados para este distúrbio que não tem cura, mas terapia adequada. Seguindo as recomendações médicas, os pacientes com a Doença de Crohn têm a vida normal e produtiva. Basta conhecer, entender e enfrentar o problema.


 Por: Keli Vasconcelos
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br