terça-feira, 10 de maio de 2011

Saúde da Pele

Uma questão de pele
Transtornos emocionais podem estar entre as
causas da doença





O vitiligo é uma doença que provoca a perda de pigmentação da pele, atingindo principalmente a face, extremidades dos membros, genitais, cotovelos e joelhos. Em casos graves, a doença pode se alastrar em até 85% do corpo, despigmentando a pele e os pelos nas regiões atingidas. Não há como prever a evolução da doença, que pode permanecer estável durante anos, voltar a se desenvolver ou regredir espontaneamente. Em um mesmo paciente pode ocorrer simultaneamente a regressão de algumas lesões enquanto outras se desenvolvem. Uma característica da doença é que ferimentos na pele podem dar origem a novas lesões. Michael Jackson, o ídolo pop morto em 2009, culpou a doença pelo clareamento gradual de sua pele ao longo dos últimos anos de vida, mas a alegação foi recebida com desconfiança por parte da mídia, que acreditava tratar-se de mais um artifício para o clareamento intencional de sua pele. A  publicação de fotos do filho mais velho do artista em uma praia na Espanha, no último verão europeu, trouxe de volta a questão. Apresentando manchas esbranquiçadas na região das axilas, o garoto levou a mídia a concluir que o branqueamento do cantor foi mesmo causado pelo vitiligo, pois a moléstia tem um forte componente genético. A possibilidade de o vitiligo atingir praticamente todo o corpo, clareando a pele uniformemente, é confirmada pela dermatologista Fabiana Salazar Posso, médica colaboradora da disciplina de Dermatologia da Faculdade de Medicina do ABC, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. “Trata-se do vitiligo universal, em que quase a totalidade da pele é acometida”, explica a especialista. “Nesses casos, pode ser proposta a despigmentação das áreas restantes da pele, em vez de tentar recuperar a coloração de uma área tão grande. Mas é importante informar ao paciente que ele terá que evitar a exposição solar para o resto da vida”, alerta. O fato de Michael Jackson ter mantido a doença em segredo inicialmente é compreensível, pois a aceitação do vitiligo é difícil e o preconceito é grande até entre os profissionais que deveriam estar mais bem preparados para lidar com o problema. O alerta foi feito durante a Jornada de Cosmiatria, realizada em São Paulo, em julho passado. Entre os participantes, o dermatologista Samir Arbache classificou o vitiligo como uma das doenças mais temidas da medicina. “Os médicos não têm a ideia do mal que provocam, especialmente nas fases iniciais, quando se mostram pessimistas, transmitindo a informação de que a doença não tem cura e que o melhor a fazer é aprender a conviver com ela”, alertou. O vitiligo atinge 0,5% a 4% da população mundial. No Brasil, ainda não existem dados consistentes sobre sua frequência, mas sua ocorrência varia consideravelmente nos diversos grupos étnicos. Como em outras moléstias, quanto mais cedo se iniciar o tratamento, maior a chance de conter seus estragos, explica Samir Arbache. “Normalmente o vitiligo se inicia com manchas hipocrômicas (mais claras que o tom da pele do paciente), que depois se tornam acrômicas (manchas brancas). Usualmente são assintomáticas, mas alguns pacientes podem apresentar prurido. O uso da lâmpada de Wood (UVA 351nm) auxilia no estágio inicial, para diferenciação de uma hipocromia simples. Arbache garante que a doença é curável e o sucesso do tratamento depende muito de como o paciente é orientado. Por isso, recomenda que o médico que não estiver atualizado sobre as técnicas de tratamento encaminhe o paciente para um dermatologista imediatamente. “O profissional também deve ter muito cuidado com as reações psicológicas do paciente, porque na maioria dos casos o vitiligo é desencadeado inicialmente por transtornos emocionais que mobilizam os linfócitos T a atacarem os melanócitos, responsáveis pela pigmentação”, orienta o dermatologista. Fabiana Posso complementa a informação, explicando que o vitiligo não tem causas conhecidas e acredita-se que exista uma predisposição genética que poderá se manifestar ou não, conforme o histórico de vida do paciente. Entre as explicações para a sua origem, ela enumera a reação autoimune, em que ocorre a formação de autoanticorpos; a neurogênica, na qual um mediador neuroquímico causa a destruição de melanócitos ou inibe a produção de melanina; autocitotóxica, em que ocorre uma atividade aumentada de melanócitos, o que acarreta a produção de substâncias tóxicas capazes de destruí-los, e, por último, o estresse oxidativo, em que ocorre alteração das enzimas bloqueadoras dos radicais livres, provocando a morte celular. Apesar da diversidade das causas, a dermatologista também garante que o vitiligo é curável, mas explica que o tratamento depende de vários fatores. “O paciente precisa ser perseverante e acreditar na cura”, esclarece. “É importante ressaltar que não existe um tratamento único e milagroso, e o que funcionou para um paciente não vai necessariamente funcionar para o outro.” Para enfrentar a doença, pode-se utilizar o tratamento tópico – com o uso de cremes e pomadas à base de corticoides – assim como as medicações via oral (corticoides, psoralenos, vitaminas etc.). Os tratamentos físicos incluem luzes UVA e UVB e a laserterapia, além de tratamentos cirúrgicos com transplantes de melanócitos, microenxertos, raspagens e oclusões. Segundo Arbache, sua experiência mostra que “o melhor tratamento para o vitiligo é a exposição por ultravioleta B, especialmente quando ela é realizada através de laser excimer. Felizmente, o sistema público começou a arcar financeiramente com os custos destes tratamentos”, comemora. Já Fabiana Posso informa que esses tratamentos estão disponíveis nos grandes centros médicos das grandes capitais, embora nem todos sejam cobertos pelo SUS. “Mas alguns serviços médicos universitários de São Paulo, como é o caso da Faculdade de Medicina do ABC, também tornam tratamentos com luz, laserterapia, ou os procedimentos cirúrgicos, acessíveis à população”, esclarece a médica.

Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Síndrome do pânico

Medo paralisante
Tratamentos para a doença incluem de sessão psiquiátrica a acupuntura



A síndrome do pânico, também chamada de transtorno do pânico, atinge mais de 170 milhões de pessoas em todo o mundo. Trata-se de uma doença que se caracteriza por crises inesperadas de medo e desespero. A pessoa tem a sensação de que vai morrer. O coração dispara, sente falta de ar, tremor e sua abundantemente. Quem padece de síndrome do pânico sofre não só durante as crises, mas também nos seus intervalos, pois fica cada vez mais inseguro e angustiado com a perspectiva de que outra crise pode acontecer a qualquer momento. O medo de sofrer novo ataque afeta a qualidade de vida do doente, que se isola e evita até mesmo a realização de atividades do cotidiano.

Na visão dos psiquiatras, o distúrbio diagnosticado por Sigmund Freud como neurose de angústia e neurose de ansiedade, tem base constitucional e estrutural no sistema nervoso central e fortes indícios de relação com a evolução humana e genética. Além disso, hoje os pesquisadores já aceitam que a predisposição orgânica, associada a fatores emocionais, é desencadeadora do transtorno e pode contribuir para a manutenção ou o agravamento dos sintomas.

Além do grande sofrimento individual, as doenças mentais representam um alto custo médico e social, principalmente quando se sabe que atualmente são a terceira causa de afastamentos do trabalho. Os transtornos de ansiedade são os mais freqüentes entre as alterações de ordem emocional registradas nos serviços de saúde, indicando uma incidência em torno de 4% a 6% da população em geral. Sua ocorrência é três vezes maior entre as mulheres e se manifesta principalmente na faixa etária dos 14 aos 45 anos. As informações são do psiquiatra Luiz Vicente Figueira de Mello, supervisor e pesquisador do Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Pesquisas realizadas nos anos 1990 indicaram que a ocorrência de desordens de pânico é maior entre parentes de primeiro grau (pais, filhos ou irmãos), variando entre 15% e 24,7%. A estatística, considerada alarmante, mostrou a necessidade de maiores alternativas de tratamento para enfrentar os sintomas da doença e buscar a diminuição das crises. Por isso, o tratamento geralmente associa antidepressivos e tranquilizantes com terapia cognitiva comportamental. Alguns médicos começam a recomendar também exercícios físicos e respiratórios, além de técnicas de relaxamento e até meditação, como alternativas para ajudar o paciente a recuperar sua qualidade de vida.

Para o médico Marcio Bernik, também do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP, a moléstia foi subestimada durante muito tempo e, ainda hoje, a maioria dos novos casos não é reconhecida, diagnosticada ou tratada de forma apropriada. “Ao se confirmarem os estudos epidemiológicos mais recentes, os transtornos de ansiedade têm prevalência muito maior do que se imaginava e o que se constata é que a ocorrência das doenças mentais é similar à dos distúrbios cardiovasculares, inclusive da hipertensão”, alerta Bernik.

Segundo ele, os transtornos psiquiátricos mais comuns são a fobia social, seguida de ansiedade, pânico e obsessão compulsiva. “A ansiedade pode ser considerada uma emoção natural e útil porque mantém o organismo em alerta e atento a um risco eventual, como aquele que nos leva a olhar para o lado antes de atravessarmos a rua. Mas, quando esse estado passa a ser constante, vira uma emoção negativa que precisa ser tratada, pois pode levar ao desgaste físico e emocional intenso, desencadeando crises de pânico que levam à incapacitação das pessoas até para o convívio social”, explica o especialista.

O problema pode se manifestar por meio da preocupação excessiva, medo, pensamentos negativos e expectativa catastrófica sobre eventos cotidianos. Esses sentimentos muitas vezes vêm acompanhados de alteração na respiração, tontura e, em situações extremas, sensação de estar fora do corpo, chegando às vezes a provocar comportamentos agressivos e fala compulsiva. Em pessoas com propensão para doenças mentais, o pânico pode ser desencadeado pelo uso exagerado de medicamentos, como os corticoides e a maioria das anfetaminas, utilizadas como remédio para emagrecer, além do álcool e das drogas classificadas como psicoestimulantes, como a cocaína e o ecstasy.

Os pacientes com crise de pânico geralmente são perfeccionistas e tendem a assumir responsabilidades além do seu próprio limite. Quando ocorre alguma situação inesperada e traumatizante – como a perda de um ente querido, um abalo profissional ou financeiro –, o nível de estresse é tão alto que pode desencadear a crise, com os sintomas que, às vezes, se confundem com os sinais de infarto, o que agrava ainda mais a sensação de morte iminente.

Essa também é a conclusão da fisioterapeuta Máera Moretto, autora do livro O mestre do seu sistema – O caminho de volta da ansiedade e da síndrome do pânico. Nele, a autora relata casos fictícios, baseados em mais de 300 pacientes que atendeu com ansiedade descontrolada e síndrome do pânico. Para a autora, esses distúrbios ocorrem quando há uma pane no organismo, provocada pelo uso excessivo ou desordenado de energia, o que sobrecarrega um ou vários órgãos e, consequentemente, leva a um “apagão” – ou desequilíbrio de todo o organismo.

A fisioterapeuta especializada em acupuntura trata seus pacientes para levá-los de volta ao equilíbrio físico e mental. Para isso, ela utiliza técnicas de respiração e exercícios de meditação, somados à mudança de hábitos alimentares, além das agulhas aplicadas nos pontos correspondentes aos meridianos que, segundo a medicina tradicional chinesa, fazem a energia fluir por todo o corpo.


Exercícios contra transtornos emocionais:


Há cerca de dez anos, a fisioterapeuta e acupunturista Máera Moretto deu uma guinada em sua carreira. Ao receber em seu consultório um número grande de casos com ansiedade, depressão, fobias e síndrome do pânico, ela percebeu que a acupuntura podia colaborar efetivamente para a melhora desse paciente, com resultados excelentes. Foi aí que surgiu a ideia do livro O mestre do seu sistema – O caminho de volta da ansiedade e da síndrome do pânico, lançado recentemente pela Sá Editora. Os ensinamentos da Medicina Tradicional chinesa (MTC) são revelados em linguagem simples, acessível a qualquer leitor – e podem ser aplicados no nosso cotidiano. Com base em mais de 300 pacientes, a autora criou personagens que falam sobre seus problemas com o mestre Shen Menn, outro personagem do livro. Ele ensina como controlar os vários tipos de ansiedade e seus extremos, como a síndrome do pânico.

“O mestre do seu sistema relata várias situações emocionais vividas por todos nós e que podem abrir portas para desequilíbrios e doenças”, diz Máera Moretto. Segundo ela, o livro traz os principais conceitos da milenar cultura chinesa e se completa com exercícios de respiração, meditação e dicas sobre hábitos alimentares. “Todos os exercícios do livro foram praticados e aprovados por pacientes que, vítimas de transtornos de ansiedade e pânico, seguiram os ensinamentos da MTC e hoje vivem de modo harmonioso e saudável”, diz.


Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Educação financeira

Jovem investidor
Bolsa de Valores ensina crianças de 7 a 10 anos a aplicar recursos


Cada vez mais cedo o jovem tem necessidade de conhecer o mercado financeiro e administrar de forma equilibrada seus recursos. A tendência é mundial e ganha espaço em todos os estratos sociais e diferentes faixas etárias. Além disso, com alto poder de aprendizado, as crianças acabam semeando o bom uso do dinheiro em suas vidas.

Na BM&FBovespa, há várias ações no sentido de levar os principais conceitos financeiros a jovens e crianças, por meio de palestras e cursos. Crianças de 7 a 10 anos, por exemplo, têm acesso, no portal da instituição, ao site Turma da Bolsa (www.turmadabolsa.com.br). Lançado em abril de 2010, é o primeiro programa de educação financeira direcionado ao público infantil.

Seis personagens ilustram e animam todas as atividades do site, com seis áreas temáticas. A principal delas é a seção de vídeos educativos, apresentados pela dupla “O Porco e o Magro”. O portal já conta com mais de 5,1 mil crianças cadastradas e soma mil acessos diários. Outro programa dirigido aos jovens é o Desafios BM&Bovespa, que realiza competições com exercícios de investimento entre interessados de todo o Brasil, em eventos realizados no prédio da Bolsa ou pela internet.

“Educação financeira não é matemática. É comportamento. Atitudes familiares com relação a dinheiro se reproduzem no comportamento do filho. Dessa forma, desde cedo a criança tem que aprender que dinheiro não vem dos pais e sim do trabalho”, diz José Alberto Netto, professor de Educação Financeira da BM&FBovespa.

A educação f inanceira entrou para a literatura infantil com Álvaro Modernell, sócio-fundador da Mais Ativos Educação Financeira, coordenador do portal www.edufinanceira.com.br. Há cinco anos ele escreve livros sobre o tema para crianças de 4 a 12 anos. Já são sete ao todo.

Ao longo de sua experiência, Modernell descobriu que faltava às pessoas a base da educação financeira. Bastou o nascimento de seu primeiro filho para publicar seu primeiro livro: Zequinha e a Porquinha Poupadora, com mais de 20 mil exemplares.

Segundo o consultor, as pessoas têm maneiras diferentes de lidar com dinheiro, mesmo quando educadas na mesma família. “Ensinar a usar bem o dinheiro se torna uma lição fundamental para a vida toda”, diz ele, que incentiva seus filhos a pechinchar, negociar e pesquisar.

A má administração dos recursos e a falta de conhecimento sobre a maneira correta de se utilizar um cartão de débito e crédito estão aí. Para suprir essa dificuldade, a fábrica de brinquedos Estrela, em parceria com a MasterCard, aproveitou o momento para relançar uma versão atualizada do Banco Imobiliário – o Super Banco Imobiliário –, na qual é possível fazer transações com ações da Vivo, Itaú, TAM Viagens etc. A novidade são os cartões plásticos de crédito e débito, em substituição às cédulas coloridas, e a maquininha pela qual passam os cartões.

“Ao longo da história dos brinquedos, percebe-se que eles refletem o comportamento, a moda e os costumes de sua época. Hoje, quando a criança acompanha seus pais às compras, observa-se que grande parte dos pagamentos é feita em cartão. Na hora da brincadeira, os pequenos querem reproduzir a atitude dos seus pais, suas grandes referências”, afirma Carlos Tilkian, presidente da Estrela. Para a MasterCard, o jogo é uma
inovação. “O que nos atraiu no projeto foi a possibilidade de promover a substituição do dinheiro por meios eletrônicos de pagamento, que são mais convenientes, seguros e facilitam a vida das pessoas. E mais importante que isso é poder mostrar como lidar com o dinheiro”, diz Andréa Denadai, diretora de Comunicação da MasterCard Brasil.

A MasterCard leva o programa educação financeira a uma das comunidades mais carentes do Brasil, a de Paraisópolis, em São Paulo, que conta com 100 mil habitantes (principalmente das classes D e E). “Com palestras de educação financeira, a chance de os moradores da comunidade levarem uma vida econômica mais tranquila fica mais próxima”, explica Andréa, que utiliza o Super Banco Imobiliário nas apresentações.

Ricardo Pereira, consultor financeiro, diz que o Brasil mudou muito, mas discutir finanças em família ainda é um grande tabu.

Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sinusite

Inflamação de mucosas
A falta de estatísticas sobre a doença dificulta e encarece o tratamento no Brasil


A sinusite se caracteriza pelo processo inflamatório ou infeccioso das mucosas dos seios faciais – cavidades que ficam nos ossos do rosto, geralmente ao redor do nariz, na maçã do rosto e nos olhos – que podem ficar obstruídas em decorrência de alergias ou inalação de vírus, bactérias ou fungos. São três os tipos de sinusite, sendo a mais comum a aguda, cujos sintomas são fortes dores de cabeça, acompanhadas de sensação de peso na face, obstruções nasais, com consequente dificuldade respiratória, mau hálito, febre, dores musculares, coriza e cansaço. Os mesmos sintomas são sentidos na sinusite crônica, com ocorrência de tosses noturnas, pois, ao se deitar, a pessoa sentirá na parte posterior das fossas nasais secreções escorrendo e irritando as vias aéreas. Duram, em média, mais de três meses. Quando os sintomas aparecem rotineiramente no ano, ou seja, pelo menos a cada quatro meses, denomina-se sinusite de repetição.

Não existem estatísticas próprias sobre a sinusite no Brasil, especialmente em São Paulo. Costuma-se adotar dados de outros países para avaliar sua incidência entre os brasileiros. Estima-se que no Brasil haja 1,8 milhão de casos de vítimas da doença ao ano. No Canadá, 6% de sua população tem sinusite crônica; e nos Estados Unidos, 0,5% dos resfriados evolui para a sinusite, afetando 16% da população norte-americana, com idades entre 20 e 59 anos, ocupando o quinto lugar no ranking de diagnóstico mais comum.

Em virtude disso, o Hospital das Clínicas de São Paulo está efetuando, desde março, pesquisa inédita para conhecer a prevalência da sinusite na capital paulista e seus fatores associados – como poluição, tabagismo, asma e rinite. Serão visitadas 2.400 residências durante 12 meses, para aplicação de questionários que acarretarão em estatísticas e estabelecerão correlações da doença com aspectos como a escolaridade, renda ou faixa etária.

“Não temos dimensão de nossa realidade. Precisamos estudar os números para saber qual o custo do tratamento para a saúde pública”, explica a otorrinolaringologista Renata Pilan, uma das coordenadoras do projeto. A saúde pública já atende os portadores da doença com medicamentos, internações, exames e cirurgias, mas o tratamento nem sempre é rápido. “Hoje, no ambulatório do HC, há pessoas que esperam um ano para fazer a operação”, prossegue. De acordo com ela, a doença provoca o isolamento, fadiga, cansaço crônico, problemas para dormir. As dores e a fadiga comprometem a produtividade no trabalho.

O uso indiscriminado ou exagerado de antibióticos para o tratamento e combate a doença é outro problema a ser enfrentado, pois, além de provocarem efeitos colaterais indesejados, os medicamentos, caso não sejam utilizados de acordo com as prescrições médicas, permitem que as bactérias criem resistência ao medicamento.

O tratamento da sinusite normalmente é feito com antibióticos ou corticoides, lavagens nasais com soros fisiológicos e cirurgias para os casos crônicos. Um dos remédios mais comuns é a amoxicilina ou, em casos alérgicos, a penicilina, que devem ser receitadas por médicos, com o uso por um período que varia de 10 a 14 dias. A amoxicilina é considerada a droga de primeira escolha nas sinusites não complicadas. Ela é absorvida duas vezes melhor que a ampicilina, tem vida média mais prolongada, é efetiva e de uso muito seguro, principalmente nas crianças. As cefalosporinas, consideradas como segunda escolha, têm estruturas similares às das penicilinas. No caso de não haver remédio, pode-se fazer uma solução caseira, colocando-se uma colher de chá de sal em um litro de água e pingar no nariz várias vezes ao dia.

O Hospital Professor Edmundo Vasconcelos, na capital paulista, trouxe ao Brasil uma cirurgia feita nos Estados Unidos: a sinuplastia com balão. Trata-se de um procedimento similar ao de desobstrução das artérias do peito. “É mais uma ferramenta para combater a rinossinusite (nome da sinusite), mas é importante frisar que a nova técnica não é a solução para todos os problemas”, diz o otorrinolaringologista João Flávio Nogueira. “Hoje ela melhora a qualidade de vida dos pacientes em cerca de 85% dos casos crônicos”, complementa o médico Renato Roithman, presidente da Academia Brasileira de Rinologia.

O inverno, quando as temperaturas são mais baixas e há umidade, é a estação em que o número de casos aumenta, pois a sinusite geralmente é precedida de gripe ou resfriado. Ela, normalmente, mantém relação com a rinite (inflamação do nariz) e bronquite (inflamação nos brônquios), pois quem sofre destas inflamações tem mais predisposição para a sinusite. Outros problemas como os de questão anatômica também predispõem o indivíduo à doença, assim como casos em que a pessoa apresente deficiência imunológica. Se a questão for alérgica, a alergia deve ser tratada como a causa. Outros fatores de risco são o tabagismo, a asma, a existência de pólipos nasais, fibrose cística, problemas com a circulação de muco, moradia em lugares com grande quantidade de pólen ou poluição de ar.

Os casos de sinusite são mais raros em crianças com menos de 12 anos, pois seus seios nasais começam a se formar apenas nesta idade. Mesmo assim, os sintomas são os mesmos.

Para evitar a sinusite, recomenda-se que se mantenha o nariz desobstruído; assoá-lo com o uso de descongestionantes, como o soro fisiológico; beber bastante líquido e, para as pessoas que têm alergias, evitar as substâncias alérgenas e ar condicionado, que resseca as mucosas e dificulta a drenagem da secreção. Deve-se procurar o médico quando os sintomas de gripe ou resfriado não passarem após cinco dias, pois podem ter se transformado em sinusite.

Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Dieta

Efeito sanfona
Cuidado: fórmulas mágicas e promessas rápidas para perder aqueles quilinhos indesejáveis não existem.


Fernanda Maximo, de 24 anos, percebeu que estava acima do peso ideal, entre 56 e 58 quilos, quando voltou de uma temporada de 10 meses em Londres. “Sempre fui magra, mas, depois de abusar na alimentação, cheguei a ficar com 83 quilos. Quando retornei ao Brasil, só me dei conta do ‘tamanho’ que estava após ver algumas fotos”, explica a gerente administrativa. De acordo com ela, a aparência física foi o principal fator para começar um processo bastante comum entre as mulheres: dieta.

Segundo a nutricionista Beatriz Botequio, por definição, dieta é o padrão alimentar de cada indivíduo. Mas, esse termo ficou muito associado ao emagrecimento. “Na prática clínica, a dieta é sempre voltada para um objetivo, como reeducação alimentar ou controle de colesterol, e acaba sendo mais eficaz quando sugerida por um especialista”, declara. Foi o que Fernanda fez. E acertou.

Para perder os quilos indesejáveis ganhos com a má alimentação e o sedentarismo, Fernanda procurou um endocrinologista e iniciou um sério e rigoroso processo para emagrecer. “Fiz uso de remédios inibidores de apetite, mas também mudei radicalmente a alimentação. Além disso, comecei a praticar exercícios físicos todos os dias.” Ela conta que esse tratamento deveria durar um ano e meio, mas com apenas seis meses de esforço ela conseguiu perder 20 quilos e decidiu parar por conta própria. “O médico explicou que eu tinha que cumprir o tempo determinado de tratamento para que o organismo não reagisse de forma inesperada e recuperasse tudo o que eu tinha perdido. Como eu já tinha chegado ao meu objetivo, não segui a orientação e parei com tudo”, ressalta. E errou.

Segundo o endocrinologista Flávio Guerra, dietas ultrarrigorosas, não balanceadas e acompanhadas de atividades físicas intensas e concomitantes, além de longos períodos de jejum, contribuem para um efeito rápido de emagrecimento, porém, ele pode acabar comprometendo a saúde e ocasionando o “efeito sanfona” (engorda, emagrece, engorda).
Foi exatamente o que aconteceu no caso de Fernanda. “Sempre viajo por conta do trabalho, o que não ajuda a ter uma boa alimentação. Também passei o último ano à base de lanches e fast-food e, após o fim de um relacionamento amoroso, descontei toda a ansiedade na comida. Hoje, estou com 75 quilos, mas ainda pretendo voltar a fazer o tratamento para chegar aos 57”, conclui.

Fernanda não é a única vítima do indesejável “efeito sanfona”. Como explica a nutricionista Beatriz, são muitos os casos de pacientes que fazem dietas, mas não realizam um processo de reeducação alimentar que ensina como mudar hábitos permanentes para perda e manutenção de peso. “Para conquistar o corpo ideal, as pessoas abusam de dietas com restrições calóricas que obrigam o organismo a diminuir seu gasto energético para sobreviver. Esse processo deixa o metabolismo mais lento, o que favorece o ganho de peso”, comenta a especialista.

Dieta personalizada Para o endocrinologista Flávio, antes de indicar qualquer dieta, é importante analisar a composição corpórea de cada indivíduo para encontrar um equilíbrio entre massa magra e massa gorda dentro dos limites da boa saúde. “Antes de prescrever uma dieta, precisamos verificar os hábitos alimentares de cada pessoa, saber se ela pratica alguma atividade física, se tem estresse, além de avaliar peso, altura e idade, entre outros fatores”, diz.

A especialista em nutrição explica que uma dieta saudável é aquela que preserva o equilíbrio entre todos os nutrientes e em quantidades adequadas a cada pessoa. “Hoje, o que predomina na população brasileira é o sobrepeso e a obesidade e, por consequência, as doenças cardiovasculares . Portanto, a recomendação nutricional mais utilizada é a de uma alimentação saudável com quantidades de calorias, gorduras e açúcares controladas,
para auxiliar no controle de peso e favorecer a saúde cardiovascular”, finaliza Beatriz.

Emagrecer com saúde
Flávio Guerra chama a atenção para mais um importante fator. “A cada dia surge um novo modismo ou um velho padrão alimentar travestido com outro nome. Eles prometem efeitos mágicos e infalíveis! São chás e cremes especiais, que surgem na mídia junto com planos dietéticos hipocalóricos. No primeiro momento, até parecem funcionar, mas podem levar ao terrível ‘efeito sanfona’”, reforça.

Para Beatriz, toda dieta que não respeita o equilíbrio entre os nutrientes pode oferecer risco à saúde. Mas, lembre-se, fuja das fórmulas mágicas e das promessas rápidas para emagrecer. A melhor escolha, na verdade, é a mudança de hábitos, com reeducação alimentar, prática regular de exercícios físicos e acompanhamento médico.



Por: Elisandra Escudero
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Trabalho

Home Office
Os prós e os contras de trabalhar em casa


Trabalhar em casa deixou de ser sinônimo de trabalhar por conta própria. Um número cada vez maior de empresas entende que essa nova forma de atividade pode significar um upgrade em seus resultados, além de trazer satisfação e qualidade de vida para funcionários, loucos para se livrarem de trânsito, grandes distâncias, gastos com estacionamento, combustível e alimentação.

Para esses adeptos, tempo é dinheiro e trabalho a distância está diretamente ligado à qualidade de vida, o que inclui maior convivência com a família e flexibilidade para gerenciar seu tempo. Para vários profissionais, representa ainda um ganho no desenvolvimento da criatividade, que tende a crescer num ambiente mais tranquilo e sem pressão, aumentando a produtividade.

“É uma tendência que cresce em todo o mundo, inclusive no Brasil, embora por aqui ainda não se atinjam os mesmos níveis de consolidação como ocorre em países como os EUA e a Inglaterra”, diz Paulo Henrique Rocha, consultor de negócios da Corrhect – Consultoria de Gestão em Recursos Humanos.

Essa nova opção de trabalho, que, segundo o especialista, já vem se f irmando na mentalidade de algumas empresas, traz como benefícios economia para a companhia em termos de redução de estrutura, com espaços menores em suas sedes. “As empresas hoje querem produção, qualidade e velocidade e, por isso, oferecem uma série de compensações a seus funcionários com o trabalho remoto e toda a infraestrutura tecnológica. Mas requerem, em contrapartida, funcionários cada vez mais preparados, hipercompetitivos e que tragam respostas rápidas e positivas”, alerta.

“Além disso, esse novo profissional deve ter um nível comportamental adequado para assumir funções a distância, como maturidade, flexibilidade, competência e comprometimento”, argumenta Rocha.



No Brasil, e mesmo em outros países mais avançados, há uma crença a ser desmistificada em torno do home office – e isso se aplica tanto à empresa como ao trabalhador. O primeiro não acredita na produtividade de seu funcionário e este acredita que pode perder o emprego por não estar fisicamente presente”, comenta Rocha.

Rosemary Bethancourt, gerente de Treinamento da Catho Online, concorda que o trabalho a distância é uma tendência para as empresas que estabelecem metas e remuneram seus funcionários pelos resultados e não pela quantidade de horas trabalhadas. “É um tipo de trabalho que vem se tornando comum em grandes cidades. Com o avanço da tecnologia, as empresas podem se comunicar com os colaboradores por meio de internet, telefone, celulares, poupando-os do estresse diário”, diz a especialista, ponderando que, por outro lado, o perfil do profissional também deve ser alinhado com essa nova rotina, para que não haja desmotivação após alguns meses.

Assim, para ter sucesso nessa empreitada, alguns fatores devem ser respeitados, como a disciplina, definição de agendas e horários, para não trabalhar horas a mais ou a menos, e avaliação dos métodos de trabalho e os resultados alcançados.

Atualmente, prof issionais das áreas de vendas, atendimento, TI e consultores é que têm aderido cada vez mais aos escritórios em casa. Só vão à empresa para as reuniões em equipe. “O tipo de trabalho que melhor se adapta a esse modelo é aquele em que o desempenho é medido por meio dos resultados”, explica Rosemary.

Se houver um bom planejamento, tanto empresas como funcionários saem ganhando. “No entanto, é preciso avaliar o tipo de trabalho e o perfil do profissional, pois, sem esta análise, corre-se o risco de ambas as partes saírem no prejuízo por falta de organização e planejamento”, alerta Rosemary.

Para Dalva Braga, superintendente da Ticket, empresa da Accor Services, especializada no setor de refeição e alimentação-convênio, a implantação do home office é uma necessidade para áreas que exigem maior velocidade, como a comercial, que trabalha com metas. Ele suprime muitas etapas burocráticas.

“A Ticket, após cinco anos do início do processo de implantação, que levou toda a equipe comercial da empresa para o t rabalho em casa, já registra economia de R$ 3,5 milhões”, diz a executiva. “Os profissionais partem de seus home offices, devidamente estruturados,
com equipamentos e acessos ao sistema da empresa, e trabalham inclusive já de terno, prontos para visitas aos clientes”, diz a executiva. Atualmente, o modelo envolve 120 colaboradores.

“O ponto mais crítico do trabalho a distância é o isolamento. Mas tomamos todo o cuidado para promover encontros formais e informais a cada semana ou 15 dias, além de uma festa no final do ano, na qual todos se reúnem e há prêmios para os que se destacaram mais”, diz.

Maurício Alves, gerente de negócios da Ticket São Paulo, foi o primeiro a aderir ao modelo. Trabalhando há três anos e meio nesse sistema, ele se adaptou facilmente e gosta. “Dá para organizar meu tempo, levar meu filho para a escola, marcar uma consulta médica”, argumenta Alves. Quanto ao isolamento, o executivo declara que depende de cada profissional.

Cuidados que a empresa deve ter – Essa modalidade de trabalho requer cuidados para evitar processos judiciais, sendo necessário consultar um advogado e avaliar o melhor contrato de trabalho para cada caso. O prestador de serviços, por exemplo, não tem subordinação, exclusividade – e o empregador deixa de ter obrigações previdenciárias e tributárias. Por isso, é importante também saber que tipo de cobrança pode ser feita a esse profissional para evitar um vínculo de trabalho que legalmente ele não possui.

Cuidados que o funcionário deve ter – O funcionário que aceita trabalhar nesse esquema deve analisar a relação custo-benefício, principalmente esclarecendo quais os custos que serão de sua responsabilidade. Algumas empresas disponibilizam equipamentos e tecnologia, outras exigem que o profissional adquira por sua conta. Além disso, deve exigir um contrato de trabalho de acordo com a legislação trabalhista, evitando problemas futuros.
Fonte: Catho online


Por: Silvana Orsini
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 28 de março de 2011

Estimulantes

Liberados para atleta
Creatina e cafeína, antes proibidos nos suplementos alimentares, foram liberados pela Anvisa.



Quem frequenta shopping centers várias vezes se depara com algumas lojas cujas vitrines exibem potes e mais potes com imagens de atletas com corpos perfeitos e músculos tonificados e bem delineados. São embalagens de todos os tamanhos e para todos os fins, voltadas a um público que se formou, basicamente nas últimas décadas, ávido por um corpo saudável e esteticamente perfeito. Esses atletas buscam alternativas e complementações nutricionais que o exercício físico regular, regrado e bem praticado, em boa parte das vezes, necessita.
A orientação alimentar não é exatamente uma novidade dos tempos atuais. Ela existe há muitos séculos. Na Grécia antiga, por exemplo, Diógenes Laertius (220 a.C.) sugeria aos atletas uma alimentação à base de queijo úmido, nata e figos secos. Alguns autores af irmam que nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, muitos atletas consumiam diariamente 125 gramas de manteiga ou óleo de algodão, doces, um litro e meio de leite e três ovos diariamente. O esforço concentrado, as “explosões” musculares exigidas em atividades esportivas e a necessidade de resistência física levaram à necessidade de maiores quantidades de alimentos bem como de uma alimentação por vezes menos saborosa, constituindo-se um dos principais desafios do profissional responsável pela alimentação. “Nutrir o atleta é uma arte. O limite da irresponsabilidade e do sucesso esbarra em compromissos éticos e pleno conhecimento dos nutrientes”, diz Celso Cukier, nutrólogo esportivo do Hospital do Coração – HCor, de São Paulo.
A suplementação alimentar é mais recente. Em geral, são substâncias produzidas quimicamente e que têm a propriedade de complementar a ação dos alimentos naturais, dando ao atleta mais força e energia. Alguns laboratórios ou fabricantes as indicam também para a redução de peso e ganhos de massa muscular. Normalmente, os usuários mais comuns são nadadores, jogadores de vôlei, basquete, fisiculturistas, corredores e outros.
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou os suplementos de creatina e cafeína para incrementar o rendimento de atletas durante a atividade física. A liberação ocorreu neste momento porque só agora foi comprovada cientificamente a segurança desse tipo de substância como alimento. Segundo a diretora da Anvisa, a farmacêutica e bioquímica Maria Cecília Brito, essas substâncias não devem ser consumidas por quem pratica atividade física ocasionalmente. “Uma dieta balanceada e diversificada já é suficiente e recomendável para atender às necessidades nutricionais”, prossegue. A creatina tem origem endógena (formada pelo próprio organismo) e é encontrada principalmente no músculo esquelético das pessoas. É originalmente sintetizada no fígado e no pâncreas, por meio dos aminoácidos arginina, glicina e metionina, mas também pode ser adquirida com a ingestão de carnes ou pela suplementação. É importante fonte de energia química para contração muscular, pois facilita a transferência de energia dentro das células.
Os músculos são constituídos por 70% de água e a creatina ajuda a introduzir a água nas células musculares, dando-lhes aparência de inchados e maior volume. “O processo ajuda na síntese de proteína, proporciona maior duração da atividade física de alta intensidade e ainda diminui o lactato muscular”, explica Tatiana Dall Agnol, nutricionista e mestre em nutrição esportiva pela Escola Paulista de Medicina. A dose recomendada em protocolos é de 20 gramas por dia de creatina por um período de seis dias, seguida de uma dose de manutenção de três a cinco gramas diárias por um determinado período. Ingerida com soluções de carboidrato, o efeito é potencializado.
A outra substância liberada é a cafeína, que atua no sistema nervoso e acelera o metabolismo. Ela é um estimulante, mas não melhora o desempenho atlético, necessariamente. O efeito é individual, depende de cada organismo. “Ela é uma das principais xantinas, substâncias que são encontradas em estado natural numa série de plantas como café, chás, mate, cacau e guaraná, entre outras. É acrescentada a bebidas energéticas e alguns remédios”, afirma a nutricionista Tatiana. A cafeína fortalece o sistema cardíaco, melhorando o seu rendimento, e prolonga e intensifica o estado ativo das fibras musculares, aumentando sua força e freqüência de contração. As bebidas energéticas fornecem cafeína como um recurso ergogênico (forma de facilitar e otimizar o trabalho) utilizado no sentido de potencializar o desempenho de resistência. A literatura diz que, em relação aos exercícios físicos de longa duração, o uso da cafeína promove melhoria na eficiência metabólica dos sistemas energéticos durante o esforço, contribuindo para um melhor desempenho físico.
No entanto, essas substâncias não estão livres de reações adversas: “A utilização indiscriminada de creatina pode trazer comprometimento do fígado e dos rins e a da cafeína pode causar irritação, nervosismo, alterações no sono e, até mesmo, o aumento da pressão arterial”, diz Alessandra Paula Nunes, professora do curso de nutrição do Centro Universitário São Camilo. Aquele que ingere a creatina pode sentir efeitos colaterais como náusea, desconforto estomacal, tonturas e diarreias. O uso prolongado da substância deve ser acompanhado por profissionais de saúde e nutrição para monitoramento de suas funções no organismo. A utilização indiscriminada dos suplementos de creatina e cafeína pode, ao invés de nutrir e beneficiar o organismo, causar problemas metabólicos e até cardíacos graves.

Por: Neuza Pinheiro
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº4. Outubro/Novembro/Dezembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br