segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Câncer da desinformação



        "É difícil permanecer imperador na presença do médico e mais difícil permanecer homem (...).”
 Marguerite Yourcenar, em Memórias de Adriano, relata o triste fim do Imperador, que se defronta com a condição humana, na doença. Este livro sempre me impressionou pela maneira crua com que retrata os últimos dias de um homem e o quanto, não importa as riquezas que acumulemos, somos todos iguais na doença. Em frente ao médico, estamos nus, despidos de quaisquer outras máscaras, enfrentando solitariamente o diagnóstico que informará o que acontece com nosso corpo. Inicio com este trecho porque
o diagnóstico de câncer sempre impressiona e soa como uma sentença de morte indefectível. Diante do câncer era difícil permanecer homem. Eu disse era porque inúmeros avanços na Medicina hoje permitem que um paciente com câncer não se sinta mais um solitário à espera do fim. Novos tratamentos e a importância da detecção da doença em uma fase inicial permitem tratamentos não mais tão agressivos e já com grandes chances de recuperação.
 Bem, se já sabemos que ser portador de câncer não é mais sinônimo do fim, sabemos também que os pacientes dessa enfermidade seguramente enfrentarão dias difíceis e despenderão recursos financeiros para restabelecer a saúde. A Medicina encontrou meios de amenizar, curar e extirpar. Encontrou mecanismos para garantir uma vida plena àqueles portadores dessa doença que já foi assustadora. De outro lado, a lei assegurou, ainda que tardiamente, alguns benefícios para que aqueles que apresentam a moléstia possam concentrar esforços única e exclusivamente no tratamento médico. Com efeito, recebo, em meu escritório, diariamente, pacientes portadores de câncer. Buscam o cumprimento mínimo de seus direitos, como, por
exemplo, garantia de medicamentos, de atendimento e internação. A maior parte deles, entretanto, infelizmente desconhece que tem direito a algumas isenções legais de impostos que, lamentavelmente, nem sempre são concedidas de forma automática.
 Assim, em época de ajustar as contas com o Leão, achei conveniente lembrar que os pacientes com câncer
que recebem rendimentos decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma, incluindo a complementação recebida de entidade privada – PGBL e a pensão alimentícia têm direito à isenção de Imposto de Renda em seus proventos, mesmo que a doença tenha se manifestado após a aposentadoria. E, importante, aqueles pacientes que ainda assim tiveram valores descontados a título de imposto de renda podem reaver estes valores, pagos indevidamente, abrangendo o período concernente aos cinco anos anteriores.
 Em suma, o que se busca é priorizar a saúde e a vida, desonerando o contribuinte enfermo, ainda que sua
enfermidade seja assintomática, ou seja, ainda que não apresente sintomas. Presume-se que, diante da batalha pela vida, o inativo deva ser poupado de descontos em seus rendimentos para que possa investir em saúde! E esta não é a única isenção de que um paciente com diagnóstico de câncer pode usufruir, havendo outros direitos, tais como isenção na contribuição previdenciária, liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, liberação do PIS/PASEP, isenção de ICMS, IPI e IPVA, estes sujeitos à análise de outras condições.
 Assim, concluo que atualmente somente um mal pode ser fatal ao enfermo: a desinformação. Dispondo a Medicina de métodos dia a dia mais eficazes no tratamento do câncer, é necessário que o paciente faça valer
a desigualdade a que faz jus, ou seja, que, recebendo do Estado tratamento diferenciado, seja colocado em condição de igualdade à de indivíduos que não são acometidos pela moléstia.

Fonte: Revista + SAÚDE | Ano 2 | N° 6 | Dra. MireleAlves Braz - OAB/RS 47.717

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Gravidez na adolescência

         

               Cerca de 60% das adolescentes são abandonadas pelos parceiros, durante a gestação.



No Brasil, a cada 19 minutos uma menina de 10 a 14 anos dá à luz. Entre 10 e 20 anos, o intervalo será de apenas um minuto. Já em São Paulo uma adolescente se torna mãe a cada cinco minutos. Em todo o País, 23% das mulheres engravidam nesse período da vida, porcentagem reduzida para 15% entre as paulistas. A estatística brasileira é igual às do Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia, enquanto São Paulo está mais próximo dos Estados Unidos (14%), Argentina e Chile (16%), mas ainda muito distante da Suíça, com 6%, ou Japão, com apenas 1%. No entanto, mesmo com índices ainda altos, São Paulo apresentou redução de 36% no número de adolescentes grávidas entre 1998 e 2008 – obtendo resultado ainda mais expressivo no caso da segunda gravidez, que diminuiu 47% na faixa etária pesquisada.
O decréscimo registrado em São Paulo é resultado de políticas públicas implantadas nos últimos 25 anos, que levam em conta outros aspectos além da saúde e sexualidade dos jovens, na avaliação de Albertina Duarte, obstetra e ginecologista que coordena o Programa Estadual de Atendimento Integral à Saúde do Adolescente desde a sua criação, em 1986.
O “divisor de águas”, segundo a médica, aconteceu após a pesquisa realizada entre 1990 e 1995, em que se constatou que a maioria dos jovens tem acesso à informação e aos métodos contraceptivos. “Mas a preocupação das meninas em agradar e o medo de falhar dos meninos se mostraram maiores que os cuidados para o sexo seguro.” “Isso mudou o enfoque da ‘informação’ para a ‘negociação do vínculo’ entre os casais, o que inclui um projeto de futuro e melhora da própria autoimagem do jovem”, lembra Albertina Duarte. “Quanto mais inseguro o adolescente, maior a sua dificuldade de assumir uma posição diante do parceiro, o que é igual em todas as classes sociais, mesmo nos países mais desenvolvidos, evidenciando o fracasso dos programas que se concentram apenas nas ações que incentivam o sexo seguro entre os adolescentes como forma de evitar a gravidez precoce.”
A pesquisa deu novo eixo para as abordagens sobre sexualidade e o programa passou a incluir o plano de vida dos adolescentes. Hoje muitos postos de saúde do Estado trabalham com “oficinas de sentimentos” que recebem nomes sugestivos, como “Fala de Menina/Fala de Menino”, “Papo da Hora” ou “Plantão de Emoções”. A implantação desses grupos prioriza as áreas de maior incidência de gravidez na adolescência e existe pelo menos um posto de referência em cada região do Estado. Outro atendimento, o serviço telefônico
gratuito, acessado por adolescentes do Brasil inteiro, é um bom indicativo do acerto da política adotada.
Para ganhar espaço no universo juvenil, a proposta é não deixar nenhum adolescente sem atendimento e uma forma de driblar as agendas geralmente lotadas dos médicos que trabalham nos postos de saúde foi incentivar
atividades paralelas nas chamadas “Casas dos Adolescentes”, que funcionam em pelo menos 20 locais na Capital, Grande São Paulo e algumas cidades do interior. Nas casas, equipes multidisciplinares interagem
com garotas e garotos, promovendo desde discussões sobre temas de interesse comum até aulas de dança,

culinária, ou mesmo o cultivo de hortas que contribuem para uma alimentação mais saudável, além de melhorar a relação com o grupo e ajudar o adolescente a ganhar mais confiança na convivência com seus parceiros. A estimativa é que são atendidos cerca de 200 jovens todos os dias nesses locais.



Fortalecendo laços


O fortalecimento de vínculos sociais é uma forma de superar a eventual ausência de uma estrutura familiar mais sólida, na opinião da psicóloga Célia Brandão, que durante anos participou do programa desenvolvido pelo Hospital Albert Einstein na favela de Paraisópolis, com o objetivo de realizar um trabalho preventivo de atendimento psicológico à gestante adolescente. “São muitos os motivos que tornam a adolescente mais vulnerável a uma gravidez, mas o principal deles é a falta de um projeto de vida e de perspectiva futura”, reconhece a profissional. “A adolescência é o momento de formação escolar e de preparação para o mundo do trabalho. A ocorrência de uma gravidez nessa fase, portanto, significa a interrupção, o atraso ou até mesmo o abandono desses processos.”
A psicóloga avalia que a gravidez inesperada nem sempre é indesejada, pois muitas vezes a adolescente sonha com o amor romântico e em formar uma nova família que transforme a imagem do próprio núcleo em que foi criada. Mas há pouca clareza entre as mulheres que engravidam precocemente sobre o papel de um
casal na criação de uma criança, o que se agrava pelo fato de que 60% são abandonadas pelos parceiros ainda durante a gestação. “O medo da dependência, da submissão, da perda de liberdade, dos diferentes tipos de abuso atribuídos à intimidade de uma relação estável, está presente em relatos de adolescentes grávidas”, observa Célia Brandão.
Outro aspecto destacado pela psicóloga é a falta de apoio para que a adolescente possa se desenvolver como mãe. “A reação das famílias à gravidez precoce oscila da agressão à apatia permissiva, até a conduta de superproteção – comportamentos que não contribuem para que o adolescente aprenda a lidar com a nova situação de forma equilibrada e responsável.” Independentemente da situação social e emocional, no entanto, as duas especialistas concordam que não se pode ignorar que a iniciação sexual cada vez mais precoce é uma das principais causas do aumento da gravidez na adolescência, o que torna fundamental o acesso à informação e a métodos anticoncepcionais. Um dos objetivos é reduzir o número de abortos, estimado em cerca de 5% entre as adolescentes. Em 2005, foram registrados 2.781 atendimentos de meninas com idades entre 10 e 14 anos, relacionados a complicações no pós-aborto no Brasil. Dos 15 aos 19 anos, foram contabilizados 46.504 atendimentos. O que é certo é que, embora ilegal, o aborto é praticado igualmente entre todas as classes sociais.

Fonte: Eli Serenza - Revista + SAÚDE /  Ano 2 / N°6

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Implantes na terceira idade


             PROCEDIMENTO COMEÇA A FORMAR UM NOVO NICHO NO MERCADO.


De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a qualidade de vida na terceira idade pode ser definida como a manutenção da saúde, em seu maior nível possível, em todos os aspectos da vida humana:
físico, social, psíquico e espiritual. Um dos fatores mais importantes na manutenção da saúde do idoso, do
ponto de vista físico, é o cuidado que se deve ter com a alimentação, já que o tipo certo de alimento ingerido
implica suprir o organismo com os nutrientes necessários ao seu bom funcionamento e à prevenção de vários
riscos e doenças, como a obesidade, nefropatias e diabetes.
A boca é a porta de entrada de nosso corpo para todos os alimentos, e uma mastigação eficiente colabora para que eles possam ser triturados e reduzidos ao tamanho ideal para serem deglutidos. Sem dentes, não
há como haver esse processo e, consequentemente, não é possível ingerir todos os tipos de alimentos, ocorrendo um comprometimento do sistema digestivo e da saúde sistêmica. Esta perda de elementos na boca
implica uma mudança radical no tipo de alimentação e, até mesmo, uma alteração comportamental. Pessoas da terceira idade, frequentemente, precisam de atenção redobrada no quesito saúde bucal, pois o envelhecimento, por si só, já traz uma série de problemas, como a redução do fluxo salivar, lesões da mucosa oral, gengivites, aumento e retração gengival, diminuição do suporte ósseo, cáries e, inclusive, câncer oral. Estudos realizados pela OMS indicam um aumento da população com idade acima de 65 anos e um decréscimo de idosos sem dentes, o que envolverá mais cuidados odontológicos.
No Brasil, assim como nos demais países latino-americanos, o processo de envelhecimento populacional é
rápido e intenso. Até 2025, teremos uma das maiores concentrações de idosos do mundo, com previsão de
14% do total da população. Um dos procedimentos odontológicos que, até então, julgava-se desnecessário para os idosos vem ganhando espaço e criando um novo nicho específico de mercado. Implantes dentários para a terceira idade têm assumido um importante papel, pois, além de otimizar a eficiência mastigatória, se comparados ao uso das próteses total e removível, também melhoram a autoestima. Auxiliam, ainda, o idoso a ter melhor qualidade de vida e a ingestão correta dos nutrientes que irão ajudar a manutenção da saúde a partir desta etapa de vida. Para o odontogeriatra Fernando Brunetti Montenegro, “é importante salientar que o tipo ideal de implante é aquele que o cirurgião-dentista consciencioso, levando em conta os fatores de saúde geral do paciente idoso, vier a indicar para cada caso em particular. Nem sempre o tipo mais eficiente é o possível e o profissional explicará o porquê”.

Saúde do paciente


O idoso que pretende colocar um implante dentário precisa ter a consciência de que não basta querer e pagar para ter. Há muitos problemas que limitam o uso do implante ou que, de certa forma, adiam o
procedimento até que a doença esteja controlada. Segundo Fernando Montenegro, a cirurgia de implante
não é indicada para quem tem osteoporose diagnosticada e ativa e para pacientes debilitados e anêmicos, por não suportarem bem o ato cirúrgico nem o pós-operatório. Outros, sem o controle efetivo das doenças,
como diabetes e hipertensão, precisam esperar a estabilização para que o procedimento seja realizado. Há ainda pacientes que não podem ingerir as medicações prescritas ou fazer uso dos anestésicos e aqueles que, cognitivamente, não cooperarão para o sucesso da cirurgia por causa da necessidade de higienização dos
implantes e da boca como um todo.
Em todos os casos em que há uma doença manifestada, é necessário o aval específico do médico assistente para que os implantes não causem nenhuma interferência no organismo. Para a especialista em Endodontia

e Odontogeriatria Nedi Soledade Miranda Rocha, os implantes também são contraindicados em pacientes com a Doença de Alzheimer, demências, Aids, câncer, algumas cardiopatias, infecções orais persistentes, grandes reabsorções ósseas e com o uso de alguns medicamentos, como os derivados de bifosfonatos. “Os implantes mais indicados em idosos são os os- Odontogeriatria seointegráveis rosqueáveis de titânio que, na maioria, possuem algum tipo de tratamento na superfície que irá agilizar ou favorecer a cicatrização óssea ao redor dele, promovendo a osseointegração”, explica Nedi Soledade, que também é vice-presidente da seção Rio de Janeiro da Associação Brasileira de Odontologia. Infelizmente os custos envolvidos com a técnica dos implantes ainda são elevados em comparação aos procedimentos usuais como as próteses tradicionais, totais e removíveis. Logo, um alcance social ainda é difícil de ser obtido rapidamente. Segundo Fernando Montenegro, para cada estrato social, há um tipo de prótese possível de ser realizada. “O importante é reabilitar os pacientes idosos o mais rápido possível, devolvendo a função mastigatória (que ajuda na recuperação de sua saúde geral) e estética, ao restabelecer a autoestima e a reinserção social”, conclui.

Luís Fernando Russiano

Fonte: Revista + SAÚDE  | Abril/Maio/Junho 2011| Ano 2  | Nº 6

segunda-feira, 27 de junho de 2011

TUBERCULOSE: Ilustre desconhecida




Somente 1% da população sabe como se dá o contágio da doença.



Ela já faz parte de milhares de romances , foi chamada de “Mal do Século” e chegou a dizimar populações. Causa quase cinco mil mortes ao ano no Brasil e, mesmo com 80 mil novas infecções notificadas, a tubercolose é ainda uma desconhecida ilustre. E pior, o País está atualmente entre os 22 no mundo que concentram 80% dos casos da doença.
Pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e divulgada no f inal de 2010, com 2.242 entrevistados de 143 municípios, revelou que, das 94% pessoas que afirmaram conhecer a tuberculose, somente 1% mencionou corretamente que sua forma de contágio se dá pelo contato, por vias áreas, com outra pessoa afetada. A tuberculose é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, ou bacilo de Koch. “São eliminadas, pelo espirro e tosse, partículas que ficam determinado tempo suspensas no ar. Em contato prolongado e inalando estas partículas, a pessoa se contamina com o bacilo”, explica o pneumologista Marcelo Fouad Rabahi, presidente da Comissão de Tuberculose da SBPT (DF). Segundo ele, a maioria das pessoas que inala o bacilo não terá a doença manifestada. Isso porque, quando instalado, o bacilo fica no organismo de forma latente.
Para a professora da Disciplina de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) , Denise Rodrigues, de 5% a 10% dos infectados contrairão a doença.
“Isso dependerá muito do estado imunológico para a tuberculose se manifestar. A pessoa pode ter inalado o bacilo hoje e logo ter o problema, ou demorar vários anos para que isso aconteça”, elucida.
Segundo os médicos, 90% dos episódios são de tuberculose pulmonar, mas o bacilo também pode acometer e comprometer as funções de outras regiões do corpo. “Quando o bacilo é inalado, ele cai eventualmente na corrente sanguínea e pode atingir qualquer órgão do corpo, com possibilidade de se instalar no cérebro, olho, serosas (pleura, pericárdio, peritônio), rim, intestino, ossos. Quando ocorre uma queda de defesa, é possível que a doença extrapulmonar se manifeste”, comenta o pneumologista Marcelo Rabahi.
As pessoas mais propensas a ter tuberculose são aquelas cujo estado imunológico está mais debilitado, como pacientes com câncer, HIV ou imunossuprimidas por outras disfunções. O contato constante com o bacilo pode se dar quando o indivíduo está em locais onde há pessoas com a doença – presídios e hospitais, por exemplo. Por outro lado, medidas simples, como o uso de máscaras, podem evitar a disseminação do bacilo.
Familiares de pacientes infectados também precisam se precaver, alertam os especialistas. “Não é preciso separar copos e talheres da casa por causa da pessoa com tuberculose, pois o contato é feito mais por tosse. Essa pessoa que convive com o paciente também deve fazer exames, como raios X, para que o diagnóstico seja feito o mais precocemente possível e, assim, quebrarmos a cadeia de transmissão”, reforça Denise Rodrigues.
O principal sintoma da tuberculose é a tosse persistente por mais de duas a três semanas com escarro (catarro). Quando não tratada precoce e adequadamente, o paciente contaminado pode transmitir a doença
para dezenas de pessoas. Seu diagnóstico é feito por meio do teste do escarro (baciloscopia) e o tratamento é composto de quatro medicamentos (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) distribuídos gratuitamente pela rede pública de saúde. O procedimento é padronizado, a duração é de seis meses e, seguindo de maneira certa e ininterruptamente, os resultados satisfatórios chegam à casa dos 100%.

“Diferentemente da pneumonia, cuja bactéria se desenvolve rapidamente, a da tuberculose é mais lenta e a medicação é usada durante o período de crescimento do bacilo. Por isso, é importante fazer o tratamento até o final. Em geral, a pessoa, logo nos primeiros meses, se sente melhor e interrompe o tratamento por achar que está curada, mas o bacilo cresce e o paciente se agrava”, salienta Marcelo Rabahi.
Há como prevenir a tuberculose? Os médicos recomendam dar mais atenção para o sistema imunológico, mantendo uma alimentação saudável, sono apropriado e evitar abusos (álcool, drogas e fumo).
Fonte: Revista + SAÚDE | Ano 2  | N° 6

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Pré-eclampsia

GESTAÇÃO PERIGOSA
                           
                               
                 Atenção à pressão arterial é primordial para as futuras mães.


Se fôssemos descrever o termo “gerar um filho”, poderíamos resumir o tema em uma palavra: cuidado. A futura mãe deve estar atenta a uma série de recomendações para que a gravidez seja saudável tanto para ela como para o bebê. No rol desses cuidados está a pressão arterial, “termômetro” que, sem controle, proporciona complicações diversas e graves. A pré-eclampsia é uma delas, podendo se agravar para a
eclampsia e a Síndrome de HELLP (sigla em inglês de Hemolysis Elevated Liver Low Platelets). O obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP), Mário Macoto, explica que a pré-eclampsia é a hipertensão
arterial associada a edemas generalizados, bem como à proteinúria, que é perda de proteína pela urina após
a vigésima semana de gestação (entre o quarto e o quinto mês), apresentando-se na forma leve ou grave. Já a eclampsia é o desenvolvimento de convulsões em gestantes com sinais de pré-eclampsia.
“A presença de hemólise (ruptura de glóbulos vermelhos), elevação de enzimas hepáticas e diminuição das plaquetas (plaquetopenia) em gestante com pré-eclampsia grave e eclampsia é definida como síndrome de HELLP”, diz. Segundo ele, além do aumento de pressão arterial e inchaço, cefaleia, turvação visual e epigastralgia (dor estomacal) são outros agravantes do problema.
Dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) mostram que a hipertensão arterial é um dos principais
fatores de risco para doença cardiovascular nas mulheres e ganha mais destaque na gravidez. Pressão alta
nesta fase é relativamente frequente – abrangendo de 10% a 15% das gestantes. A incidência da pré-eclampsia no mundo fica em torno de 2% a 10%, sendo estimados 5% de casos no País. “O seu estudo se justifica por ser responsável por 37% das mortes maternas diretas no Brasil”, acrescenta o obstetra do Hospital Santa Joana. Não se sabe ao certo quais são as causas da pré-eclampsia, porém existem indícios a serem considerados como má adaptação do leito vascular da placenta no útero – denominada placentação insuficiente –, questões imunológicas e genéticas. As “mães de primeira viagem” (primigestas), mulheres com histórico de hipertensão arterial prévia à gestação, diabetes, doença renal, doenças do colágeno, estados
trombofílicos, obesidade e antecedente familiar de hipertensão são suscetíveis a desenvolver pré-eclampsia.
Para Maria Rita Lemos Bortolotto, médica assistente da Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas de São
Paulo (HCFMUSP), e Luiz Bortolotto,médico da SBH e diretor da Unidade de Hipertensão do InCor, considera-se hipertensão na gravidez o mesmo índice usado à população, ou seja, quando fica maior ou igual a 14 por 9 (≥ 140 mmHg x 90 mmHg). “Para o controle da pressão, na primeira metade da gravidez o objetivo é a normalização da pressão arterial, 12 por 8, e na segunda metade é reduzir em 25% a 30% os
níveis da pressão, para garantir melhorperfusão da placenta”, respondem.
Em virtude das disfunções no organismo das mães, os profissionais completam que repercussões podem
acometer o feto, como restrição de crescimento, prematuridade e até óbito intrauterino ou neonatal. Já na mulher, se não há tratamento prévio e adequado, podem ocorrer complicações importantes como edema pulmonar, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), infarto agudo do miocárdio e até morte
materna.
Estima-se também que aumentam em 30% as chances de uma mãe que já teve pré-eclampsia passar novamente pela situação. Por isso, redobrar a atenção e ter acompanhamento médico nesse período é extremamente necessário.
Nas formas mais leves da préeclampsia, recomendam-se repouso e dieta hipossódica e, se for preciso,
tratamento medicamentoso para controlar a pressão. “Já nos casos graves, a paciente sempre deve permanecer internada, e é indicada a antecipação do parto, variando conforme o estado clínico materno e fetal”, salientam os doutores Luiz Bortolotto e Maria
Rita.

Por Keli Vasconcelos  - Revista + SAÚDE  -  Ano 2, N°6

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Maturidade e dedicação

Ginecologista e obstetra, graduado em julho de 1995, pela Universidade Federal de Pelotas, fez sua residência e especialização no Hospital Nossa Senhora da Conceição em Porto Alegre. Além de plantão no Hospital São Camilo e do atendimento em seu consultório, o Dr. Marcelo está na Porto Alegre Clínicas desde fevereiro de 1999, portanto há 13 anos, onde atende seu maior número de pacientes.

Relata ainda que hoje, por exemplo,há sete gestantes para parto a qualquer momento, o que o fará circular
entre os Hospitais Divina Providência, Ernesto Dornelles, Mãe de Deus e Moinhos de Vento a qualquer momento do dia ou da noite. Sendo assim, casado com Viviane, uma jovem professora, pai de Camile
de apenas 3 anos e seis meses, Dr. Marcelo diz que seu lazer é estar com a família, aproveitando ao máximo a esposa e a filha, seja em casa, no parque, no shopping, cinema etc...
Questionado sobre como se sente na Porto Alegre Clínicas, diz que adora
trabalhar na Clínica, onde já alcançou um patamar de maturidade tal, que salário não é o que mais importa, pois importam também as relações com todos os colegas e com nosso Diretor, Dr. Alexandre Diamante, e a liberdade que adquiriu no decorrer desse tempo, que lhe permite opinar, criticar, sugerir melhorias etc.
Quando perguntamos ao Dr. Marcelo sobre o que fez para se tornar uma das unanimidades entre nossas beneficiárias, este médico de sorriso fácil diz que imagina que, além do tempo de empresa, deva oferecer segurança e tranquilidade às suas pacientes porque tem um jeito calmo, acessível e disponível. Além disso, uma paciente o recomenda para a outra, mães para filhas, enfim, se diz um privilegiado Serviço Maturidade e Dedicação Com mais de 4.000 partos realizados, o Dr. Marcelo de Almeida Quadros se diz um profissional realizado e totalmente realizado com sua profissão e, sobretudo na Porto Alegre Clínicas, onde também já se sente em casa devido aos laços tão fortes que estabeleceu.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dirigir

Freie o Medo
Terapia e aulas especiais combatem o pavor

Sudorese, tremor nas pernas, boca seca, tensão muscular em especial na região cervical, mãos frias, calor no rosto, diarreia. Estes são alguns dos sintomas que pessoas com medo de dirigir sentem quando se deparam com o maior “inimigo”: o volante. Atividades comuns para milhões de motoristas como ligar o motor ou sair da garagem são martírio para cerca de 10% dos brasileiros habilitados. A parcela mais afetada é de mulheres entre 30 e 45 anos, de acordo com pesquisa desenvolvida pela psicóloga Neuza Corassa, especialista em medos e fobias e integrante do CPEM – Centro de Psicologia Especializado em Medos (www.medos.com.br), em Curitiba (PR). De cada 10 pacientes que procuram seu consultório, oito já têm a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e automóvel. Segundo a profissional, muitas mulheres acabam deixando o carro em casa para não enfrentar a situação, que denominou Síndrome do Carro na Garagem. “Comecei a estudar o assunto em 1996, com mães que levavam os filhos e seus maridos às consultas porque o carro delas ficava na garagem”, conta a autora do livroVença o medo de dirigir – como superarse e conduzir o volante da própria vida (Editora Gente). Detalhistas, pontuais, extremamente responsáveis e perfeccionistas são as que mais sofrem. “Hoje, as mulheres precisam do carro, mas o medo as domina e se sentem incapazes de estar na rua. Isto se encaixa em dois pontos: o perfil perfeccionista, a ansiedade e o medo de errar e serem repreendidas, além da visão distorcida de que o trânsito não foi feito para elas”, completa Neuza. Os gatilhos podem estar relacionados também a traumas (acidentes, atropelamentos) ou outros medos irracionais, como achar que o auto “tem vida própria” e não conseguem controlá-lo. Um fato interessante recai sobre aqueles que convivem com outros com medo de dirigir. Isso acaba por potencializar a fobia. “É o reforço dos pensamentos negativos em relação àquela situação que a pessoa vivencia no seu dia a dia", analisa a psicóloga Salete Coelho Martins, fundadora da Clínica- Escola Psicotran, também em Curitiba. “Tenho vários relatos de pacientes que mostram ter medo até de andar como passageiros. E isso pode acontecer ora porque o condutor corre muito, ora porque tem comportamento agressivo ao dirigir; ou ainda não tem paciência com outros motoristas”, exemplifica Salete Martins, da Psicotran. Já para Neuza Corassa: “Na maioria dos casos não há nenhuma relação. Muitas pessoas que têm medo de dirigir são ótimas ‘copilotos’, indicam trajetos e ruas, pois se sentem livres da crítica que as atormentam quando estão na direção”. Na série de entrevistas que Salete realiza na clínica-escola, a psicóloga destaca o caso da professora Maria Helena (nome fictício), de 43 anos. Quando ela tentava dirigir, sentia que não fazia parte do trânsito. Para ela, era difícil lidar com o novo, imprevistos e, quando estava dentro do veículo, parecia que não dominava a situação. A médica trabalhou a autoestima dessa paciente, ensinando o domínio do veículo, o que foi fundamental para sua independência. O tratamento para o problema envolve Terapia Cognitiva Comportamental, ou seja, a mudança de comportamento no trânsito. Este é o principal intuito de escolas para pessoas habilitadas. É realizado um estudo individual, em que o paciente conta seu histórico e relação com o auto, além de aulas práticas com auxílio do psicólogo e instrutores capacitados. Salete Martins, da Psicotran, explica: “Antes de iniciar qualquer tratamento, faço uma avaliação individual e crio um plano terapêutico. Saio com o paciente e vou junto fazer suas atividades de carro e de preferência com ele dirigindo. O objetivo é inserir o veículo na vida do paciente gradativamente”, pontua. Os consultórios especializados também trabalham com pessoas não habilitadas, corrigindo a ansiedade no momento dos exames preparatórios para conseguir a habilitação. Fazer relaxamento e trabalhar a respiração, traçar pequenos trajetos, como ir à padaria ou ao supermercado mais próximos, ligar e desligar o motor, entrar e sair do carro, estacionar na garagem são algumas das dicas para conduzir de maneira mais confortável. 

Fonte: + Saúde Magazine. Ano 2, nº5. Janeiro/Fevereiro/Março - 2011