sexta-feira, 19 de novembro de 2010

NECESSIDADE OU VOCAÇÃO?

O segredo, dizem os especialistas, é ter planejamento e conhecimento do mercado
© Michaeldb | Dreamstime.com


A falta de emprego, a busca por melhores salários e qualidade de vida e o crescente interesse pela cultura do empreendedor em escolas e universidades têm impulsionado o empreendedorismo no Brasil. Dados da Global Entrepreneuship Monitor (GEM)* de 2008, pesquisa realizada anualmente em 40 países, apontam o Brasil na nona posição entre as pessoas que mais abrem negócio no mundo. Os jovens brasileiros estão à frente nessa estatística. Segundo levantamento do Banco Mundial, o País é o terceiro no ranking mundial de jovens empreendedores.
O grupo dos mais experientes – a partir de 45 anos – também busca uma alternativa profissional por meio do empreendedorismo. São os aposentados, desempregados ou pessoas que almejam uma segunda oportunidade no mundo dos negócios e partem para consultorias e serviços.
A história de Oswaldo Ferreira, 57 anos, diretor comercial da Design On, empresa especializada em divisórias, é um bom exemplo de empreendedor que carrega no sangue a vocação e muita experiência. Depois de 25 anos na gerência de vendas em empresas do setor, decidiu não se render à escassa renda de uma aposentadoria e focou na realização do tão sonhado negócio próprio. “Foram duas tentativas frustradas por falta de experiência, uma delas no segmento de importação e exportação de componentes eletrônicos – que eu conhecia pouco –, mas que renderam grande aprendizado”, conta Ferreira. A persistência levou Ferreira a buscar alternativas de investimento em uma empresa do ramo que conhecia – a Design On Divisórias – e a renovou, transformando-a em fabricante e lançando produtos inovadores. Hoje, cinco anos depois, é o único dono de uma empresa que fatura R$ 25 milhões/ano e emprega 70 funcionários, contra oito que existiam inicialmente. “A empresa já ocupa o segundo lugar no mercado e busca mais”, enfatiza.
O executivo explica que começou observando as deficiências do setor. “Pesquisei bastante, percebi muitas falhas no atendimento dos concorrentes e as acertamos. Em apenas três anos, nos tornamos uma das líderes do setor.” Atualmente, Ferreira diz que a empresa se prepara para parcerias internacionais. Conquistou por três anos seguidos o prêmio Top Marca, categoria Divisórias, conferido pelo Arcoweb, o maior portal de arquitetura da América Latina, e pela Arco Editorial, organizadora do prêmio e responsável pela revista Projeto Design.
O segredo, afirma Ferreira, foi ter um grande conhecimento do mercado e um bom planejamento, desde o processo de instalação da fábrica até a abordagem do mercado, passando pelas metas de crescimento. “Para ser empreendedor não se deve depender do resultado financeiro da empresa, mas atentar à concorrência, conhecer o segmento e planejar.” Segundo ele, é uma tarefa difícil e requer força de vontade, disposição, estrutura emocional para administrar adversidades e uma boa área de RH. “Este é um bom momento para se pensar em empresa. O mercado está carente de bons profissionais e bons produtos.”
Pesquisa realizada pelo Grupo HSBC com pequenas e médias empresas de mercados emergentes em 21 países – Brasil, México, Hong Kong, China, Malásia, Indonésia, Cingapura, Vietnã, Índia, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Taiwan, Egito, Quatar, França, Turquia, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos, Argentina e Panamá –, divulgada na última quinzena de janeiro, mostra um cenário positivo para investimentos e contratações em 2010. É a maior pesquisa internacional do segmento, da qual participaram mais de 6.300 empresas, sendo 300 do Brasil. Na pesquisa, o Brasil se estabeleceu como segundo país mais confiante da América Latina, atrás apenas do Panamá.
Para Daniel Zabloski, diretor de Pequenas e Médias Empresas do HSBC no Brasil, “a crise para o empreendedor brasileiro é um capítulo encerrado e o cenário é extremamente positivo para 2010. Estamos vendo uma retomada efetiva, que pode ser percebida na confiança do empreendedor para os próximos meses”. 
Renato Fonseca, consultor do Sebrae-SP, acredita que o brasileiro tem uma vocação empreendedora marcante. Só no Estado de São Paulo são abertas 130 mil empresas por ano. “Mas é a combinação de variantes como necessidade, vocação, estímulo, acesso às informações, opção de vida profissional e percepção de oportunidade que levam as pessoas a buscar o próprio negócio”, diz. 
A pesquisa “10 anos de Monitoramento da Sobrevivência e Mortalidade das Empresas”, realizada no Estado de São Paulo pelo Sebrae entre 2000 e 2005 e divulgada em 2008, ouviu dois mil empreendedores. O estudo indica que 35% dos entrevistados têm vocação empreendedora e 32% identificaram uma oportunidade de lucro no mercado. Igual pesquisa foi refeita com os mesmos empresários, mas levando-se em conta o método do GEM, e apurou-se que dois terços dos entrevistados, ou seja, 66% abriram empresas porque vislumbraram oportunidade de negócio e 34% por necessidade. “No Brasil, atualmente, a cada dois brasileiros que abrem uma empresa formal por oportunidade existe um que o faz por necessidade”, informa Fonseca.
Ainda de acordo com a mesma pesquisa, 46% dos entrevistados declararam não conhecer os clientes e os seus hábitos; 32% dizem não ter informação dos fornecedores; 29% não sabem o número de concorrentes e 27% não estudaram a melhor localização para seu negócio.
Para Pedro Gonçalves, também consultor do Sebrae-SP, das 130 mil empresas abertas por ano em São Paulo, 27% fecham no primeiro ano de vida. “Entre as principais causas estão a falta de planejamento prévio e a má gestão”, explica. O empreendedor tem que estar atento aos negócios, a mudanças de hábitos do consumidor, à concorrência e a fatores como cenário econômico interno e externo e tributação.


*O projeto é realizado em diversos países, a partir de um modelo da London School of Business (Inglaterra) e Babson College (EUA). No Brasil, o projeto GEM é de responsabilidade da unidade nacional do Sebrae e do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP).



Por: Silvana Orsini
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DE ONDE VEM ESTE CHEIRO?

Quem já não cobriu a boca e o nariz com a mão, para sentir o próprio hálito?
© Sababa66 | Dreamstime.com

Halitose é o nome científico dado para o popular mau hálito, que é a liberação de odores desagradáveis vindos da boca, um problema que muitas pessoas enfrentam eventualmente em algum momento da vida. Segundo Ana Kolbe, consultora científica da revista Dental Tribune Internacional e da ABO – Associação Brasileira de Odontologia, a halitose não é uma doença, mas um sintoma importante de que há diversos problemas no organismo, pois a causa do mau hálito é sempre multifatorial, nunca tem apenas uma origem.
De acordo com Dulce Helena Passarelli, professora titular de Semiologia e Patologia Bucodental do curso de Odontologia da Universidade Metodista de São Paulo, a halitose afeta mais de 30% da população brasileira. Ela explica por que nem sempre o paciente percebe essa alteração no hálito: “Nos seres humanos, as células responsáveis pelo olfato adaptam-se rapidamente a qualquer odor, sobretudo se ele for constante; por isso é preciso que alguém, próximo ao paciente, relate a ele que sente o odor desagradável”.
“O mau hálito é causado por vários motivos interligados: boca seca, língua com saburra, cáries profundas, gengivas que apresentam sangramento, próteses mal adaptadas, diabetes, doenças hepáticas, renais e hormonais, infecções nas vias aéreas superiores, períodos longos sem ingerir alimentos, estresse, uso de medicamentos como antidepressivos, tranquilizantes, anti-histamínicos, descongestionantes, anti-hipertensivos e todo remédio que provoque redução do fluxo salivar”, esclarece Vera Lúcia de Brito, pós-graduada em halitose pela Universidade Estadual de Bauru e filiada à ABPO – Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos Odores da Boca.
É comum ouvir que o mau hálito pode ser proveniente do estômago, entretanto são poucas as alterações estomacais capazes de provocar a halitose, como explica Vera Lúcia: “Muitas vezes algumas doenças estomacais como refluxo, por exemplo, causam gosto ruim na boca, levando o paciente a pensar que está com mau hálito, mas somente em casos de patologias gástricas severas e bem avançadas pode haver alguma relação”.
Como a halitose é multifatorial, o tratamento depende do diagnóstico, assim, cada caso é um caso, mas Passarelli ressalta que o profissional indicado para elucidar o problema deverá sempre ser o cirurgiãodentista. Ele conduzirá o tratamento examinando dentes e periodonto, já que 95% das causas da halitose vêm de doenças bucais. Além disso, poderá questionar o uso de drogas sistêmicas e, desse modo, estimular a melhora da higiene bucal ou até encaminhar para o profissional especializado, se preciso.
“Durante o tratamento o paciente com halitose deverá ser monitorado por sete dias consecutivos por alguém de sua confiança, só assim ele vai perceber a mudança e terá
certeza de que está curado. Tratar um paciente com halitose também é lidar com o seu emocional e devolver sua confiança e autoestima, pois todo portador de halitose tem problemas emocionais, dificuldade no convívio social e sente-se discriminado”, diz
Kolbe.
A prevenção da halitose é algo simples e possível. De acordo com Celso Senna, cirurgião-dentista, membro do conselho da ABO do Rio de Janeiro, para evitar o mau hálito é preciso beber bastante água, de dois a três litros por dia; não ficar longos períodos sem se alimentar, buscando comer algo a cada três horas; higienizar bem a boca, usando escova de dente, fio dental e limpador de língua; além de ir ao dentista regularmente.


Por: Camila Pupo
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PORTO ALEGRE CLÍNICAS

Saúde com Marca!



Marca, o ativo intangível mais valioso de qualquer organização, está diretamente relacionado à percepção do conjunto de benefícios conferidos a produtos ou serviços. À medida que comunica aos clientes sobre uma qualidade superior, através do programa de marketing ou das experiências vivenciadas, busca criar um valor adicional, construindo assim, um diferencial dentro de seu mercado.
No setor de saúde, é necessário que a marca transpire elementos essenciais como capacidade técnica, acessibilidade, resolutividade e empatia no trato das necessidades ou aspirações dos clientes, conferindo experiências diferenciadas e a credibilidade necessária ao reconhecimento e consequente sucesso da organização em seu segmento.
A Porto Alegre Clínicas desde seu nascimento, há 27 anos, traz em seu DNA uma forte identificação com a busca do entendimento destes requisitos em seu share, democratizando o
acesso à assistência da saúde. Aprendemos ao longo dessa trajetória, que através de estruturas de identificação e reconhecimento da marca, podemos fazer mais e diferente do modelo que encontramos hoje. Diferentemente de produtos, os serviços são fornecidos por pessoas quando da interação com os clientes. Nestes momentos, ambiente físico, processos bem definidos, política salarial, seleção, treinamento e motivação dos funcionários numa cultura de competência, empatia, resiliência, iniciativa e boa vontade, fazem toda a diferença.
Acreditamos que, fundamentalmente, saúde se faz com um modelo de atendimento baseado no entender realmente o que paciente precisa e acolher suas necessidades de forma integral, para que possa retornar ao convívio de sua família com qualidade de vida e, também, em plenas condições para o trabalho.
Por isso, a Porto Alegre Clínicas inovou com um projeto piloto: Módulos de Atenção Integral à Saúde. Nesses módulos, temos a diferenciação do atendimento desde as instalações até o serviço de saúde prestado, através de médicos de família e uma equipe multidisciplinar. Buscamos atingir novos conceitos como acolhimento, resolutividade e, principalmente, vínculo, pois para o paciente, saber o nome do seu médico é tão importante quanto confiar sua saúde a um profissional que se preocupará em entendê-lo, ao longo dos anos.
Acreditamos que um Pronto Atendimento padrão não deve ser realizado de uma maneira mecânica, mas sim humana. Nos dias de hoje, quando se moldam relações humanas tão impessoais, percebemos que o paciente precisa ser ouvido e encaminhado a uma solução realmente efetiva. Neste sentido, nossa estrutura de apoio – SAC – , desempenha um importante papel, em que plataformas de atendimento telefônico, pessoal e externo oferecem suporte à operação, aos beneficiários e às empresas clientes.
Na saúde, vivemos um momento de concentração, fazendo com que empresas menores, cada vez mais, busquem a diferenciação e a excelência no seu atendimento frente à grande competitividade dos grandes grupos. A Porto Alegre Clínicas busca manter o seu know-how na elaboração de processos capazes de propiciar aos clientes um atendimento diferenciado a um custo acessível, obtendo com isso os objetivos de acionistas, clientes, funcionários e sociedade. Somos uma opção em saúde frente ao SUS e a outros Planos de Saúde que trabalham com valores muito elevados, para a realidade da maioria de nossa população.
Alcançamos bons resultados econômicos, financeiros e, principalmente, de SAÚDE fazendo muito mais com menos. No entanto, é importante salientar que, no quesito cobertura, temos uma agência reguladora que determina o que deve ser coberto por todos os participantes desse mercado, ressaltando ainda mais, a importância da diferenciação no atendimento
prestado.
Como diz nossa missão, “a Porto Alegre Clínicas busca ser uma empresa de assistência médica e odontológica, acessível e resolutiva, capaz de entender e respeitar as pessoas, onde
cumprimos o que prometemos buscando assim a rentabilidade do negócio”, mantemos o foco de nossa atuação e, por isso, hoje comemoramos o crescimento e a capilaridade de nossa
marca junto ao povo gaúcho. 
É o que buscamos fazer!

Por: Dr. Alexandre Diamante
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

LESÕES RELACIONADAS AO TRABALHO

O processo da LER/DORT: uma abordagem fisioterapêutica
Foto: Divulgação
As lesões por esforços repetitivos (LER) ou distúrbios osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT), são um conjunto de doenças que afetam músculos, tendões, nervos e vasos dos membros superiores (dedos, mãos, punhos, antebraços, braços, ombro, pescoço e coluna vertebral) e inferiores (joelho e tornozelo, principalmente), que têm relação direta com as exigências das tarefas, ambientes físicos e com a organização do trabalho.
A instrução normativa do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) usa a expressão LER/DORT para estabelecer o conceito da síndrome e declara que elas não são fruto exclusivo de movimentos repetitivos, mas podem ocorrer pela permanência de segmentos do corpo em determinadas posições, por tempo prolongado. A necessidade de concentração e atenção do trabalhador para realizar suas atividades e a pressão imposta pela organização do trabalho são fatores que interferem significativamente para a ocorrência da síndrome.
Nas últimas décadas, com as transformações no processo de produção, a reestruturação produtiva (automação do processo de produção), as elevadas exigências de produção, a competitividade exacerbada, as mudanças na gestão do trabalho e as novas políticas de gestão de pessoal, o que antes se restringia aos artesãos, escribas e digitadores, se estende a diversas categorias profissionais.
Muitas vezes, os portadores de LER/ DORT “apresentam quadros clínicos onde os sintomas e a dor crônica não condizem com os resultados do exame clínico”. Seu maior sintoma é a própria dor do paciente, que pode apresentar, ainda, queixas de parestesias, edema, perda da força muscular e/ou diminuição do controle dos movimentos. Segundo Assunção & Almeida (2003), a dor não segue curso linear e não tem estágios definidos. Não há uma causa única para a ocorrência de LER/DORT.
O diagnóstico, a prevenção e o tratamento das LER/DORT deve ser realizado por equipes multiprofissionais de saúde, das quais deverão ser investigadas as dimensões biomecânicas, cognitivas, sensoriais e afetivas da atividade de trabalho.
Cada profissional deve responsabilizar-se pela avaliação de cada um dos casos atendidos e pela definição de um procedimento terapêutico individualizado correspondente (Assunção A.A Almeida I.M. Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro. Atheneu 2003).
A fisioterapia deve orientar e informar o paciente acerca de sua condição e contexto, visando uma participação ativa deste no processo de prevenção e recuperação; propiciar emancipação e autonomia do paciente em relação ao tratamento adequado a sua sintomatologia; discutir as repercussões das LER/ O processo da LER/DORT: uma abordagem fisioterapêutica DORT no seu cotidiano familiar e social; aumentar gradativamente a capacidade laboral e possibilitar o seu retorno ao trabalho. As atividades a serem desenvolvidas e que englobariam esses objetivos incluem, além de fisioterapia ocupacional, outras terapias associadas: acupuntura, osteopatia/quiropraxia (terapia manipulativa), Pilates, reeducação postural e reforço muscular terapêutico. A fisioterapia também atua de forma a abranger, dentro e fora da empresa, outras abordagens, através de ações educativas (palestras, seminários ou cursos) e ações efetivas (ginástica laboral ou treinamento postural).
Através do trabalho orientacional e terapêutico, desde o nível hospitalar até a empresa, poderemos produzir crescimentos paralelos tanto do empregado quanto do empregador e consequentemente ganhos na “qualidade de vida de todos”.


Por: Aline Castro Alves e Paula Denardin
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

terça-feira, 26 de outubro de 2010

RETINA EM PERIGO

Traumatismo, inflamação ou miopia podem levar ao descolamento retiniano
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A psicóloga Inês nem percebeu uma espécie de sombra no seu olho direito, acostumada com os 11 graus de miopia que afetavam a visão daquele lado. “Desde pequena estava acostumada a praticamente só usar o olho esquerdo, no qual tenho menos de dois graus de astigmatismo. Por ser estrábica, passei por tratamento para corrigir o desvio, que não impediu a miopia progressiva em um dos olhos”, conta ela.
Inês soube que sofrera um rompimento da retina, diagnóstico confirmado pelo cirurgião que, depois da tentativa frustrada de recolocar a membrana no lugar, informou que ela perderia definitivamente a visão daquele olho. Hoje, a psicóloga continua a enxergar bem com o olho esquerdo, que permanece com visão estável, e usa uma prótese estética para esconder a atrofia do olho cego. 
Por ter acompanhado o caso da irmã, a advogada Tereza ficou em pânico quando soube que estava com descolamento posterior do vítreo e que isso poderia evoluir para o descolamento da retina. O diagnóstico veio um dia após começar a perceber uma espécie de teia que prejudicava a visão em um dos olhos, o que não melhorou nem com colírio, pomada oftálmica lubrificante ou depois de uma noite de sono. “Corri para o
oftalmologista e fui diagnosticada como ‘Síndrome das Moscas Volantes’”, explica.
Para verificar as chances de complicações, o médico recomendou exames sequenciais de mapeamento de retina. Depois de dois meses de acompanhamento mais intenso, foi descartado o risco para a retina – uma das consequências do descolamento posterior do vítreo, que, em casos benignos como o de Tereza, resulta apenas na formação de pontos pretos e não prejudicam a visão.

Vítreo e retina
O oftalmologista Fabrício Witzel de Medeiros, pós-doutorado no Departamento de Oftalmologia da Cleveland Clinic Foundation (EUA), explica que o vítreo é uma substância gelatinosa que preenche o interior do globo ocular e tem como função a proteção das estruturas internas do olho. “O descolamento posterior do vítreo é o processo provocado pelo seu desprendimento da retina – tecido responsável pela captação das imagens e sua transmissão para o cérebro.”
Tanto o descolamento da retina quanto o do vítreo, podem ser causados por traumatismo, inflamação ou miopia acentuada.
Para a diretora médica do Centro de Oftalmologia Especializada, Beatriz Takahashi, a principal causa de descolamento do vítreo é a idade, com a liquefação do gel e a perda de colágeno decorrente do envelhecimento do organismo. Sua informação se apoia em dados estatísticos, mostrando que o índice de ocorrência de descolamento de vítreo é de 27% entre 60 e 69 anos. O restante ocorre depois dos 70 anos, mas pode aparecer mais cedo em pacientes míopes ou submetidos a um grande estresse.
Nos casos que afetam a retina, a doutora Beatriz soma outros fatores predisponentes, como complicações pós-cirurgia de catarata; a formação de “traves vítreas” em olhos muito inflamados ou o aparecimento de vasos anômalos em alguns casos de diabetes. Fabrício Witzel inclui outras possibilidades: “Existem várias doenças inflamatórias e infecciosas que levam à formação de áreas de fibrose no vítreo que acabam tracionando a retina, provocando a formação de roturas e descolamento. Toxoplasmose, por exemplo, é um agente bastante disseminado na população que pode induzir esse tipo de alteração, além de cicatrizes retinianas diretas”, exemplifica.
Ele alerta também sobre o fator genético: “Pessoas que já apresentaram o problema ou têm casos na família têm maior chance de descolamento de retina e precisam ser monitoradas de maneira mais próxima”.


“Moscas volantes” 
O descolamento do vítreo pode se manifestar por meio da chamada “Síndrome das Moscas Volantes” – alteração da visão provocada pela formação de “grumos” no gel ocular que provocam a sensação de linhas ou pontos pretos nos olhos. Não existe tratamento para evitar esse processo, mas a alteração pode desaparecer com o passar do tempo.
O problema pode ser mais sério quando ocorre o tur vamento da visão ou flashes de luz, provocados pela tração das áreas do vítreo mais ader idas à retina. “Quando isso ocorre, o vítreo pode puxar a retina e formar uma rotura”, diz Takahashi. Nessa fase ainda são possíveis alguns tratamentos preventivos, para evitar o descolamento da retina. 
“Nos locais com grande adesão ou onde acontece um rasgo pode ser feita a fotocoagulação para proteger a área e evitar descolamento de retina”, descreve a oftalmologista, informando que os tratamentos incluem também a injeção de gás, quando se percebe a formação de “buracos” na membrana.
Constatado o descolamento, o tratamento pode exigir a utilização de laser e cirurgia para recolocar a retina na posição cor reta, no fundo do olho. Mas o tempo entre o aparecimento dos sintomas e o atendimento médico é determinante para garantir o sucesso do tratamento.

Por: Eli Serenza
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

QUANDO FALTA VONTADE

O problema ainda é tabu e exige muita sensibi-lidade do médico
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A sexualidade feminina ganha cada vez mais espaço nos consultórios, com um número crescente de mulheres à procura de soluções e respostas para suas dif iculdades em manter relações satisfatórias. Boa parte das pacientes que buscam ajuda de um profissional está preocupada em salvar o casamento, uma relação em crise ou até mesmo conseguir engravidar. Os problemas de libido aparecem em todas as faixas etárias, embora a iniciativa de ir ao médico seja mais comum entre as mulheres mais jovens.
Por envolver questões culturais e de comportamento, o assunto ainda é considerado tabu para muitas pacientes, o que exige atenção e sensibilidade do médico para descobrir se o problema é causado por alteração hormonal, depressão ou decorrente de algum tratamento medicamentoso.
Descartadas essas hipóteses, o desinteresse e a apatia que resultam da perda da libido podem caracterizar a Síndrome do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, conforme classificação da Organização Mundial da Saúde – problema que afeta cerca de 10% da população adulta feminina do planeta.
Computadas todas as outras causas da falta de libido, a porcentagem de mulheres com dificuldades sexuais aumenta para 30% ou 40% do total da população. E mais: o restante não é garantia de satisfação sexual, pois inclui mulheres que não têm vida sexual, não atingem o orgasmo e não se incomodam com isso.

Idade e libido
Segundo a diretora da Clínica de Reprodução Humana Chedid Grieco, a ginecologista Sivana Chedid, o envelhecimento físico traz alguns problemas como as cardiopatias ou diabetes, que podem afetar o desempenho sexual. Mas a idade por si só não justifica a queda da libido, o que está muito mais relacionada à vida do casal e ao relacionamento estabelecido entre os parceiros. A médica constata que a fadiga e o estresse são as principais causas para o desinteresse sexual entre as suas pacientes. Em segundo lugar estão os problemas familiares e conjugais – o que inclui a disfunção sexual do parceiro; em terceiro, os problemas orgânicos já mencionados e, em último lugar, baixa autoestima e vergonha do próprio corpo.
“Entre as situações de todos os tipos, é possível até mesmo encontrar casais que convivem bem com a falta de sexo e estabelecem outras formas de relacionamento. Esse tipo de paciente procura ajuda médica apenas para engravidar”, revela a médica. Outra constatação da especialista é que a mulher pode chegar ao orgasmo sem ter desejo pelo parceiro e também pode ter desejo e não atingir o orgasmo, mas mesmo assim se sentir satisfeita com a relação e consumar o ato sexual.

Diferenças biológicas
No homem o processo tem uma sequência mais definida, como observa a psiquiatra Carmita Abdo, que coordena o ProSex – Projeto Sexualidade, implantado em 1993 pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “No sexo masculino o desejo funciona como uma espécie de gatilho, que leva à excitação, seguida pela ereção, que vai desencadear no orgasmo, permitindo consumar a relação”, descreve a psiquiatra.
Por conta dessas diferenças biológicas, Carmita Abdo e Silvana Chedid concordam que a baixa libido ou a ausência de orgasmo na mulher só necessitam de tratamento quando geram angústia e frustração. “Quando isso não incomoda a mulher nem prejudica seu relacionamento, não existe problema”, garantem as duas especialistas.
Mas, para as mulheres que querem incrementar ou preservar a vida sexual, a medicina dispõe de um arsenal variado de tratamentos, que pode incluir psicoterapia, reposição hormonal, mudança de hábitos e alguns medicamentos, embora não tratem diretamente a disfunção sexual feminina. 
Atualmente o ProSex registra uma média de mil atendimentos por mês, começando pela triagem, que inclui consulta com clínico geral, investigação ginecológica, exames de endocrinologia e avaliação psicológica. Apesar de funcionar no Instituto de Psiquiatria da USP, a equipe tem formação multidisciplinar e um dos recursos que o programa adota é a terapia cognitivo-comportamental que, em geral, fornece respostas mais rápidas e imediatas que a psicoterapia tradicional. “O objetivo é identificar e ajudar a paciente a encontrar maneiras de mudar de atitudes que bloqueiam sua libido ou interferem no desempenho sexual”, esclarece Carmita Abdo. A médica observa, ainda, que problemas psicológicos podem ser causa ou consequência de estados depressivos e, nesses casos, a terapia inclui medicamentos. 
A ginecologista Silvana Chedid, no entanto, alerta para o risco de certas medicações terem efeito colateral sobre a libido da mulher, o que inclui alguns antidepressivos, além de anticoncepcionais, remédios para hipertensão ou para outros problemas orgânicos. “Nesses casos, cabe ao médico regular as dosagens dos remédios utilizados ou avaliar a prioridade do tratamento”, complementa a médica.

Tratamentos
Entre os tratamentos disponíveis para melhorar a disposição sexual feminina, está a reposição hormonal, que tem como foco equilibrar as dosagens de estrogênio e progesterona, os chamados hormônios ovarianos, assim como a testosterona, hormônio predominante no homem, mas que também afeta o desempenho da mulher. A utilização dos hormônios sintéticos, no entanto, só é recomendada nos casos em que a produção natural é afetada por algum desequilíbrio orgânico ou no climatério, quando a queda da produção hormonal é acentuada, culminando com a menopausa, quando o ciclo reprodutivo feminino se encerra.
Para quem busca efeito imediato, sem contraindicações, há dois anos já estão disponíveis no mercado pomadas de uso tópico. A medicação age de forma similar aos medicamentos para impotência masculina, pois aumenta a irrigação sanguínea e a sensibilidade do órgão sexual, além de melhorar a lubrificação vaginal, que se reduz a partir do climatério.
Uma nova substância – a flibanserina –, em fase de testes na Europa e nos Estados Unidos, pode se tornar a primeira droga a atuar diretamente na libido feminina. Testes descritos em um artigo publicado pela revista científica Journal of Sex Research indicam aumento médio mensal de 96% nos “eventos sexuais satisfatórios” entre cerca de 800 voluntárias que se submeteram ao tratamento durante 24 semanas. Mas, como se trata de um medicamento ainda em estudo, não há previsão para a sua comercialização.


Por: Eli Serenza
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº2. Abril/Maio/Junho – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br