segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Envelhecimento

Epidemia de quedas
Mais de 60% dos tombos de idosos ocorrem em casa


As quedas e suas conseqüências para as pessoas da terceira idade estão assumindo, segundo o governo, dimensões de epidemia. O Ministério de Saúde alerta para o fato de que os custos com a saúde motivados por quedas de idosos no Brasil têm crescido de maneira significativa. Foram gastos pelo sistema de saúde pública, em 2009, R$ 81 milhões com fraturas de idosos – desses, R$ 58 milhões com internações e o restante, R$ 23 milhões, com medicamentos. Há apenas três anos, em 2006, para efeito comparativo, esses gastos foram de R$ 69 milhões. E mais: de janeiro até outubro de 2009, do total de 40.598 internações, 73% delas eram de mulheres – e a osteoporose, doença com maior incidência feminina, o motivo principal dessa desigualdade.
O governo federal reuniu, recentemente, as suas secretarias estaduais e municipais de saúde para discutir o problema e para que em conjunto diminuam as taxas de internação.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo está recrutando mil idosos que tenham sofrido queda no último ano e queiram colaborar com o estudo sobre o perfil desse tipo de acidente. Eles terão que responder a questionário e receberão material e orientação especializada.
Muitos são os motivos causadores da queda na terceira idade: doenças cardíacas que diminuem a pressão arterial, isquemia cerebral (irrigação deficiente no cérebro) e o próprio envelhecimento natural que ocasiona, muitas vezes, perda de visão, osteoporose, problemas de desequilíbrio e vertigens em função de alterações no labirinto, efeitos de remédios e muitos outros. Como diz o médico oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares: “Os idosos que caem provavelmente o fazem por mais de uma razão e, com frequência, é possível tratar estas causas e, com isto, evitar as quedas”.
“Por isso, é importante procurar auxílio médico e não usar remédios sem a prescrição do especialista”, acrescenta o oftalmologista. Seu colega Juan Caballero, também do mesmo instituto, diz que o declínio da acuidade visual é uma das causas mais constantes das quedas dos idosos e explica que, com o envelhecimento, o tamanho e a resposta das pupilas diminuem. “Ao entrar em
um recinto escuro ou sair à noite, o indivíduo idoso tem o risco de queda aumentado, pois o tempo necessário para que o olho senescente – em processo de envelhecimento natural – atinja um nível de sensibilidade à luz igual ao de uma pessoa jovem é maior. Por consequência, indivíduos mais velhos precisam de iluminação adequada para andar com segurança.” Segundo ele, ainda, a percepção de profundidade é alterada e gera quedas, principalmente ao subir e descer escadas.
A fisioterapeuta Juliana Maria Gazzola, especialista em Gerontologia e mestre em Ciências Otorrinolaringológicas pela Universidade Federal de São Paulo, em seu trabalho sobre quedas na terceira idade, afirma que, entre 5% e 10% dos idosos sofrem lesões severas que resultam, invariavelmente, em piora da qualidade de vida, medo permanente de cair, restrições motoras e redução de suas atividades. Ainda, segundo ela, existem os fatores de risco modificáveis e os não modificáveis. Os primeiros englobam os riscos ambientais, limitações visuais, fraqueza muscular e insônia, entre outros, e que podem, de alguma forma, ser corrigidos e evitados. Já os riscos não modificáveis correspondem à própria condição de idade avançada, ser do sexo feminino, apresentar déficit cognitivo e distúrbios de marcha ou equilíbrio e perda de reflexos.

  
Como eliminar as armadilhas em casa e se manter ativo:

- Evitar o uso de tapetes pequenos onde é possível escorregar;
- Instalar corrimões nas beiras de escadas;
- Colocar interruptores de luz em locais de fácil acesso para manter o ambiente sempre bem iluminado;
- Deixar uma luz acesa iluminando o trajeto entre o quarto e o banheiro à noite;
- Evitar manter no chão objetos como chinelos, caixas ou brinquedos;
- Instalar barras para se segurar no banheiro e no Box;
- Escolher quinas arredondadas nos móveis;
- Usar calçados seguros;
- Checar sempre a visão e a prescrição de óculos;
- Visitar o médico periodicamente;
- Praticar exercícios físicos regularmente.

Por: Sociedade Brasileira de Otologia
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro - 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Automedicação


Verdades e crendices
Ao se automedicar, o paciente mascara os sintomas, sob o manto de diferentes analgésicos.

Não existe nada mais importante, absolutamente nada, que a saúde perfeita, com o mínimo de distúrbios, propiciando bem-estar e disposição para o trabalho ou para o lazer.
Habitualmente ignoramos essa constatação óbvia por descuido, na ânsia de viver intensamente e também por displicência. Comumente, lutamos pela sobrevivência, e nada mais. Nem sempre saúde é o que interessa, salvo quando ela nos ameaça.
Infelizmente não existe ainda nenhum dispositivo que antecipe os sintomas. O máximo que podemos fazer é antecipar as providências, contratando, por exemplo, um bom plano de saúde, já que a saúde pública, sabidamente, não funciona quando mais dela se precisa.
Uma certeza conhecida é que os sintomas de uma doença raramente aparecem de supetão. O mais comum é que eles deem sinais discretos, antes de se manifestarem claramente. Às vezes, os sintomas são traiçoeiros ou mascarados pela excessiva preocupação do doente – hipocondria, por exemplo. De tanto automedicar-se, o paciente mascara os sintomas, escondendo-os sob o manto dos mais diferentes analgésicos.
Outra hipótese é que sugiram algo grave, quando na verdade se trata de mera manifestação neurológica. Os sintomas enganam às vezes os mais experientes profissionais, que precisam ter à mão todos os instrumentos de investigação antes de dar um diagnóstico.
Não sendo médico, o autor não é pessoa autorizada a dissertar sobre assunto de tanta complexidade. Apenas relata constatações, casos e crendices de conhecimento de todos. Refiro-me à imensa popularidade das crendices populares que norteiam os tratamentos por esse país afora, inclusive nas grandes cidades e à porta dos hospitais universitários. Não faltam bancas vendendo ervas as mais diversas, com capacidade de cura de todas as doenças. Há infinita quantidade de relatos de curas milagrosas a partir de ervas. Todos nós, qualquer pessoa conhece um caso de família que se trata à base dessas crendices. Um amigo advogado, de alta sapiência jurídica, aos 80 anos, toma diariamente óleo de alho em pó, cálcio à base de concha de ostras, complexo B, ácido ascórbico e vitamina E com selênio. E toma, ainda, um cálice de solução de cloreto de magnésio, de manhã e à noite.
Consultei meu geriatra a respeito disso e ele afirmou que nada disso é necessário se o indivíduo tiver uma alimentação diversificada, que contemple a maioria dos cereais, legumes e demais nutrientes disponíveis em qualquer lugar do mundo. A boa alimentação e exercícios físicos adequados à idade são tão eficientes quanto todas essas invencionices populares.
Já os adeptos dessas medicações ditas caseiras alegam que se baseiam em experiências milenares e acusam os médicos alopatas de se renderem à indústria medicamentosa, que lhes pagam viagens e simpósios, inclusive internacionais.
A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo não tem, entre as 55 matérias obrigatórias do seu curso de graduação, acupuntura nem homeopatia. Perguntei certa vez a um de seus diretores qual a razão e ele foi claro: não existe comprovação científica de que essas especialidades sejam realmente eficazes. Alguns professores reconhecem o valor desse tipo de tratamento e alguns deles, individualmente, os adotam ou recomendam a seus pacientes. Mas a faculdade, como instituição de alta responsabilidade, nunca aprovou a inclusão dessas especialidades como matéria oficial.
Enquanto isso, nas feiras ou barracas à porta das faculdades as ervas e crendices se proliferam. Nenhuma instituição conseguiu abolir a prática das crendices e os recursos sobrenaturais. Alguns admitem que, além de ciência, medicina é também
uma questão de fé.

Por: Flávio Tiné

Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. JulhoAgosto/Setembro - 2010

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Vetor de Oportunidades

   
O empreededorismo corporativo abre espaço
 para propostas de funcionários

Andres|Dreanstime.com

  A busca da inovação tem levado as empresas a valorizarem cada vez mais os empreendedores internos, ou seja, profissionais que exercem liderança,criam, participam e estimulam a inovação dentro das empresas.
Embora a taxa de intraempreendedorismo ainda seja muito baixa no Brasil (0,6%, segundo pesquisa de 2008 do Global Entrepreneurship Monitor – GEM), especialistas de RH, entidades e instituições ligadas ao empreendedor ismo, além de grandes empresas, defendem a importância de se investir mais nesses prof issionais, capazes de desenvolver produtos e serviços que representem diferencial competitivo nos negócios.

 “O intraempreendedor ou empreendedor corporativo é um vetor de oportunidades e está associado à competição e inovação dentro da cultura da empresa em que trabalha. Está à frente de processos como criação de novos produtos e serviços, abertura de filiais e planejamento de ações no mercado. Seu papel é agregar valor ao que é proposto na empresa”, diz Renato Fonseca, consultor do Sebrae–SP. No entanto, toda sugestão apresentada pelo intraempreendedor, segundo o consultor, deve ser bem definida e estudada para ser válida e gerar perspectivas. “Pensar antes de falar e valorizar o relacionamento com as pessoas envolvidas no ambiente profissional é vital para ganhar apoio e, assim, levar a proposta adiante. Esse  profissional tem que vender a ideia e, ao mesmo tempo, lidar com jogos de poder na organização –, portanto ele precisa ter sensibilidade suficiente, principalmente nesse momento”, explica Fonseca.  Paulo Roberto Ferreira Cunha, professor de Planejamento Estratégico da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), ressalta que o intraempreendedorismo também está muito ligado ao perfil  administrativo e estratégico da empresa. “Para viabilizar a iniciativa do intraempreendedor, a empresa precisa estar aberta a novos desafios, negócios e também a mudanças culturais para encarar a competitividade e aceitar sugestões desse tipo de profissional”, diz Cunha. 


Características do intraempreendedor:

• Busca de opor tunidades e iniciativa
• Exigência de qualidade e eficiência
• Persistência
• Correr riscos calculados
• Comprometimento
• Estabelecimento de metas
• Planejamento e monitoramentosistemático


   A aceitação da figura do intraempreendedor dentro de uma empresa depende do modelo de gestão de cada companhia. “A empresa que incentiva o colaborador a expor suas ideias e projetos deve acolhê-lo para que ele possa desenvolver esse trabalho. Há casos, porém, em que o colaborador motivado é barrado por modelos inflexíveis de gestão empresarial”,explica Cunha, que, como a maioria dos especialistas no assunto, também desaconselha o choque de projetos e ideias do intraempreendedor com os da companhia. “Esse novo profissional tem características comportamentais específicas. Age como dono do negócio e está disposto a resolver qualquer problema com a equipe como um todo. É inteiramente comprometido com o trabalho”, diz Carolina Stilhano, gerente de comunicação da Catho. No Brasil, segundo ela, muitas pessoas nascem empreendedoras, mas são tolhidas ao longo da vida pela sociedade. A cultura do  intraempreendedorismo no País ainda precisa ser mais bem assimilada, embora seja crescente a busca, pelas empresas, de profissionais com habilidades e características do intraempreendedor. “Afinal, eles trarão mais resultados e produtividade às companhias”, argumenta a executiva. 


 Por: Silvana Orsini
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br



sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Inflamação Intestinal

Disfunção Crônicas tem tratamento individualizado

Stylephoto /Dreamstime.com


    Seu nome ainda soa estranho para muitos, mas o distúrbio pode atingir pessoas de qualquer idade e de ambos os sexos, com predisposição genética. Trata-se da Doença de Crohn (DC) – que leva o nome do médico que a descreveu em 1932, Burril B. Crohn –, um processo inflamatório crônico que ocorre em qualquer parte do trato gastrointestinal, principalmente na porção inferior do intestino delgado (íleo) e intestino grosso.
  “Os sintomas são muito variáveis, dependendo dos locais de acometimento da doença. Os principais são diarreia, presente em cerca de 70% dos pacientes, geralmente sem sangue ou muco, a não ser que exista acometimento colônico importante; dor abdominal, também em 70% dos pacientes, predominantemente localizada no quadrante inferior direito; e emagrecimento, em cerca de 60% dos pacientes”, explica André Zonetti de Arruda Leite, gastroenterologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – HCFMUSP. Segundo o diretor da Regional Guarulhos (SP) da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn – ABCD, coloproctologista Wilton Schmidt Cardozo, os indícios da disfunção podem variar de leve a grave. “A doença é caracterizada por fases agudas (atividade da doença) e períodos de remissão (sem sintomas). Algumas pessoas podem apresentar manifestações consideradas extraintestinais como doenças de pele, nos olhos e nas articulações”, acrescenta. Formação de fístulas, trajetos que geram trânsito anormal de fezes, ligando regiões diferentes do intestino ou a órgãos como bexiga, superfície da pele e do ânus, por exemplo, também são complicações apresentadas em uma parcela dos pacientes.

   Até o momento não foi descoberta qual a causa ou causas da Doença de Crohn, que predomina em pessoas jovens – entre 15 e 35 anos. Porém, o sinal que pesa para o seu aparecimento é a predisposição genética associada a fatores ambientais como tabagismo e alimentação. “Existe maior incidência em parentes de primeiro grau. É considerada uma doença multifatorial, com componente genético e ambiental, incluindo a alimentação, fumo e uso de medicações, apesar de não ser causada por nenhum remédio, bactéria ou por algum tipo de alimento”, completa André Zonetti. A DC está no rol das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), junto com a colite ulcerativa (ou retocolite ulcerativa), que são confundidas por terem características semelhantes. No site da ABCD, a colite ulcerativa é descrita por atingir a camada mais superficial (mucosa) do cólon de modo contínuo, diferentemente da Doença de Crohn. “O termo doença inflamatória intestinal é utilizado para descrever em conjunto a retocolite ulcerativa e a Doença de Crohn e, apesar de serem doenças distintas, acredita-se que a lesão intestinal em ambas as patologias ocorra em consequência à resposta  exagerada do sistema imune contra a própria flora intestinal”, enfatiza o profissional do HCFMUSP, André Zonetti de Arruda Leite.

  Wilton Cardozo, da ABCD, afirma que a DC tem diagnóstico confirmado por meio de avaliação clínica, que engloba história do paciente e exame físico, além de uma combinação de investigações baseadas em exames laboratoriais como endoscopia, colonoscopia, radiologia e biópsias do intestino. “O prognóstico, isto é, a perspectiva que se tem em relação à doença em longo prazo, varia conforme o grau de comprometimento e localização da doença. No entanto, consultas periódicas,exames de controle e uso das medicações prescritas prolongarão os períodos de remissão”,complementa. O tratamento da Doença de Crohn, de acordo com Cardozo, é individualizado, dependendo do nível de comprometimento e local atingido pela disfunção. Uso de corticoides, imunossupressores, terapia biológica (anti-TNF) e cirurgia – para os casos mais sérios – são indicados para este distúrbio que não tem cura, mas terapia adequada. Seguindo as recomendações médicas, os pacientes com a Doença de Crohn têm a vida normal e produtiva. Basta conhecer, entender e enfrentar o problema.


 Por: Keli Vasconcelos
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

RECICLAGEM PROFISSIONAL

Plano de carreira e informação estratégica são fundamentais
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Atentos a novas tecnologias que surgem a todo instante os bons profissionais que fomentam o mercado de trabalho atualmente devem frequentar cursos de qualificação profissional para lidar com mudanças e inovações. Realizam cursos de especialização, pós-graduação, mestrado, MBA e falam mais de dois idiomas. Estes disputados profissionais ocupam o lugar daqueles que, há duas décadas, se diferenciavam por possuir apenas um curso superior e dominar a língua inglesa.
O upgrade de exigências se deu em razão da maciça utilização da internet e dos celulares, o que facilitou a comunicação. E a informação passou a ser adquirida em segundos. Conforme Cássia Lourenci, consultora de Recursos Humanos e coaching, os profissionais que hoje enfrentam o mercado de trabalho já nasceram em um mundo onde as exigências são maiores. Aprendem mandarim, fazem fonoaudiologia e já estudam em escolas bilíngues, onde lhes são ensinados inglês e espanhol.
Esses profissionais com perfil multitarefa disputam vagas com os profissionais de outras gerações. Estes, em razão da competitividade acirrada, também buscam mais qualificação.
Contudo, Cássia alerta: “Atualizar-se não é fazer cinco MBAs, mas ter um plano de carreira”.
Para a consultora muitas pessoas concluem cursos superiores e geralmente optam por especializações ou extensões na mesma área. Mas os conhecimentos específicos são importantes até determinado momento da carreira. “Quanto mais o profissional subir na hierarquia organizacional, mais estratégico precisará ser. Por isso, é importante focar não apenas no operacional”, aconselha. Segundo a consultora, é preciso investir em cursos de gestão de pessoas, gestão estratégica e empresarial. “Sem conhecimentos estratégicos, mesmo tendo galgado novo cargo, esse profissional pode perder o emprego”, completa.
Cássia acredita que um bom momento para escolher as melhores vertentes profissionais é cerca de cinco anos após a conclusão do curso superior. “Neste momento, ele já está no mercado de trabalho e sabe exatamente onde é o seu calcanhar de Aquiles. Aí, tem condições de optar por um curso que, de fato, vai agregar conhecimentos fundamentais à sua carreira.”
Cássia sugere, portanto, que os profissionais realizem, uma vez por ano, um curso prático como o de um software e, a cada cinco anos, outro mais profundo, como uma pós-graduação ou especialização. Orienta ainda que o profissional quebre mensalmente aquela janelinha que, no passado, dividia seu setor e passe um dia de vivência em outro departamento. “Claro que o profissional não precisa se tornar um profundo conhecedor nas funções da outra área, mas deve entendê-las para poder executar melhor as suas.”

Exemplos 
A multinacional Syngenta, que atua no setor de agribusiness, tem 1.730 funcionários e é um exemplo de como estimular e investir em seus colaboradores. Em 2009, 412 profissionais da empresa participaram de programas e 112 passaram por treinamentos regulares de idiomas. “Traçamos nossas estratégias baseados nas competências de nossos funcionários e, por isso, investir no crescimento deles é fundamental”, diz Carlos Gajardoni, gerente de treinamento e desenvolvimento. 
A empresa desenvolve programa de educação corporativa nos segmentos comercial, liderança, treinamentos internacionais e corporativos.
Lilian Saldanha, engenheira agrônoma, iniciou suas atividades como analista da área de regulamentação há dez anos. O cargo de gerente surgiu após cursos sobre manejo de projetos, realizado nos Estados Unidos. Ela também passou por treinamentos de comunicação, liderança, gestão de pessoas, manejo de projetos e coachings.

 Por: Renata Bernardis
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

LESÃO DE NERVO

A doença provoca a perda da motricidade de todo o lado afetado do rosto
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Aparalisia facial periférica (PFP) pode aparecer da noite para o dia, como aconteceu com Sílvia, especialista em comércio exterior desempregada. Um dia antes da PFP se manifestar ela se sentiu incomodada com o reflexo da luz solar nos olhos. No dia seguinte acordou com o rosto inchado e uma sensação estranha de formigamento, mas só notou as alterações quando se viu no espelho e percebeu o repuxamento que ia da boca até a testa afetando todo o movimento do lado direito. Passados oito meses, ainda apresenta limitações nos movimentos faciais. Silvia ainda não teve seu diagnóstico fechado e só agora foi encaminhada para exames de ressonância magnética e tomografia.
Por sofrer uma deformação inesperada da face, o paciente muitas vezes procura o pronto-socorro acreditando que está com um “derrame”, mas a PFP difere da paralisia ocasionada por acidente vascular cerebral (AVC) porque provoca a perda da motricidade de todo o lado afetado do rosto, em razão da lesão do nervo facial. “A paralisia facial aguda é uma doença otológica em 90% dos casos e, em função disto, o paciente deve ser avaliado por otorrinolaringologista”, esclarece o médico Paulo Roberto Lazarini, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde é também coordenador do Núcleo de Cirurgia da Base de Crânio.
Ele faz um alerta: “O médico deve atuar rapidamente para estabelecer o tratamento mais adequado a cada momento e evitar possíveis sequelas, pois a demora pode comprometer de modo irreversível a recuperação do paciente, além de resultar também em alterações psicossociais em razão da deformação visível”.
Lazarini explica que “há uma diversidade de fatores etiológicos (traumas no crânio, infecções, tumores, doenças sistêmicas como hipertensão arterial e diabetes melito, entre outros), mas geralmente a PFP se instala subitamente, embora em alguns casos se desenvolva de forma lenta e progressiva, e pode acontecer em qualquer fase da vida”. Segundo ele, a determinação das causas nem sempre é fácil e deve ser feita a partir de uma avaliação clínica detalhada que pode exigir também uma série de exames complementares.
Na prática, em muitos casos o diagnóstico é feito por eliminação e, até recentemente, 90% dos pacientes eram diagnosticados como portadores de paralisia de Bell, caracterizada pelo quadro agudo de paralisia facial com características periféricas e sem causa definida, mesmo depois de toda investigação convencional clínica, laboratorial e de imagem. Estudos mais recentes, no entanto, revelam que a maioria dos casos pode ter origem viral.
Essa hipótese é corroborada pela médica Raquel Salomone, supervisora do Ambulatório de Paralisia Facial Periférica do Hospital das Clínicas de São Paulo. Integrante do grupo de estudo de regeneração do nervo facial com células-tronco, Raquel explica que a paralisia pode ser consequência de uma inflamação no nervo facial ocasionada por alguns tipos de vírus relacionados ao herpes, que estão latentes no organismo e podem se desenvolver em decorrência de uma queda de imunidade. Por isso são mais frequentes em mulheres grávidas e portadores de HIV, mas podem estar relacionados também a outras situações que provocam a queda de resistência e criam condições propícias para esses vírus se instalarem. 
Nos casos diagnosticados como paralisia de Bell, cerca de 80% dos pacientes apresentam recuperação completa no período de 30 a 60 dias após o início da doença. Outros 15% podem ter recuperação mais lenta e apresentar alguma sequela, enquanto 5% não conseguem reverter o quadro. Quando a paralisia facial é consequência de algum tumor ou tem causas congênitas, no entanto, a possibilidade de recuperação é bem mais restrita, segundo Lazarini.
Para o especialista, existe uma série de procedimentos cirúrgicos que buscam a reabilitação da função motora facial. “No caso da paralisia de Bell, exames específicos realizados na fase aguda podem nos indicar se há degeneração neural e, nestas circunstâncias, a descompressão do nervo facial pode ser necessária. Caso o individuo tenha a doença há mais de dois anos o procedimento cirúrgico será diferente e focado na musculatura da face.”
Raquel Salomone complementa: ”O tratamento deve ser iniciado de preferência nos dez primeiros dias, com medicamentos à base de corticoides, antibióticos e antivirais”. Ela lembra que a cirurgia também é indicada quando se constata que houve fratura dos ossos microscópicos presentes da estrutura do ouvido ou quando é preciso colocar uma espécie de peso na pálpebra, para permitir que o paciente consiga fechar o olho afetado, pois a paralisia afeta também a produção lacrimal, podendo provocar lesões oftálmicas sérias e exigindo cuidados especiais para preservar a visão. Outra possibilidade de tratamento é a aplicação de botox para melhorar a simetria do rosto.
Os dois médicos fazem restrições ao uso de tratamento com estimuladores elétricos nos quadros agudos da doença, pois podem levar a uma contratura muscular mais intensa e comprometer a recuperação dos movimentos faciais. Dependendo da causa, o atendimento dos pacientes com PFP pode envolver uma série de profissionais, o que inclui fonoaudiólogos – para exercícios que estimulem a recuperação dos movimentos – e psicólogos para atenuar os efeitos emocionais negativos e reforçar a disposição do doente, pois os tratamentos em geral exigem muita paciência e persistência. A ajuda psicológica é necessária também porque as sequelas da paralisia facial vão muito além da dificuldade em movimentar a face e em muitos casos os pacientes evitam o contato social, perdem o emprego e se isolam, por se sentirem discriminados por sua doença.
 Por: Eli Serenza
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

PÉS DOLORIDOS

Calçados inadequados e fatores genéticos causam essa “pedra no sapato”
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Terezinha Palácio Leite tem 33 anos e é dona de casa. De uns tempos para cá, algo começou a atrapalhar sua vida atribulada: dores nos dois pés, principalmente quando usa sapatos apertados. Ela observou alguns desvios do dedão, em especial no pé esquerdo. “Sinceramente, não sei quando começou. Se uso sapatos apertados, sempre sinto dor porque
pressiona. Meu pai tem o problema em um dos pés, já eu tenho nos dois. Nunca procurei um médico para tratar”, conta. A dona de casa recorre às “rasteirinhas” para aliviar o incômodo. “Geralmente quando os sapatos apertam, eu faço de tudo para tirá-los logo. De dez minutos a meia hora sem eles já ameniza bastante a dor”, lamenta.
Esses são alguns dos sinais de joanete, mal que atinge mulheres e homens – na proporção de oito para um –, com manifestação, em geral, na adolescência e vida adulta, e também com casos na infância. É caracterizada pela saliência na cabeça do primeiro osso metatársico, próximo à base do dedão do pé, chamado cientificamente de halux valgo.
Segundo a ortopedista Cibele Réssio, especialista em pé e tornozelo da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, o primeiro indício do joanete é a dor. “O joanete, o halux valgo, só ocorre no dedão do pé e, em consequência, pode deformar outros dedinhos laterais, que chamamos de dedos em garra”, explica.
O desvio do primeiro dedo, que fica fora da rotação de eixo, gera mais dores com comprometimento das articulações, completa Marcos Kardequi Silva Raquel, ortopedista do Hospital Beneficência Portuguesa de Santo André (SP). “Outros problemas, devidos à incongruência articular e má distribuição de carga durante a marcha, podem ocorrer como calosidades na estrutura do pé por conta dessas alterações”, acrescenta.
A predisposição genética é um dos fatores preponderantes para o aparecimento dos indesejáveis joanetes. Outro vilão é o uso prolongado de sapatos inadequados, que provocam pressões nos dedos. Um exemplo é o irresistível salto alto. De acordo com os especialistas, o tolerável é que o salto tenha entre três e quatro centímetros no máximo, para não sobrecarregar a parte dianteira dos pés. “Sapato inadequado é aquele que tem salto muito alto e apertado. As queixas de joanete aparecem mais entre as mulheres porque calçados incorretos são os que elas mais gostam e usam”, aponta Marcos Raquel. A dica é alternar os dias de usar salto
alto e adotar os calçados mais baixos e confortáveis.
No consultório, o diagnóstico do joanete é feito por meio de exame físico em que se verificam as condições dos pés, além de radiografias para conferir o nível de deformidade que varia de leve a grave. “A primeira orientação depois do diagnóstico é o uso de sapato adequado. Se
houve a evolução do problema, a cirurgia é a mais indicada”, continua o ortopedista do Beneficência Portuguesa de Santo André. 
Vale lembrar que pessoas com doenças reumát icas podem ter deformidades nos pés, que se assemelham ao joanete, mas não há qualquer relação. “Doenças reumáticas podem causar deformidades articulares, mas não são consideradas como o joanete simples. O nome é diferente – chamamos de pé reumatoide – e o método cirúrgico também”, informa Marcos Raquel. 
As técnicas cirúrgicas abrangem a remoção da deformidade, o realinhamento ou reconstrução das articulações, dependendo de cada caso. “Não existe um tratamento clínico eficiente para melhorar a deformidade. A cirurgia faz a correção e, dependendo do seu grau, aplica-se o método mais apropriado”, elucida Cibele Réssio. A recuperação ocorre de três a seis semanas, complementa a ortopedista da Unifesp. Repouso e também a utilização de calçado pós-cirúrgico, conhecido como sandália de Barouk, na qual o paciente apoia o calcanhar e deixa a região operada para fora, são outros cuidados.
“No caso leve, a recuperação vai de três semanas, usando o sapato especial, e seis semanas no caso mais grave. Recomenda-se também fisioterapia, entre 17 e 20 dias depois da cirurgia. O joanete só volta se o método utilizado for mal realizado. Após a recuperação a pessoa tem a vida normal, podendo praticar esportes e usar qualquer tipo de calçado”, finaliza Cibele Réssio.


Por: Keli Vasconcelos
Fonte: + Saúde Magazine. Ano 1, nº3. Julho/Agosto/Setembro – 2010
Contato: maissaudemagazine@portoalegreclinicas.com.br