quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cérebro social




O volume dessa estrutura pode ter relação com a 
socialização do indivíduo
Neusa Pinheiro

    A amígdala cerebral faz parte de um grupo de estruturas que compõe o sistema límbico do cérebro e que inclui, além da própria amígdala,  o hipotálamo, o tálamo e o hipocampo, entre outras. O sistema é responsável pelo comportamento emocional, aprendizado e memória, e ainda da chamada vida vegetativa que abrange a digestão de alimentos, a circulação sanguínea e a excreção. É constituído de células chamadas de neurônios, que são especializadas e responsáveis em captar e transmitir os estímulos recebidos do ambiente para o corpo, através de uma rede neurotransmissora, formando os chamados impulsos nervosos.
    A amígdala é considerada a porta de entrada do sistema límbico. Ao ser estimulada, pode ocasionar algumas experiências de comportamento como raiva, medo, prazer e sexualidade. Também padroniza respostas comportamentais apropriadas para cada ocasião. Existem duas amígdalas, uma para cada hemisfério do cérebro.
    Recentemente, um estudo realizado em 58 adultos saudáveis, por Kevin Bickart e colaboradores, da Universidade de Boston, descobriu que o volume da amígdala tem correlação com o tamanho e a complexidade das redes sociais nos adultos, ou seja, quanto maior é o órgão, maior é a quantidade de amigos e parentes que convivem com o portador dele, embora não se tenha concluído se a amígdala cerebral cresceria em proporção ao número de amigos. 
    Os pesquisadores propuseram, no caso, que o volume da amígdala deve estar relacionado ao tamanho dos grupos sociais, em parte porque o tamanho de uma região do cérebro é um indicador da sua capacidade de processamento.
    “A amígdala medeia o processamento das informações relevantes socialmente e a expressão do comportamento emocional. No entanto, a percepção social e as demandas subsequentes são resultantes da atividade de uma rede neural, e não somente do desempenho funcional de estruturas cerebrais individuais”, diz a médica Roberta Monterazzo Cysneiros, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).  
    A hipótese do “cérebro social”, expressão cunhada por Leslie Brothers em 1990, sugere que evolutivamente quem vive em maiores e mais complexos grupos sociais possuem regiões do cérebro maiores, com maior capacidade para realizar cálculos pertinentes. Este cérebro social define-se como uma complexa rede de áreas cerebrais ou rede neural, que nos permite reconhecer outros indivíduos, avaliar os seus estados mentais (por exemplo, suas intenções, disposições, desejos e crenças), compartilhar sua atenção e se posicionar no lugar do outro. “Esta ’ação’, denominada de percepção social, ocorre por meio de análise e interpretação de pistas biológicas, tais como expressões faciais, gestos, movimentos corporais e tipo e direção do olhar. A partir desta percepção surgem outras demandas, como tomada de decisão, planejamento de ações e estratégias, baseando-se em um sistema de recompensa, para permitir uma ação apropriada para cada situação ou circunstância, garantindo aos membros da espécie uma maior chance de adaptação e de sobrevivência em ambientes complexos”, prossegue a médica.

Distúrbios e desvios

    Lesões no sistema límbico, ou, mais especificamente, na amígdala cerebral, podem levar a alguns desvios de comportamento. Em experimentos, a sua destruição faz com que um animal se torne dócil, sem preferência sexual, descaracterizado afetivamente e, o que é potencialmente perigoso, indiferente às situações de risco. O estímulo da amígdala com impulsos elétricos provoca violenta agressividade. Nos seres humanos o indivíduo perde, com a lesão, a percepção do sentido afetivo vindo de uma informação exterior, como, por exemplo, a aproximação de um amigo. Ele percebe o que está vendo, identifica a pessoa, mas não tem noção se gosta ou não desta pessoa.
    Alguns distúrbios ou transtornos já foram relacionados às lesões da amígdala. Um estudo realizado pela equipe de Murray B. Stein, da Universidade da Califórnia, nos EUA, utilizou uma técnica chamada ressonância magnética funcional para medir a atividade cerebral em pacientes afetados pela TAS (Transtorno de Ansiedade Social) ou FS (Fobia Social) e em indivíduos não portadores do distúrbio.
    Várias fotografias com rostos foram mostradas aos voluntários. Os pesquisadores descobriram que, em relação aos voluntários que não apresentavam o distúrbio de ansiedade, os indivíduos com fobia social tiveram uma resposta hiperativa na amígdala quando viram rostos com expressões de raiva ou arrogância.
    Também já foram encontradas provas, por meio de estudos de neuroimagem (PET-Scan), que avalia a atividade cerebral através do metabolismo de glicose no cérebro, que os pacientes com o Transtorno Bipolar de Humor (antiga psicose maníaco-depressiva, que se caracteriza por períodos de depressão alternados com períodos de mania) possuem maior atividade na estrutura da amígdala cerebral.
    Enfim, pode-se questionar o fato de ser evidente que o cérebro controla o comportamento do indivíduo, e a amígdala, mais especificamente, as relações sociais e emoções. Mas o comportamento pode controlar o cérebro? Roberta Cysneiros responde: “Ao se analisar o contexto do ponto de vista individual, percebemos que nascemos com o potencial para desenvolver as habilidades sociais necessárias para atender às diferentes demandas que o convívio em sociedade exige. No entanto, devemos evitar a premissa imediatista de que os indivíduos já nascem dotados de uma rede neural apta para trafegar em redes sociais amplas e complexas e que, quanto mais desenvolvida ela for, maior e mais complexa será a rede social que iremos participar. Ao invés disso, as habilidades sociais são aprendidas no convívio em sociedade, esculpindo o cérebro, graças à plasticidade neural, e influenciando o indivíduo ao longo da vida”.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Visão distorcida



A doença atinge 1,6 milhão de brasileiros e a
 atenção é mais humanizada

Renata Bernardis

      Visões e vozes são alguns dos sintomas apresentados por pessoas que sofrem de esquizofrenia. Usualmente elas vivem também momentos de apatia e desordem de pensamento, com alterações de juízo, falsas ideias de perseguição e dificuldade em se relacionar. A esquizofrenia é uma doença com manifestações psíquicas cujos sinais e sintomas se dão na área do pensamento, percepção e emoções. Afeta cerca de 1% da população mundial e conta com, aproximadamente, 56 mil novos casos a cada ano no Brasil. No total, estima-se que exista cerca de 1,6 milhão de brasileiros com esquizofrenia, um dos transtornos mais graves na psiquiatria.

      Descrita pela primeira vez no fim do século XIX, a esquizofrenia ganhou esse nome do psiquiatra suíço Eugen Bleuler, como resultado da junção dos termos gregos  skizo (divisão) e phrenos (espírito), em virtude dos sintomas de dissociação que provoca no paciente. O curso da doença, que começa no final da adolescência ou início da idade adulta – geralmente, depois dos 15 anos e antes dos 30 – é sempre crônico. 
      De acordo com Rodrigo Bressan, psiquiatra e coordenador do Programa de Esquizofrenia (Proesq) – serviço psiquiátrico ambulatorial do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que atende, atualmente, cerca de 300 pessoas –, o diagnóstico é estritamente clínico, pois não existem marcadores biológicos próprios para essa doença nem exames complementares específicos. Mas alerta: “Apesar de não existirem exames que a confirmem, não significa que eles sejam dispensáveis. Por meio deles, é possível descartar outros quadros, o que reforça o diagnóstico da esquizofrenia”, diz, ao explicar que a doença tem causa multifatorial. Ela tem base genética, fatores sociais, familiares e psicológicos. A interação destes fatores é determinante para  desencadear a doença, geralmente percebida em razão de um surto, pois os sintomas da esquizofrenia são, na maior parte das vezes, sutis. 
      “Desse primeiro surto até a primeira visita ao psiquiatra há, geralmente, um intervalo de mais de um ano”, relata Jorge Assis, vice-presidente da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (Abre), entidade criada em 2002 com o intuito de informar, combater o estigma, por meio de ações na mídia, lutar contra a falta de medicação, divulgar materiais educativos no site e desenvolver atividades educativas nas comunidades. “O primeiro atendimento psiquiátrico demora para acontecer, pois, na maioria das vezes, a família não aceita a doença e busca vários médicos na esperança de receber um diagnóstico diferente”, explica. A esquizofrenia é uma doença crônica que ainda não tem cura, mas é tratada com remédios que, segundo Assis, garantem bons resultados e menos efeitos colaterais. “A indústria farmacêutica tem evoluído muito, assim como o conhecimento médico acerca do cérebro.” 
      Os medicamentos antipsicóticos para tratar a esquizofrenia, surgidos nos anos 1950, evoluíram e estão cada vez mais específicos e seguros no controle dos sintomas da doença, também controlada por atendimentos clínicos frequentes. 
      No Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo o tratamento é multifatorial, com psicoterapia. Realizado em longo prazo, o tratamento é mantido mesmo fora dos momentos de crise com o intuito de garantir à pessoa com esquizofrenia uma vida estável. O professor Helio Elkis, que é coordenador do Programa de Esquizofrenia do Instituto de Psiquiatria (IPq), do HC, conta que os mais de 500 pacientes atendidos pela entidade são chamados de refratários, pois não respondem aos psicóticos de primeira e segunda geração e, por isso, são tratados com clozapina. “Cerca de 30% das pessoas com esquizofrenia não respondem aos psicóticos de primeira e segunda geração”, diz, ao relatar que a entidade poderia receber novas pessoas refratárias dessa grande parcela de pessoas com esquizofrenia se a rede pública conseguisse absorver os pacientes do HC que hoje apresentam quadro estável.
      Contudo, alguns medicamentos não estão disponíveis nas unidades básicas de saúde e nem sempre há disponibilidade para a realização de hemogramas, exame frequentemente realizado em pessoas tratadas com clozapina, medicamento que em dosagem errada pode causar deficiência de glóbulos brancos. 
      Para Assis, da Abre, o atendimento em saúde é deficitário de maneira geral em todo o Brasil e na saúde mental não é diferente. “Entre 10 pessoas com esquizofrenia, não é exagero afirmar que um é tratado. E, em caso de crise psicótica, a dificuldade aumenta, pois as internações são difíceis de serem conseguidas.”
      A boa informação é que as internações, que por muito tempo foram utilizadas de forma incorreta e abusiva, em hospitais psiquiátricos que apresentavam condições desumanas, mudaram em muitos locais. Os próprios Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que atendem pessoas com  transtornos mentais graves, como psicoses e neuroses, incluindo a esquizofrenia, garantem internações bem mais humanizadas. A reforma psiquiátrica, iniciada há cerca de vinte anos e formalizada pela Lei no 10.216/01, impulsionou a construção de um modelo mais humanizado de atenção integral na rede pública de saúde, que mudou o foco da hospitalização como centro ou única possibilidade de tratamento aos pacientes.
      De acordo com o Ministério da Saúde, que prevê investir 1,8 bilhão de reais na área de saúde mental em 2011, existem hoje 1.650 CAPS, presentes em todos os estados da federação.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Trauma grave



Quedas e acidentes de trânsito são as principais
causas de lesões na coluna

Keli Vasconcelos


        Quem nunca se empolgou e deu um mergulho de cabeça na piscina? E, na pressa de chegar a um compromisso, se esqueceu de colocar o cinto de segurança? Ou, ainda, subiu no telhado da casa sem proteção alguma? Ações como estas podem custar a coluna vertebral, causando lesões graves como trauma raquimedular (TRM). Segundo dados do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP), 56% dos acidentados acreditavam que a causa do acidente estava na sua falta de atenção e 43% não tinham ideia da gravidade de se machucar a coluna. A pesquisa foi realizada entre 2007 e 2008 com pacientes atendidos na instituição diagnosticados com trauma de coluna.
        Outro dado importante é que vítimas de acidentes represen-taram 90% dos atendimentos em urgências e emergências, sendo quedas e acidentes de trânsito as principais causas. Os resultados foram obtidos pelo Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA), do Ministério da Saúde, no levantamento feito em 74 serviços de saúde de 23 capitais e Distrito Federal, entre setembro e novembro de 2009. O estudo VIVA apontou ainda que, entre os homens, quedas (31,8%) e transporte (29,6%) foram as duas principais causas de acidentes. Além disso, entre as pessoas que buscaram atendimento, 22,9% do total de vítimas são jovens de 20 a 29 anos. Os estudos revelam ainda que o TRM atinge mais pacientes do sexo masculino na faixa entre 20 e 40 anos.
        Mergulho em águas rasas, direção negligente, armas de fogo, realização de obras sem os devidos cuidados e sem os chamados equipamentos de proteção pessoal (EPIs), que abrangem os acidentes de trabalho, são algumas das situações que resultam em lesões graves – e, por muitas vezes, irreversíveis – na coluna.   
        Adriana Rosa Cristante, fisiatra da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), explica que a coluna vertebral é constituída pela parte óssea (vértebras), ligamentos entre as vértebras, discos intervertebrais e no canal raquiano (formado pelas vértebras), a medula espinhal.
        “Com o trauma, pode ocorrer fratura da coluna sem lesar a medula espinhal ou fratura da coluna associada à lesão da medula espinhal, que constitui o trauma raquimedular propriamente dito, no qual a pessoa já nota déficit de força e sensibilidade abaixo do nível da lesão”, conta. Nesse momento, completa a profissional, a medula já sofre a lesão pelo próprio trauma em si (chamada de lesão primária) e imediatamente segue-se uma série de reações inflamatórias que vão gerar um quadro de edema, inicialmente na medula, que aumenta sua área (lesão medular secundária).
        O TRM compreende as lesões na extensão da coluna vertebral, que abrangem partes vasculares e ósseas, a própria medula e ligamentos, entre outras regiões, comenta Fabiano Nunes Faria, ortopedista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Esse problema pode desencadear uma interrupção fisiológica e temporária da função medular, conhecida pelos médicos como choque medular, em que, clinicamente, o paciente apresenta quadro de anestesia e paralisia abaixo do nível da lesão. Na fase inicial, que dura dias ou até semanas, não é possível obter um prognóstico completo sobre a região lesionada. “Após o término (do choque medular), podemos caracterizar se houve lesão definitiva, classificada em completa ou incompleta, conforme a presença ou ausência de função sensitiva e motora”, pontua o ortopedista do Hospital Beneficência Portuguesa. 
        De acordo com os especialistas, a avaliação da extensão da lesão medular é feita por meio de aspectos de força, sensibilidade e reflexos, segundo o protocolo internacional da American Spinal Injury Association (ASIA), classificando nível e grau de lesão. “Considerando que a lesão pode ocorrer em qualquer nível da coluna e ser de natureza completa ou incompleta”, acrescenta Adriana Cristante da AACD, “existe uma variabilidade  grande de apresentações clínicas entre as vítimas de TRM, como tetraplégicos completos e incompletos, paraplégicos completos e incompletos. Portanto, em alguns casos, pode haver recuperação dos déficits, mas em outros pode não haver quaisquer recuperações.”
        A terapia para reabilitação e plus na qualidade de vida dos pacientes lesionados engloba uma equipe multidisciplinar e não apenas o papel de fisioterapia. Ortopedista, neurocirurgião, fisiatra, fisiologista, terapeuta ocupacional, enfermeiro e psicólogo, entre outros, estão no time de médicos que vão auxiliá-los. 
        Vale lembrar que esse problema não é apenas motor e que outras sequelas são referidas, como em relação ao controle na bexiga e intestino, por exemplo. A readaptação é um processo constante que garante o ganho de independência nas atividades que são consideradas corriqueiras para muitos. Porém, são novos desafios para os afetados pelo TRM.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A voz do bebê



Quando chora, o bebê expressa suas necessidades básicas

        O momento em que o casal mais espera ouvir o choro do bebê é na hora do parto, pois a ideia recorrente é que, quanto mais o bebê chora, mais saudável é. Mas depois, em casa, isso vira motivo de aflição, principalmente no caso do primeiro filho, quando o casal demora a se acostumar e a interpretar o significado dos sons. A conclusão é da enfermeira obstetriz Simone Rocco, esclarecendo que o normal nos primeiros dias é que o bebê só chore quando tem alguma necessidade. “Ele dorme muito e, quando acorda, começa a resmungar porque esta é a maneira de mostrar que precisa ser alimentado ou trocado. Geralmente o bebê chora até completar um ano, quando então começa a se expressar e entender os sinais externos”, resume a profissional.
        O bebê chora ao nascer para desobstruir as vias aéreas e colocar em ação um novo padrão respiratório. A laringe precisa pôr em prática imediatamente a sua eficiência orgânica, além de servir como o órgão das emoções, pelo qual o bebê vai manifestar diferentes sentimentos. Nos primeiros meses de vida o bebê depende de suas modulações vocais, um meio de comunicação muito importante e eficaz para manifestar o que está sentindo e mostrar suas necessidades.
        A voz do recém-nascido é caracterizada por uma tonalidade vocal descrita como delgada, pela pouca capacidade de ressonância. Nessa fase, o bebê apresenta quatro sinais vocais característicos. O primeiro é o sinal de nascimento, com média de um segundo de duração, descrito como um som surdo, tenso ou estridente, que serve para a expulsão do líquido amniótico. O segundo é o sinal de dor, de mais longa duração, que também é estridente e apresenta queda de frequência na sustentação. Em seguida, vem o sinal de fome, que aparece com pequenas unidades vocais, com frequência variável, e passa de grave para agudo rapidamente. Mas existe também o sinal do prazer e sua principal característica é o que os fonoaudiólogos classificam de “hipernasalidade”, com total sonoridade glótica, e é resultado apenas da vibração das pregas vocais.


Identificando cada som


        Mas antes de a criança aprender a se comunicar, como é possível identificar o choro do bebê, entender seus significados, saber se está com fome, dor ou sono? Segundo a maioria dos especialistas e dos pais experientes, o importante é saber que o bebê pode chorar mesmo com todas as suas necessidades satisfeitas, principalmente entre 3 e 12 semanas. O pediatra americano Berry Brazelton inclui, ainda, a possibilidade de o choro ser também um “desabafo” do sistema nervoso imaturo contra a sobrecarga de estímulos que o bebê recebe ao longo do dia. Por isso, apesar da angústia e ansiedade que o choro provoca nos pais ou responsáveis pelo cuidado do bebê, é preciso manter a calma para identificar o motivo e não piorar tudo com estresse desnecessário.
        A alternativa mais comum para identificar a causa do choro é a eliminatória, ou seja, a mãe vai verificando cada item para conseguir saber qual a causa do incômodo. Mas hoje já existe um método que ensina a desvendar a linguagem do choro dos bebês, diferenciando os sons que eles emitem em cada situação. Quem decodificou essa linguagem foi a australiana Priscilla Dunstan que, por meio da observação do seu próprio bebê, começou a perceber que existiam cinco padrões de choro que se repetiam sempre nas mesmas situações. Posteriormente, ela analisou mais de 1.000 bebês e chegou à conclusão de que, independentemente da raça e da cultura, os cinco sinais são semelhantes em todos os bebês até completarem três meses.
        Segundo Rafaela Rosa, fisioterapeuta especialista em saúde da mulher, os choros identificados por Priscilla Dunstan são baseados nos reflexos do bebê. “Quando o bebê chora porque está com fome, o som que emite é ‘Neh’, semelhante ao provocado pelo esforço que faz ao sugar. O segundo choro classificado tem o som de ‘Owh’, com o qual o bebê diz ‘estou cansado’ e é baseado no reflexo de bocejar, manifestado também pelo formato da boca, que fica ovalar”, explica.
        Outros choros classificados pelo método indicam desconforto, traduzido pelo som de “He” ou um R puxado e contínuo e o choro do arroto, ou dos gases, quando o bebê contrai o tórax e o abdômen para soltar o ar e emite um som semelhante a “Eairh”, curto e interrompido. O quinto som é provocado pelo sintoma mais comum nos bebês nas primeiras semanas, a cólica. “Esse é também o choro mais sofrido, mais gritado, nervoso e agudo, com um R acentuado no final, ou algo como ‘Her, Her, Her’”, ensina Rafaela.
        Para ajudar casais “grávidos” ou pais de recém-nascidos, a terapeuta oferece um curso rápido e disponibiliza o DVD desenvolvido para ajudar no treinamento de identificação dos tipos de choro e aprender a lidar com cada um deles. O curso, pelo qual já passaram mais de 50 casais em apenas um ano, tem duração de aproximadamente quatro horas e poder ser feito individualmente ou em grupo.
        “O método se aplica até o terceiro mês, pois o choro do recém-nascido é baseado em reflexos que se perdem com o crescimento e a maturidade do bebê”, explica Rafaela. “Se for bem utilizado e os pais responderem aos tipos de choro, no entanto, o bebê sente segurança e, aí sim, pode repeti-los de maneira consciente, como forma de se comunicar.”


Dicas para entender a linguagem dos bebês


• Durante a fase pré-choro, o som que o bebê faz é mais facilmente identificável, ou seja, antes de o choro ficar histérico. Por isso, procure identificar o que o bebê quer e aja de acordo, antes que ele fique desesperado.
• Se ouvir mais do que um tipo de choro, procure identificar qual é o mais dominante e aja de acordo com este som.
• Se não conseguir entender o choro do bebê, tente mudá-lo de posição, eleve-o e coloque-o no colo, pois a mudança vai trazer mais conforto.
• Tente identificar a sutileza entre um som e outro, pois será a grande diferença na hora de entender o que incomoda o seu bebê.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Entrevista: QUEBRANDO MITOS

  

                                     Alysson Muotri


 Só quem descobre cedo que “a vida agarra-se ao difícil” poderia escolher o desafio de estudar a mais grave síndrome do espectro autista e alcançar, em apenas três anos, resultados revolucionários.
 Estamos falando do professor da Universidade da Califórnia Alysson Muotri, biólogo molecular formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com doutorado em Genética pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado em Neurociência e Células-Tronco no Instituto Salk de Pesquisas Biológicas, nos Estados Unidos.
 Esse jovem cientista brasileiro ganhou notoriedade mundial, em novembro de 2010, ao publicar seu trabalho na Cell, renomada revista científica internacional, em que divulgou três feitos inéditos.
 Primeiro, Muotri e sua equipe de pesquisadores criaram neurônios autistas em laboratório. Extraíram células da pele de pacientes e induziram-nas a se transformar em células-tronco embrionárias pluripotentes (as chamadas iPSC – induced Pluripotent Stem Cells, capazes de originar vários tipos de tecidos). Em seguida, demonstraram que os neurônios autistas diferem dos normais desde o início do desenvolvimento, derrubando assim um mito sobre as causas do distúrbio.

 “Mostramos que os defeitos eram, de fato, genéticos e não frutos de algum fator ambiental”, o pesquisador declara. Por fim, o grupo chegou ao alvo principal: conseguiram reverter o estado deficiente do neurônio autista em neurônio normal. Assim, abriram a perspectiva de cura para um dos mais estigmatizados transtornos humanos. Atingir tão significativa descoberta aos 36 anos de idade tem seus segredos.
 A fórmula mistura paixão pela ciência com dedicação obcecada ao trabalho. E como ninguém é de ferro, Muotri busca descanso e inspiração na prática da ioga e nas ondas do surfe. Leia, a seguir, a entrevista exclusiva que ele concedeu a esta revista.

Entrevista



Em novembro do ano passado, o senhor publicou um estudo que abriu perspectivas de tratamento do autismo. Como se desenvolveu essa pesquisa? O objetivo foi o de desenvolver um modelo para estudo de doenças mentais humanas. Aproveitamos a tecnologia de reprogramação genética (desenvolvida pelo pesquisador Shinya Yamanaka), aplicando-a numa síndrome do espectro autista. Reprogramamos células da pele de pacientes com Síndrome de Rett e de crianças não afetadas pela doença, transformando-as em células pluripotentes. A partir daí, diferenciamos essas células em neurônios e comparamos o grupo de pacientes com o controle. Observamos diferenças bem específicas entre os grupos. Neurônios derivados de crianças com o espectro autista apresentaram soma menor e reduzida densidade de espinhos, além da dramática diminuição na capacidade de formar sinapses excitatórias. Isso foi confirmado com experimentos desenhados para testar a conectividade entre os neurônios, revelando que as redes neuronais do autista estavam realmente se comportando de forma deficiente. Após essa constatação, testamos algumas drogas e conseguimos reverter esse “estado” deficiente do neurônio de volta ao normal.

Quanto tempo passou do início de sua pesquisa até alcançar a reversão do neurônio autista? Do conceito até a publicação final, levamos três anos. Tínhamos alcançado os resultados de reversão já no segundo ano. Mas até que isso fosse aceito pelos rigorosos padrões de publicação internacional passou mais um ano. Foram feitos diversos outros testes com outros controles para confirmar o resultado.


Quais consequências a reversão de um neurônio autista em neurônio normal poderá produzir? Essa descoberta significa um caminho para a cura da doença?
Doenças psiquiátricas ou que possuem um componente de interação social afetado são doenças tipicamente humanas, ou seja, não existem modelos ideais para estudar autismo ou esquizofrenia, por exemplo. Sem modelos, não dá para entender como o transtorno surge ou mesmo desenhar estratégias de cura ou tratamento. Os resultados do estudo são revolucionários porque mostram que é possível encontrar padrões em neurônios derivados de pessoas com doenças mentais. Talvez o mais importante seja o fato de nossos dados sugerirem fortemente que a doença não é permanente, mas pode ser reversível.

Na hipótese de se desenvolver um medicamento, dá para prever como se comportaria uma pessoa autista? A capacidade de comunicação e aprendizagem se restauraria de imediato? E as habilidades já desenvolvidas pelos autistas se perderiam? A reversão dos problemas sinápticos obtida em cultura por meio de drogas abriu as portas para uma perspectiva impensável: podemos curar o autismo. Na hipótese de termos um medicamento em mãos que funcione, é difícil prever os resultados. Vejo dois cenários: os defeitos serão corrigidos, preservando memórias e habilidades. Por outro lado, pode ser que a correção apague o que o cérebro já aprendeu e se reorganize novamente, seria como um renascimento. Não sei o que esperar realmente, é possível que diferentes medicamentos atuem em regiões diferentes do cérebro, com resultados distintos. Tudo isso nos aguarda num futuro próximo. Sou otimista.




Estudar os neurônios autistas desenvolvidos em laboratório a partir de células-tronco é igual a observar os neurônios funcionando dentro do cérebro de um autista? Não sei, nunca tivemos a oportunidade de observar neurônios humanos nesse nível de detalhe antes. Não seria ético fazer isso in vivo. Por outro lado, testes com neurônios de camundongos derivados de célulastronco foram comparados com neurônios de camundongos in vivo e a conclusão é que se comportam como se fossem neurônios fetais. Não vejo razão para pensar que em humanos seria diferente.

Por que escolheu pesquisar a Síndrome de Rett? Na continuidade da pesquisa, o senhor pretende estudar as outras formas mais comuns de autismo? A Síndrome de Rett está no extremo mais grave do espectro autista. Os neurônios são afetados de forma mais rigorosa, funcionando como o protótipo ideal e facilitando reconhecer os defeitos celulares. Além disso, a maioria dos pacientes Rett possui mutações conhecidas. Isso foi essencial para mostrarmos que os defeitos eram, de fato, genéticos e não frutos de algum fator ambiental. Atualmente estamos trabalhando com outros pacientes do espectro autista, buscando confirmar se existe uma sobreposição de defeitos que indiquem vias moleculares comuns. Se for verdade, a mesma droga pode funcionar para diversos pacientes.



A técnica utilizada em sua pesquisa poderá ser aplicada no estudo sobre depressão e bipolaridade,
doenças cada vez mais prevalentes na atualidade? Com certeza. Já fomos contatados por diversos grupos estudando outras doenças psiquiátricas como esquizofrenia, depressão e bipolaridade. Estamos auxiliando esses grupos a estabelecer esses modelos. Acredito que, em breve, estudos semelhantes vão ser publicados para essas doenças.

De que forma a pesquisa com células-tronco poderá contribuir para o desenvolvimento de medicamentos, ferramentas de diagnóstico e terapias para as diferentes doenças? Quando se fala em células-tronco, a grande maioria pensa em transplante. Na verdade, para mim, o transplante celular vai ser a última das aplicações das células-tronco. A primeira vai ser oral – uma pílula! Isso porque a tecnologia de triagem de drogas é algo que a academia e as biotechs sabem fazer. Já temos know-how para isso. Mostramos que as iPSC (células-tronco embrionárias induzidas) de autistas são um ótimo modelo. Foi a prova de princípio. Agora existem alguns passos que precisam ser otimizados para que isso seja feito em larga escala. O uso de iPSC para diagnóstico vai também ser implementado num futuro não muito longe. A associação dessa tecnologia de fenótipos celulares com o genoma é o futuro para uma medicina personalizada.


Em um dos artigos publicados no seu blog, o senhor sugeriu que os países deveriam formar e financiar os seus pesquisadores nos grandes centros internacionais. Qual seria a vantagem para o Brasil incentivar a chamada “fuga de cérebros”? Parece uma lógica não intuitiva, mas a colocação de profissionais brasileiros em centros de pesquisa com destaque mundial é essencial para que estes funcionem como “olheiros” de tecnologia. Isto também pode facilitar a transferência da tecnologia, auxiliando nas colaborações e conselhos especializados. Essa prática acontece com quase todos os países em desenvolvimento. Em geral, esses países identificam seus “cérebros” e oferecem uma posição de diplomata científico, permitindo que o indivíduo até tenha dois laboratórios. Nunca vi esse tipo de iniciativa no Brasil. Veja bem, não estou falando de centros medíocres no exterior, nem de profissionais medíocres. Isso só vai funcionar com os melhores, a nata da ciência nacional. Ainda outro dia durante uma conferência internacional, vi uma megaempresa de biotecnologia anunciar uma parceria com a Índia. Indaguei o porquê da Índia e não o Brasil, por exemplo. O CEO rebateu na hora: “Você é o único brasileiro que eu conheço fazendo ciência de ponta. Nunca tive interação com brasileiros antes, mas converso com indianos todos os dias”. Essa realidade tem que mudar, precisamos de mais cérebros fora.

Como o senhor avalia o atual estágio da pesquisa científica no Brasil? Estamos de cinco a dez anos atrás do Japão e EUA. Um pouco menos, se compararmos a alguns países europeus. Acho que o maior problema é a falta de interação internacional. Nosso provincianismo científico afeta muito a qualidade e o impacto dos trabalhos no Brasil. Outro problema que eu vejo é a estabilidade do pesquisador nas universidades brasileiras. Esse cargo já foi listado como um dos melhores do mundo! Como isso é possível? Aqui nos EUA a história é completamente diferente, não existe essa estabilidade garantida. O pesquisador é avaliado a todo momento. Tem que estar no topo sempre. Não sei se é realmente a melhor opção. Acho que algo no meio-termo seria o ideal. Por fim, aponto a falta de autonomia dentro das universidades. Os departamentos não podem simplesmente contratar quem quer, tem que passar por um ultrapassado concurso público que nem sempre premia o melhor.

O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, propôs que bancos financiadores sejam
sócios no produto final da inovação dentro das empresas. Assim, compartilham o risco, mas, se der certo, também compartilham os ganhos. Como o senhor avalia essa ideia? A ideia é boa. É o que acontece nos EUA, por exemplo. Não tem nada de novidade. Temos mesmo é que mudar a cultura de investimento e de capital de risco. Se o governo puder ajudar nessa integração, legal! Se não atrapalhar, já ajuda também.

Quando e por que escolheu seguir a carreira de pesquisador? “A vida agarra-se ao difícil.” Esta frase do Rilke (Cartas a um jovem poeta) mudou a minha forma de ver as coisas. Concluí que a vida só valeria a pena se fosse vivida ao máximo. Para isso, queria um desafio enorme. Pensei, então, qual seria a profissão mais difícil do mundo? Concluí que era pesquisador, ajudar milhares de pessoas só com sua criatividade e capacidade de execução. Ainda penso assim. Joguei-me de cabeça, apaixonado. Hoje sou um obcecado.

Entre tantos campos de pesquisa, por que escolheu a neurociência? E como chegou até o Instituto Salk? Difícil explicar com clareza. Acho que sempre vi o cérebro como o portal para se entender diversas coisas. Assim, entendendo o cérebro, estaria mais perto de entender a humanidade e a mim mesmo. Depois do meu doutoramento em genética pela USP, fui até aos EUA em busca de emprego. Visitei diversos laboratórios e apresentei minhas propostas e ideias. Fui convidado a voltar e trabalhar em todos que
visitei. Mas me apaixonei pela pesquisa que acontecia em San Diego, particularmente no Instituto Salk. O
estilo de vida do sul da Califórnia, unindo surfe, ioga e vinhedos, me atraiu muito. Além disso, o jeito irreverente e descontraído de se fazer ciência em San Diego é imbatível. Tinha que voltar. Voltei e decidi ficar
para montar o meu próprio laboratório. Hoje faço parte de um consórcio de institutos focados em células-tronco e neurociência. É o melhor lugar no mundo para fazer isso.



Por: Sueli Zola


Fonte: + SAÚDE Magazine | Ano2 - N° 6 | Abril, Maio, Junho 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Autismo: Um jeito diferente se ser


Isolamento social e dificuldade na comunicação são inabilidades do autismo

 Fruto de uma gravidez desejada,Pedro foi um bebê precoce. Comapenas cinco meses de vida já engatinhava e, aos nove meses, começoua andar. Apenas um detalhe no seu comportamento chamou a atenção de sua família: ele não desenvolvia a linguagem. “As outras crianças falavam palavras e até frases e meu filho apenas balbuciava”, diz Rosane Barreto, mãe de Pedro, que hoje está com cinco anos.
 A ausência da fala contrastava com a impressionante capacidade motora do menino. Preocupados, os pais levaram a queixa ao pediatra. Na falta de uma resposta convincente, procuraram um fonoaudiólogo e continuaram sem explicação. A hipótese diagnóstica só surgiu quando, aos dois anos, Pedro passou a apresentar condutas incomuns, como brincar sempre sozinho e andar nas pontas dos pés. As atitudes indicavam autismo.
 Ao contrário do que muitos pensam, o autismo não é doença. “Trata-se de um transtorno caracterizado pela forma comportamental diferente da criança se relacionar com as outras pessoas”, afirma Vicente José Assencio Ferreira, neuropediatra, doutor em medicina pela Universidade de São Paulo e diretor clínico do CEMTE – Centro Educacional Municipal Terapêutico Especializado da cidade de Taubaté.
 Presentes desde o nascimento, os traços autistas são mais bem observados após um ano de idade e antes do
três anos. “No primeiro ano de vida, os sinais são pouco evidenciáveis. O bebê não chora ao ser deixado no berço, não olha para a mãe ao ser amamentado, não apresenta o sorriso social e nem demonstra angústia diante de estranhos”, esclarece Assencio Ferreira. Mesmo quando os indícios deixam de ser tão sutis, não é fácil fechar o diagnóstico. “A criança apresenta inabilidades para se comunicar e não interage. A família traz as queixas, mas a grande maioria passa despercebida até para os pediatras”, afirma Tânia Sbervelieri Ojeda, fonoaudióloga que está se especializando em distúrbios da aprendizagem.
 O caso de Pedro Barreto é um exemplo claro disso. Até ter certeza de qual transtorno afetava a criança, a família percorreu diferentes médicos. “Foram rios de dinheiro em consultas particularese exames. Só soubemos, de fato, que meu filho era portador de autismo após ser examinado, em conjunto, por médico
psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional”, conta Rosane. “O diagnóstico deve ser feito por equipe multidisciplinar”, confirma Tânia.

O desafio da inclusão

 Um dos aspectos que dificultam a identificação do autismo é a diversidade nas formas de apresentação do transtorno. Há desde quadro leve, em que a pessoa acometida tem inteligência normal, trabalha, namora, casa, até casos extremos de completa dependência física e mental.
 Segundo o neuropediatra Assencio Ferreira, ao se supor a hipótese diagnóstica, o importante é observar a
presença da tríade: preferência por isolamento social, déficit na comunicação interpessoal e inabilidade para jogos em geral. As três condições são prevalentes em todo o espectro autista.
 Para tratar essas inabilidades, é necessária uma abordagem terapêutica multidisciplinar, que inclui a intervenção de especialistas em fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, pedagogia e psicopedagogia.
“Buscamos fazer a inclusão social da criança autista, propondo o convívio e o aprendizado nas escolas comuns. Mas a tarefa não é simples. Existem ainda muitos tabus a serem superados”, comenta Tânia.
 Numa megalópole tão repleta de alternativas como São Paulo, a fonoaudióloga nem sempre consegue localizar escolas inclusivas, que aceitem e saibam lidar com o autista. Se na maior capital do país há obstáculos, dá para imaginar a situação em outras cidades do Brasil. “Quando morei em Fortaleza, Pedro
frequentou uma escola com corpo docente especializado. Era maravilhoso. Mas, após mudarmos para Brasília, passamos a enfrentar barreiras. As instituições educacionais são obrigadas, por lei, a fazer a inclusão, mas não têm experiência e nem capacidade para fazer um trabalho eficaz com as crianças”, enfatiza Rosane.
 Descrito pela primeira vez em 1943, pelo médico austríaco Leo Kanner, o autismo tem sido objeto de muitos estudos. Até os anos 1970, acreditava-se que o transtorno decorria de atitudes inadequadas dos pais, que levavam a criança a se isolar. “Quanto sofrimento e culpa infringimos aos pais (principalmente às mães) ao julgar que o autismo era adquirido num ambiente familiar ausente de carinhos verdadeiros”, salienta Assencio Ferreira.
 Hoje os conceitos mudaram. Já se sabe que as características autistas são inatas, como bem comprovou o estudo de Alysson Muotri, que iremos postar na próxima matéria, da semana que vem.

Fonte: +SAÚDE Magazine  |  Ano 2 - N° 6  |  Abril, Maio, Junho 2011


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Inovação: parceria oferece ainda mais saúde

 A Porto Alegre Clínicas e a Radiológica & Diagnósticos por Imagem consolidam parceria, aliando tecnologia e ainda mais qualidade e conforto aos atendimentos médicos.

 O ano de 2011 pode ser considerado um marco na história de duas empresas atuantes na área de saúde no estado do Rio Grande do Sul: a parceria entre a Porto Alegre Clínicas e a Radiológica. As duas empresas alcançaram os melhores resultados e também o maior crescimento em seus respectivos segmentos na última década, além dos números de clientes em suas carteiras, instalações e profissionais qualificados em seus quadros.
 Com o objetivo de ampliar a qualidade dos atendimentos, aliando tecnologia de ponta e estruturas físicas que são referências em qualidade por estarem de acordo com as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a RDC 050 (Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde), os sócios fundadores das duas empresas, Alexandre Diamante e Rafael Kern Sant’Anna, profissionais com visão empresarial de futuro, concretizaram esta parceria que foi projetada e analisada por eles e suas equipes de colaboradores desde 2010, desenhando o que seria a arquitetura do projeto, no qual o objetivo central visa agregar valor oferecendo ainda mais qualidade ao atendimento dos clientes.
                                            
 Os pacientes agora contam com modernos equipamentos de densitometria óssea, ecografia, ecodoppler,
mamografia, radiologia geral e também exames de alta complexidade, tais como: ressonância nuclear magnética e tomografia computadorizada.
 O novo centro de diagnósticos da Radiológica está localizado na Avenida Farrapos, 579, ao lado da sede da Porto Alegre Clínicas, na capital do Estado. Telefone: (51) 3311-0992 ou 3311-0804.

Fonte: Revista + SAÚDE  | Ano2  | Nº 6  |  Abril, Maio, Junho 2011